Manaus, 24 de Setembro de 2018
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Crise fora do roteiro de viagens

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
06 Jul 2018, 20h31

Crédito:Acervo Pessoal
As viagens de luxo ou com custo um pouco mais elevado que o normal parecem estar imunes a crise. Ainda que dependendo do bom humor do câmbio, muitos amazonenses não deixam de arrumar as malas rumo ao exterior. Um outro fato que chama a atenção é que o chamado turismo de aventura também vem ganhando um ar mais VIP, com roteiros diferenciados e claro, uso de equipamentos apropriados para modalidade (que não são tão baratos).

A odontóloga Lílian Hamon vê a Europa, frequentemente visitada como alvo para seus interesses como turista e crê que os gastos valem a pena. "Busco em minhas viagens conhecer lugares históricos, monumentos e aspectos da cultura e gastronomia. Tudo isso facilmente encontrado na Europa, então quando posso, vou", disse.

"Quando necessário alugamos carros para passeios, é um gasto para quando se quer mais privacidade, mas o deslocamento entre os países da Europa é facilitado por um eficiente sistema de transporte, podemos percorrer vários países por uma malha ferroviária em bom funcionamento", afirma.

Turismo é investir em cultura

Lílian tem uma predileção pela França. "Paris sempre! Nos últimos dois anos, além da França visitei Portugal, Bélgica, Áustria, Holanda e Hungria. E tudo sem precisar dos roteiros batidos das agências de viagens, o que pode deixar tudo um pouco mais caro", segundo ela os custos altos são compensados pela bagagem cultural acumulada.

"É um investimento que me dá prazer. Cada viagem traz novos conhecimentos ou revisão de estudos acadêmicos passados, que são vistos 'in loco'. A tristeza vem quando se compara as desigualdades entre o Brasil e países de primeiro mundo. É uma pena constatar a nossa triste realidade e ter que voltar pra casa", encerra.

Turismo pelo Brasil

Campos, praias e montanhas do Brasil sempre fizeram parte do destino do turismo de luxo no Brasil. Esses destinos aos poucos foram se adequando a busca por mais saúde e adrenalina, coisas que estavam em falta nos últimos anos. Assim o turismo de aventura, apesar do pé no chão, precisou se adequar a novos públicos.

O gosto particular tem sido a bússola do programador de computador Adílio Moreira na hora de 'desbravar' as trilhas brasileiras. "Vou com um roteiro pronto, com os pontos mais comuns e mais conhecidos até chegar ao destino. Depois procuro conversar com as pessoas da região para saber o que tem para fazer, coisas que não se encontram na internet", comenta.

As trilhas acabam pedindo um meio melhor de locomoção e esse pode ser um dos gastos mais caros da viagem. "Hesito sempre em alugar um carro, coisa que faço raramente. Mas, recentemente viajando pela Bahia, precisamos andar por toda a Chapada Diamantina e terminamos por alugar um jeep Renegade", disse Moreira.

Apesar do gosto por teatros e museus, as localidades visitadas acabam limitando as viagens à aventura.
"Meu foco sempre foi aventura, além de festivais culturais que acontecem pelo interior do Brasil. Visito locais badalados, teatros e museus, porém não dou prioridade", conta. Em 2018 Adílio já visitou, além, da Bahia, Búzios (RJ) e Parintins no interior do Amazonas. "Existe um roteiro diferenciado em qualquer lugar que se vá. É preciso estar de olhos abertos e descobrí-los", encerra.

Uma nova geração de viajantes

A geração Z, composta pelos nascidos entre meados dos anos 1990 e fins de 2010, ditará os roteiros de viagens muito em breve, mostra um levantamento da rede Virtuoso, especializada em viagens e experiências de luxo. Até 2020, esses grupos representarão 40% dos turistas que usam suas economias para colocar o pé na estrada e é um público exigente que tende a buscar viagens de aventura, imersão cultural e destinos não convencionais.

As startups já estão de olho nesse tipo de viajante mais acostumados às facilidades da internet e já ganham a confiança dos turistas tradicionais, principalmente das classes A e B. Em 2016, o mercado brasileiro de turismo online representou R$ 30 bilhões.

De acordo com o Zarpo (www.zarpo.com.br), site focado em serviços de turismo premium, dois terços desse segmento é composto pelo público de classes A e B. Em 2017, a empresa teve a maior receita de sua história: R$ 185 milhões.

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