Manaus, 19 de Setembro de 2018
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A triste estória de chefes que emburrecem sua equipe

Por: Cláudio Barbosa
05 Jul 2018, 15h25

Crédito:Divulgação
Um velho e experiente lenhador foi desafiado por outro mais jovem numa disputa que mostraria qual dos dois seria o mais competente. Tal duelo causou alvoroço nos moradores do local. Muitos passaram a crer que talvez, dessa vez, o velho lenhador, que sempre ganhava esse tipo de desafio, iria finalmente perder porque seu adversário tinha a vantagem de ser mais forte e vigoroso.

No dia da disputa a população local se reuniu para assistir os dois em ação. O jovem se entregou com toda energia, aplicando toda força possível para cortar o maior número de árvores. De vez em quando olhava para trás e via o velho sentado. Punha-se a cortar mais ainda. Ao final foram medir a produtividade da façanha e notou-se que o velho lenhador havia cortado muito mais lenha. O jovem intrigado não resistiu e perguntou:
- Como pode cortar mais lenha se toda vez que olhava pra trás via o senhor descansando?

Prontamente o campeão retrucou:

- Não descansava, amolava meu machado para obter mais resultado.
Essa conhecida fábula, aqui livremente narrada por mim, me faz refletir sobre o modus operandi de muitos trabalhos realizados pelas equipes. Num conjunto maior me faz pensar que talvez existam chefes que "emburrecem" seus colaboradores. Nesse sentido me pus a refletir um pouco mais sobre o tema e tentei sintetizar aqui o que eu penso.

Dizia Karl Marx que o homem é produto do meio. Nesse sentido se o ambiente de trabalho propiciar o pleno desenvolvimento das capacidades humanas aliada a busca de resultados extraordinários, teremos como produto um time robusto e de alto desempenho. A recíproca é verdadeira. Havendo no meio, condições que travam o homem, que o impeçam de expressar suas experiências anteriores, um ambiente que desintegra e desrespeita e onde não seja permitido inovar, o homem será apenas massa de manobra, um apêndice da máquina.

Por mais brilhante que seja o colaborador, por mais experiência que ele tenha adquirido em empresas anteriores, tudo isso pode ser derrubado se o profissional estiver num ambiente que o limite, que o sufoque, que não lhe seja permitido expressar-se ou por força política ou por uma rotina nociva construída sobre ineficiência operacional, que o prende num modus faciendi burro.

Essa experiência o vai condicionando por meio de repetições de jeitos menos inteligente de trabalhar e quando há a tentativa de efetuar melhoria, aquele que está na linha de comando imediatamente começa a recitar um mantra maldito que hipnotiza, desencoraja, desmotiva e, enfim, emburrece a equipe. Lamentável!

É proibido amolar o machado

Dentro desse exercício de reflexão, consegui destacar alguns fatores que possivelmente fazem as pessoas trabalharem de forma menos inteligente. Vale ressaltar que eles podem está mais presentes em equipes comandadas por um chefe despreparado para lidar com pessoas e seus talentos. Desse modo faz as coisas apenas do seu jeito, pessoal e impositivo:

1. Não permitir ao funcionário entender a razão de seu trabalho: Sem clareza de propósito não poderá haver melhoria e nem sentido de existência.

2. Determinar tarefas sem deixar claro o resultado esperado em termos de qualidade, tempo e custo. Vale a pena investir um tempinho nisso para gastar a energia necessária e evitar retrabalho.

3. Solicitar coisas que não serão usadas - Talvez pior do que não deixar claro o que se quer, seja pedir para fazer coisas que não servirão para nada.

4. Desencorajar a pergunta - Questionar é exercício de inteligência e não outra coisa. Questionar abre possibilidades de encontrar caminhos mais curtos.

5. Não permitir um tempo de pausa no exercício da tarefa. Pausas geram insights e isto leva a soluções eficazes.

6. Ausência de gerenciamento visual - quando a informação é retida o time se torna míope e ocorre o incrível fenômeno de reinventar a roda ou de gerar trabalho duplicado.

7. Ausência de reunião periódica com o time - Reuniões de check points com a equipe é importante não somente para saber o progresso das atividades mas também para reforçar a identidade de equipe, compartilhamento de dificuldades e propiciar um ambiente de ajuda mútua.

Clareza do seu papel na companhia, saber o que se espera do trabalho, fazer somente o que é útil, exercitar o senso crítico, ter um tempo para respirar, saber o que está acontecendo e ter um fórum para compartilhar o trabalho são pontos que colaboram significativamente para uma rotina mais inteligente. Tal como a fábula do lenhador, aquele que está na linha de comando deve afiar bem seu machado, em outros termos, deve suportar e preparar bem sua equipe, desenvolver o time ao máximo permitindo ele melhorar o próprio jeito de trabalhar alinhados com resultados em qualidade, custos, entregas, moral e segurança.

Concordo com Brian Tracy que disse que "Líderes pensam e falam sobre soluções. Liderados pensam e falam sobre problemas". Assim sendo, sou a favor da pena de ostracismo para líderes que não amolam seus machados e ainda causam danos à inteligência das pessoas.
Ósculos em Amplexos a todos.

Comentários (1)

  • Hebert08/07/2018

    Parabéns, ótima publicação, fica a dica para vários chefes que acham que sabem tudo.

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