Manaus, 24 de Setembro de 2018
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Pessimismo ronda o comércio no Amazonas

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
27 Jun 2018, 19h41

Crédito:Artur Mamede
A abertura de empresas no Estado vem apresentando melhoras significativas quando comparadas aos números nacionais divulgados pelo Cempre (Cadastro Central de Empresas) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que aborda os anos de 2013 a 2016 que apontam para uma queda de 1,3% no número de empresas do Brasil. Apesar da melhora o número de empresas, principalmente comerciais, fechadas é facilmente observado nas ruas de Manaus.

Segundo o presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas) Ismael Bicharra Filho, os anos de crise mais intensa, justamente os retratados na pesquisa do IBGE ainda têm reflexos na capital amazonense. "O empresário fica inibido em investir em melhorias quando encara o baixo poder de compra do amazonense. Como consequência vêm as demissões e lojas fechadas. O temor aumenta quando lembramos que datas antes importantes como Dia das Mães, já não tem a mesma força", disse.

Confiança em queda

A confiança do empresário do comércio também vem caindo. O Icom (Índice de Confiança do Comércio) caiu 3,0 pontos na passagem de maio para junho, atingindo 89,6 pontos, informou na quarta-feira (27), a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Em médias móveis trimestrais, o indicador recuou 2,4 pontos.
O índice mostra que a recuperação que o setor vinha apresentando até o início de 2018 começou a perder fôlego no segundo trimestre, avaliou o coordenador da Sondagem do Comércio no Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da FGV), Rodolpho Tobler em nota oficial. "O ritmo lento da economia, o tímido avanço do mercado de trabalho e a greve dos caminhoneiros de maio influenciaram para a piora da percepção com situação atual e, principalmente das expectativas, mostrando que os empresários ainda estão cautelosos em relação aos próximos meses".

De acordo com Bicharra, o segundo semestre ainda não deu os resultados esperados. "O comércio ainda não deslanchou. Houve vendas razoáveis de televisores antes da Copa do Mundo, mas agora está estável. A própria Copa não animou tanto o comerciante, talvez daqui para frente a coisa ande. Mas e depois da Copa?", questiona.

Em janeiro, o comércio ainda era otimista, embalado pelas vendas de fim de ano, mas a realidade logo mudou. "Esse ano temos eleições e nenhum candidato ainda apresentou programas que tenham propostas para fortalecer o comércio, reduzindo burocracia e carga tributária, o que vem derrubando a confiança do comerciante. Ainda passamos pela alta dos combustíveis e greve dos caminhoneiros. Estes são tempos difíceis", encerrou Bicharra.

Pequenos sentem mais

A chegada dos atacarejos (loja mista que atende no atacado e varejo), apesar das vagas de trabalho abertas, tem causado estragos entre microempresários. A liberdade para vender qualquer tipo de produtos e em qualquer quantidade, derruba ainda mais a confiança, explica a microempresária de hortifrútis, Daniela Oliveira. "Os atacarejos estão tomando o mercado. Vendem de hortifrútis a pneus, passando por produtos para pets, quebrando esses segmentos. Por não ter como competir, já desisti do atacado e precisei demitir um funcionário", conta.

Salários médios

O Cempre aponta que os salários médios do comércio estão entre os mais baixos entre as atividades econômicas pesquisadas. Em 2016 os menores salários médios foram pagos por alojamento e alimentação (R$ 1.363,30), atividades administrativas e serviços complementares (R$ 1.652,44) e comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (R$ 1.753,80). As atividades com salários médios mensais menores absorveram, juntas, 33,3% do pessoal ocupado assalariado. No site da Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Amazonas) o piso salarial em vigência é de R$ 1.050.

Aberturas e extinções

Até maio do ano corrente o total de extinções de empresas foi de 597 contra 1110 aberturas, segundo a Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas). Mas esses números já foram bem piores, no mesmo mês do ano passado 618 empresas foram fechadas, um número bem aproximado das 860 extinções registradas nos primeiros cinco meses de 2018.

O número de empresas constituídas em maio foi de 485, divididas em Empresário (234), Ltda (142), Eireli (105), S.A. e cooperativas com duas novas empresas cada. Já as extintas no mês alcançaram 170, sendo 70% (127) desse total na categoria Empresário.

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