Manaus, 22 de Setembro de 2018
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Projeto, crescer em 10 anos

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
22 Jun 2018, 19h54

Crédito:Divulgação
O segmento de lácteos e da produção leiteira no Estado do Amazonas tem apresentado crescimento nos últimos anos. Com o investimento em melhoramento genético de produtores e pecuaristas de um lado, e a de laticínio no interior do outro, o setor é o que mais vem se desenvolvendo no Estado do Amazonas. Com o desenvolvimento das atividades empresariais e os investimentos realizados, a expectativa é que daqui a 10 anos, a produção possa atender 50% do mercado consumidor, sobretudo, motivado pelo grande consumidor de lácteos em Manaus.

Dois municípios tem sido grande destaque no aumento da produção, o município de Manicoré e Autazes. Com uma produção diária de 15 mil litros de leite por dia, o presidente Renato Pereira da empresa Matupi Fabricação de Laticínios, localizado no município de Manicoré, a 618 quilômetros de Manaus, explica que o amplo mercado consumidor no Amazonas tem propiciado boas perspectivas para o futuro, e conta que a meta é chegar ao volume de 60 mil litros diário.

"O segmento lácteo no Amazonas está em crescimento, em Matupi o segmento está em pleno desenvolvimento e crescimento. Existe um mercado consumidor muito grande no Amazonas, pretendemos atender ao mercado local devido a sua potencialidade. Esperamos que daqui há 10 anos possamos suprir pelo menos metade do Amazonas", disse.

Além de investir na produção de 155 pequenos produtores locais, a empresa tem gerado 45 postos de trabalho direto e 600 empregos indireto. E para Renato, apesar da crise econômica ter prejudicado as atividades nos últimos meses, a meta é desenvolver modelos e estratégias para investir cada vez mais na produção do local "O mercado esteve muito ruim há 90 dias atrás. A nossa esperança é muito grande em termos de valorização do homem do campo. A maioria do nosso leite é do pequeno agricultor, da agricultura familiar. O Governo tem olhado muito para o setor primário. Hoje não produzimos 10% do consumo do Amazonas, ainda temos muito o que melhorar, mas estamos otimistas para os próximos anos", frisou.

A maioria dos produtos agropecuários são produzidos em ciclos que podem durar de três meses a três anos, e com o intuito de investir na qualidade dos produtos, o empresário investiu em equipamentos nas pequenas propriedades, e caminhões especiais para a escoação do produto até a fábrica.

"Investimos em um tanque de expansão e colocamos nas propriedades é que o gela o leite. Para diminuir o custo fazia coleta no tambor todos os dias. Hoje a coleta é feita em um caminhão com um tanque de 10 mil litros que vai de dois em dois dias na propriedade da pessoa. Dessa forma, o leite gelado vai para a fábrica, passa por todo o processo de transformação para os derivados", explicou.

Autazes

O destaque como um dos maiores produtores de leite e queijo do Estado rendeu ao município de Autazes, a 112 quilômetros de Manaus, o status de "Autazes, a terra do leite". A produção agropecuária baseia-se na criação de gado leiteiro, que projeta também uma grande produção de queijo coalho, queijo manteiga e leite.

Para o empresário Odemar da Silva Souza, que atua há 10 anos no mercado de leite, a produção do município vive um momento de desenvolvimento e expectativas positivas para o futuro. "Em Autazes em construção com outro laticínio. O mercado está bom, vendemos todos nossos produtos para supermercados, pizzaria, casa de eventos, hotéis e churrascaria e no comércio em geral no Amazonas", disse.

Dono da empresa Laticínio Autalac, onde emprega 25 famílias, e atende uma boa parte do mercado, o empresário projeta escoar seus produtos para outros Estados com o objetivo de comercializar a marca e difundir a qualidade leiteira produzida no município, e destaca as dificuldade logísticas encontradas.

"Vivemos um período muito bom da produção leiteira na cidade. Temos muita aceitação no mercado, e temos planos de expandir a atuação para outros Estados como Roraima. Mas, infelizmente as dificuldades logísticas ainda nos atrapalha, pois o transporte só é possível via fluvial o que encarece o produto e nos prejudica", disse.

Segundo o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, a produção ainda não é autossuficiente para atender todo o Amazonas, e que apesar do desenvolvimento do setor, explicou que o problema de logística e a concorrência com produtos que são comercializados sem o acompanhamento necessário ainda são o grande desafio do setor. "Já de algum tempo é realidade por exemplo a presença dos queijos e iogurtes de laticínios amazonenses nos supermercados de Manaus e até mesmo na merenda escolar das crianças da rede pública de ensino. Mas, fatores como dificuldades, carência de infraestrutura, concorrência com produtos sem inspeção, dificuldade logística e escala de produção são gargalos que impactam um maior crescimento do segmento", disse.

Em busca de melhoria

Há seis anos, a Faea e o Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas do Amazonas) promovem Missões ao Evento Megaleite, que é o maior evento da pecuária leiteira do Brasil, que aconteceu entre os dias 20 a 23 de junho, no Parque de Exposições Agropecuárias da Gameleira, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Neste ano participaram 43 pecuaristas de nove municípios amazonenses (Apuí, Iranduba, Autazes, Presidente Figueiredo, Parintins, Manacapuru, Boca do Acre, Manicoré e Apuí).

Segundo Lourenço, nos últimos anos produtores amazonenses têm investido em avançadas técnicas de biotecnologia, como inseminação artificial e fertilização in vitro, com o objetivo de buscar melhorias de produtividade, eficiência e melhoramento genético do rebanho. "Essas missões têm promovido grandes avanços na atividade no Estado, a partir de intercâmbio técnico, acesso às principais inovações tecnológicas e realização de bons negócios", frisou.


Saiba Mais

Segundo dados trimestral do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária foi de 6,10 bilhões de litros, o melhor resultado para um primeiro trimestre desde 2016. Apesar da redução de 6,9% em comparação ao volume registrado no trimestre imediatamente anterior, o valor é 4,1% maior que o alcançado no primeiro trimestre de 2017.

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