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Negociações serão mais difíceis em 2018

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
12 Jun 2018, 19h52

Crédito:Walter Mendes
Após dois anos marcados por grave recessão econômica, as negociações salariais em 2017 enfim resultaram em ganhos reais segundo o balanço apresentado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) na terça-feira (12). Ainda assim, a região Norte apresentou a maior proporção de reajustes inferiores ao INPC-IBGE (Índice Nacional de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com 24% dos reajustes nessa posição, acima do Centro-oeste (10,4%), Sudeste (10%), Nordeste (5,8%) e Sul (2,3%).

O balanço mostra que apesar de alguns bons números, como o de 65% de reajustes acima do INPC/IBGE para a região Norte, o desempenho das negociações salariais ainda está distante daquele observado entre 2006 e 2014, explica o economista e supervisor técnico do DIEESE no Amazonas, Inaldo Seixas.

"O recorte da pesquisa nos mostra que houve sim um crescimento de reajustes com ganhos reais, apesar de mais trabalhadores se encontrarem com salários reajustados abaixo da média. O que podemos afirmar é que muito é causado pela maior participação dos sindicatos nas negociações coletivas", comentou o economista.

2018 será mais duro

"Em 2017 houve mais habilidade dos sindicatos de trabalhadores na hora de encarar os patronais, com isso houve um aumento de reajustes superiores ou iguais a inflação. Já para 2018, observamos que as negociações serão mais duras. Desde o ano passado os patronais estão segurando negociações esperando pela reformas trabalhistas, colocando barreiras para barrar acordos", disse Seixas.

De acordo com o economista, o recrudescimento das barreiras para negociação pode gerar medidas extremas dos trabalhadores. "Para forçar suas conquistas, o trabalhador vai precisar lançar mão de greves, uma das poucas armas de negociação prevista por lei", afirma.

"As reformas tendem a trazer o retrocesso nas negociações", continua Seixas. "Agora os sindicatos só podem dar início a instauração do dissídio com a anuência do patronal. A saída é ir ao MPT (Ministério Público do Trabalho) e esperar a decisão judicial, enquanto isso, a greve sempre estará pairando", conclui.

Em suas considerações finais, o Dieese afirma que "Talvez o problema dos trabalhadores nos processos negociais não seja a reposição do valor real dos salários, que - dadas as baixas taxas inflacionárias - não deve enfrentar resistências do empresariado. As dificuldades devem surgir no âmbito das negociações das cláusulas sociais, onde se concentra agora a ofensiva patronal pela flexibilização dos direitos trabalhistas."

Ganhos reais

Os ganhos reais foram detectados em 63% de 643 unidades de negociação de trabalhadores na indústria, comércio e serviços - tanto no setor privado, como em empresas estatais -, em todo o território nacional. Mais da metade dos reajustes superiores à inflação (216 em 407) registraram ganhos de até 0,5%, e quase 80% (319 em 407), de até 1%.

O atual balanço não expressa as subjetividades das regiões mas apresenta similaridades com o balanço amazonense do primeiro semestre de 2017, quando apenas 11,1% dos trabalhadores conquistaram aumentos reais e 33,3% tiveram apenas reajustes iguais à inflação. Na maioria dos casos, as negociações ficaram na faixa de até 1% abaixo da inflação.

Por setor

Dentre os setores considerados no estudo, a Indústria é o que apresentou desempenho menos favorável em 2017. Cerca de 58% dos reajustes salariais negociados no setor, frente a 63% dos firmados no Comércio e a 70% dos estabelecidos nos Serviços, resultaram em ganhos reais acima do INPC-IBGE. A maior parte - cerca de 66% destes (116 em 175) - correspondeu a valores equivalentes a até 0,5% acima do índice inflacionário. Nos outros setores, a incidência de reajustes nessa faixa de ganho real, embora também significativa, não foi tão expressiva.

Ademais, cerca de 10% das negociações da Indústria, frente a 2% do Comércio e a 9% dos Serviços, tiveram reajustes inferiores à inflação. Sobre os reajustes iguais ao INPC-IBGE, as proporções são: 32% na Indústria, 35% no Comércio e 21% nos Serviços.

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