Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Momento difícil para as exportações

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
11 Jun 2018, 19h51

Crédito:Walter Mendes
A Balança Comercial do Amazonas - saldo entre exportações e importações, computava em maio -U$ 662.711.303 milhões, uma melhora em relação a abril (-US$ 801.036.555 milhões) mas que pode sofrer quedas nos meses seguintes com a guerra comercial promovida pelo governo Trump, que já afeta as relações comerciais com a China, país que juntamente com os EUA, é o maior parceiro comercial do Brasil e do Amazonas nas exportações dos insumos pelo Estado, principalmente para o polo eletroeletrônico. O decreto presidencial que reduziu de 20% para 4% o IPI dos concentrados para bebidas não-alcoólicas também é lembrado como fator de impedimento para as exportações dos produtos do PIM (Polo Industrial de Manaus).

Apesar de encarada como guerra de discursos retóricos e efeitos distantes por alguns especialistas em mercado exterior, os riscos para a ZFM (Zona Franca de Manaus) existem. Ao sobretaxar o aço e o alumínio, eleva-se o custo da produção em polos como o de duas rodas e eletroeletrônicos, o que desestabilizaria a balança comercial do Amazonas.

Sufocando o mercado

O risco é maior justamente quando se percebe um aumento das exportações, diz o gerente do CIN-AM Marcelo Lima. "O risco de desestabilização da balança existe quando lembramos que os produtos deverão ser reajustados para acompanhar o mercado, o que vai inibir a realização de negócios e a introdução de produtos do PIM no mercado internacional", conta. A balança comercial brasileira de maio, segundo o MDIC (Ministério da Indústria e Comércio Exterior) já havia registrado quedas nas vendas de manufaturados e semimanufaturados (-17,3% e -9,5%, respectivamente). "Quando parece que vamos recobrar o fôlego, inibe-se a chegada de novos investidores e traz-se a insegurança para os já instalados, sufocando o mercado", disse.

A recente redução do IPI para concentrados de bebidas não-alcoólicas produzidos no PIM também é considerada como outro grande baque para as exportações amazonenses, já que o segmento de concentrados de bebidas não-alcóolicas em Manaus em 2017 foi responsáveis por R$ 8,7 bilhões do faturamento do PIM, ou 92,96% do faturado pela atividade de Alimentos e Bebidas.

"O protecionismo dos EUA sempre foi danoso para as relações comerciais e justamente quando a ZFM vislumbra um cenário mais estável, vem essa guerra comercial que ainda junta-se a greve dos caminhoneiros, a redução do IPI para nosso maior setor exportador, a constante elevação cambial e a insegurança do investidor quanto ao futuro presidente", Lima lembra ainda de que isso pode afetar também a competitividade no mercado interno.

"Pede-se agora maior empenho da bancada amazonense, não para as questões dos commodities do aço, que estão em uma esfera macro, longe de nosso alcance, mas pelo menos para viabilizar a manutenção do polo de concentrados", finalizou Lima.

Favorecimento do mercado interno

Se há algum risco para as exportações, o mercado interno tende a se favorecer com a questão, explica o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas) Francisco Mourão Júnior. "Vai haver maior oferta do aço nacional para as indústrias nacionais e a preços mais em conta por conta da demanda. Alguns setores tendem a se beneficiar disso, é uma lei de mercado", frisa.

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