Manaus, 18 de Setembro de 2018
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"Eu não vou fugir ao desafio"

Por: Caubi Cerquinho especial para o JC
11 Jun 2018, 14h52

Crédito:Divulgação
Em seu terceiro mandato como deputado estadual, David Almeida (PSB), tomou na quinta-feira (7), uma das mais importantes decisões da sua vida política partidária. Com pesquisas que comprovam uma reeleição tranquila e quem sabe até uma vitória para a Câmara Federal, o atual presidente da Assembleia Legislativa, resolveu se anunciar pré-candidato ao Governo do Estado nas próximas eleições. O lançamento da pré-candidatura foi na casa de David , no Morro da Liberdade. O JC estava na Coletiva e o repórter Caubi Cerquinho pinçou as principais perguntas e respostas.

Jornal do Commercio - Como foi a experiência de ser governador? E como será sua conduta nessa campanha?
David Almeida - Numa quinta-feira fui surpreendido com a notícia de eu iria assumir o governo do Estado, apenas com a data de entrada, mas, sem saber quando deixaria o Governo. Passado o momento de surpresa e ao mesmo tempo de susto, decidi que independente do tempo, uma semana ou um mês, eu daria o meu melhor e assim o fiz. Peguei o Estado com um deficit orçamentário de R$ 698 milhões. Cento e quarenta e quatro dias depois deixei o Governo com R$ 456 milhões de superavit. Naquele época tinha 136 mil na espera de um exame ou de uma cirurgia. Nós implantamos um programa chamado "Fila Zero" e diversos desses procedimentos foram zerados, tiramos milhares de pessoas dessas filas. Apesar do momento de crise em que assumimos o Estado, conseguimos pagar o maior abono da história da Educação nesse Estado, asfaltamos mais de 400 quilômetros de estradas e vicinais, fizemos a maior promoção da Polícia Militar e dos Bombeiros, assim como pagamos o escalonamento da Polícia Civil. Para tudo isso, implementamos um ritmo muito forte e acelerado de trabalho e o resultado foi que conseguimos tirar o Estado da crise em que se encontrava e será dessa forma que iremos focar nossa conduta, nossa trajetória rumo às eleições do dia 7 de outubro.

JC - Além do PSB , quais os outros partidos que lhe apoiam? O vice poderá vir do PT?
David - Quatro bons partidos, bons aliados. Com relação ao vice, nós ainda estamos conversando, estamos caminhando por etapas. Estou anunciando apenas minha pré-candidatura e as composições virão com o decorrer do tempo, nessas conversas e entendimentos e do diálogo que estamos tendo com os demais partidos aliados.

JC - Com relação à Rebecca Garcia. Tinha algum acordo com ela?
David - Realmente nós temos um acordo, inclusive o presidente nacional do meu partido veio para minha filiação e queria anunciar minha candidatura. Eu ponderei por causa do acordo que eu tinha com a Rebecca e não queria quebrar. Ficou acertado de que caminharíamos juntos e no mês de maio faríamos uma pesquisa e quem estivesse melhor colocado, seria o candidato. Um acompanharia o outro. Acontece que, nesse período, o partido da Rebecca se aproximou do governador Amazonino Mendes e, com essa aproximação, tornou-se inviável, impossível nós estarmos juntos, em função de quebra de confiança. Com a filiação dos Lins, Átila e Belão e com a posição nacional do PP, acredito que ela não tem mais força de decidir se pode ou não seguir conosco. Eu cumpri o acordo e minha palavra. Se ela ainda pensa como na eleição passada, espero que ela decida marchar novamente ao meu lado, seguindo o acordo.

JC - O abandono do interior sempre aparece nas campanhas e os municípios continuam abandonados. O que o senhor pensa sobre isso?
David - Essa é uma eleição de sentimentos. É uma eleição das pessoas contra o dinheiro, das propostas contra a estrutura. Mais de um milhão de amazonenses estão esperando propostas. Na eleição recente em Tocantins, 50% do eleitorado não compareceu. Este ano, eu já estive em 45 municípios. A oposição nunca esteve tão longe. Nunca vi uma oportunidade tão grande para a oposição derrotar o governador e a máquina pública. Estive no interior e comprovei a necessidade. Enquanto fui governador asfaltei diversos ramais e vicinais e o produtor teve condições de escoar a produção. Liberei a licença para que um empresário plantasse soja, no Sul o Amazonas, mais precisamente em Humaitá. Os campos de Humaitá produzem mais soja por hectare do que os de Mato Grosso. Esses são apenas alguns exemplos de ações que fiz e o mais importante é dizer que se pode fazer muito mais. Para isso é necessário vontade política e disposição para o trabalho. Foi assim que livramos o Estado da febre aftosa e duplicamos 17 quilômetros da Estrada AM-070 que liga Manaus a Manacapuru. Todos os governos anteriores duplicaram muito menos. É assim que pretendo encarar os desafios de transformar o interior do Amazonas em um lugar melhor para se viver. O Ribeirinho, esse guerreiro sofredor pode voltar ter esperança de dias melhores para si e para sua família.

JC - Na área de saúde o que o povo pode esperar, se caso senhor for eleito?
David - Com relação à Saúde, nós temos recursos nos caixa do Estado direcionados à diversas áreas. O que precisa é o administrador público dar a importância devida, às pessoas que vivem nas filas, que vivem nos postos de saúde atrás de remédio, quando não tem. Eu não posso me conformar quando falta luvas nos hospitais, faltando dipirona, faltando os remédios mais básicos nas farmácias dos hospitais do interior, enquanto o Governo atual gasta R$ 5 milhões com um contrato de consultoria na área de Segurança. Eu não posso admitir isso. Existe uma falta de prioridade muito grande e isso é o que faz acumular os problemas na área de Saúde. Se nós dermos prioridade em cuidarmos das pessoas, em fazermos o bom atendimento. Eu não sabia que cumprir a Lei em nosso Estado ia fazer tanta gente feliz, eu não sabia que cumprir a Lei iria dar às pessoas a esperança de viver num Estado melhor. Se nós cumprirmos a Lei e, fizermos o que promete o administrador público em seu juramento que é o de cuidar bem das pessoas e administrar bem o dinheiro público teremos recursos para atender todas as áreas.

JC - E na Segurança, o que fazer?
David - Com R$ 5 milhões nós compraríamos 4.400 mil coletes à prova de bala, já teríamos resolvido o problema dos coletes dos policiais que estão vencidos. Nós reformaríamos várias delegacias que estão sucateadas e melhoraríamos a estrutura de segurança no interior, além da aquisição de vários equipamentos. Segurança Pública se faz com o aumento do efetivo, concurso público e investimento na inteligência e na perícia técnica. Os melhores especialistas sobre Segurança estão no dentro do Amazonas , não preciso que ninguém de fora venha me dizer o que fazer. Segurança é efetivo, equipamento e inteligência.

JC - Em dezembro do ano passado o senhor viajou na BR-319. Qual sua opinião sobre essa estrada?
David - Assim como muita gente, eu acreditava que não era possível asfaltar totalmente essa estrada. A estrada já existe, é transitável no verão. Nós viajamos, andando a 100, 120 km por hora. Eu não vejo nenhuma diferença em andar no barro ou no asfalto. O que precisamos é unir todas as forças em torno desse objetivo que é a pavimentação total da BR-319. Será o fim do isolamento por meio rodoviário do Amazonas com o resto do Brasil. Quando estivemos lá derrubamos diverso mitos e paradigmas. Não é preciso derrubar uma árvore. Não encontramos ao longo da estrada nenhum animal morto. Nenhum foco de desmatamento ou invasão. É preciso unir as bancadas federais de outros Estados. Temos que tornar o assunto uma prioridade e assim conseguir esse asfaltamento tão desejado pelas populações que vivem ao longo dessa rodovia.

JC - Deputado, o senhor está apostando na força das mídias sociais?
David - Por quase 5 meses fui governador desse Estado. Gastei com Comunicação, pouco mais de R$ 2 milhões. O governo atual gasta em torno de R$ 7 milhões. Eu me tornei conhecido nas redes sociais. Aonde eu vou as pessoas acessam minha rede social. Eu acredito que em função dessa mudança de paradigma eu não preciso mais de cartaz ou banner, pois toda população tem um celular. Estou conectado com todo o Amazonas e todo dia estou na mão das pessoas e essa diferenças que nós vamos fazer.

JC - Os números apontam que o senhor seria reeleito deputado estadual, ou mesmo federal. Por que arriscar para o Governo?

David - É verdade que as pesquisas apontam esses números. Acontece que o meu eleitor só quer votar em mim se for para governador. E eu não vou fugir ao desafio de colocar meu nome à disposição com aval do PSB para dar oportunidade ao povo do Amazonas ter um governo diferente de tudo aquilo que nós estamos acostumados há mais de 30 anos. O Amazonas quer mudança e eu acredito que posso dar a minha contribuição nesse processo.

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