Manaus, 24 de Setembro de 2018
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Reajustes a reboque do frete

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
08 Jun 2018, 19h58

Crédito:César Pinheiro
A fixação de uma tabela de frete foi uma das exigências dos caminhoneiros para que a maior greve da categoria no país chegasse ao fim. Na quinta-feira (8) outras categorias mostraram preocupação com os acordos, já que similar ao que aconteceu com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos concentrados de bebidas não alcoólicas do PIM (Polo Industrial de Manaus), para compensar perdas de uma categoria, outra seria penalizada. Com isso, os preços da tabela foram reduzidos em 20%, o que gerou reclamações dos caminhoneiros. A reclamação foi tanta, que na tarde de sexta-feira (8) os valores voltaram aos estipulados na primeira tabela.

A adoção da tabela com preços mínimos para o transporte de cargas foi criticada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que na semana passada avaliava entrar com possíveis medidas judiciais e administrativas contra a política de preços para o frete. Pelas estimativas da entidade, o setor de alimentação será o mais afetado, incluindo arroz, aves e suínos com percentuais de reajuste superando 60% nos fretes, que deverão ser repassados para os consumidores.

Eletroeletrônicos estudam reajustes

A Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), entidade de classe que reúne as maiores indústrias de eletroeletrônicos de consumo do País, afirma que a nova política de preços do frete tem o intuito de compensar o impacto econômico sobre uma categoria de profissionais, mas acabou por gerar fatores negativos em muitos setores da economia e criou distorções e impactos devastadores no setor de produtos eletroeletrônicos.

"Estamos preocupados com o enorme impacto negativo decorrente da tabela de preço mínimo do frete rodoviário. Tal impacto está paralisando as operações das empresas dado a inviabilidade de implantação de tal medida", disse o presidente da entidade José Jorge Júnior na quinta-feira.

A Eletros conta com 30 empresas associadas, 45 fábricas, em 27 cidades de 11 Estados, que geram mais de 115.000 empregos e representam 3,3% do PIB Industrial do Brasil, já acena para um possível reajuste de preços dos produtos como forma de reequilibrar os negócios, afirma José Jorge Júnior. "No momento em que estamos retomando o crescimento econômico, com produção industrial e mercado consumidor em aquecimento e o aumento da geração de emprego, é inaceitável que uma variável importante na composição dos custos dos produtos tenha um aumento, em alguns casos, de mais de 150%. Os impactos são imensos e um reajuste s é quase que inevitável", comenta.

Acredita-se que esse aumento pode ocorrer na ordem de 10% a 20% para os produtos eletroeletrônicos e justamente em um momento em que o Real sofre uma forte desvalorização, impactando ainda mais nos custos de produção. "É imperioso que haja uma solução imediata ao problema resguardando a segurança jurídica e estabilidade necessárias ao ambiente social e econômico do País, evitando prejuízos ainda maiores à sociedade, com a manutenção dos empregos gerados não só por este segmento, mas por todo o sistema", encerrou José Jorge Júnior.

Nota da ANTT

"A Agência Nacional de Transportes Terrestres informa que os efeitos da Resolução nº 5821/2018, divulgada na noite de ontem (7/6), estão suspensos.

Na manhã de hoje (8/6), a ANTT se reúne com entidades representativas do setor de cargas para rediscutir a tabela de preços mínimos de frete. O encontro é puramente técnico e não produzirá efeitos imediatos.

As questões técnicas da tabela continuarão em discussão na Agência e com o setor, a fim de chegar a uma solução que harmonize os interesses de produtores, transportadores e sociedade".

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