Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Guaraná afetado por decreto anti-ZFM

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
06 Jun 2018, 13h46

Crédito:Walter Mendes
A decisão do governo Temer em reduzir de 20% para 4%, a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a indústria de concentrados de refrigerantes da ZFM (Zona Franca de Manaus), esfriou os ânimos do setor de guaraná em Maués. Após a recente vitória de concessão do selo do IG (Indicação Geográfica), concedido pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) ao produto do município, representantes do setor alertam sobre possíveis entraves que medida pode trazer na produção do produto.

Para o gerente executivo do CIN-AM (Centro Internacional de Negócios do Amazonas), Marcelo Lima, apesar do reconhecimento de boa procedência do guaraná, a medida provisória do governo federal publicada no último dia (30), pelo decreto presidencial 9.394, pode assustar investidores e prejudicar produtores de abrir novos nichos de mercado.

"Para balança comercial internacional e nacional a curto prazo não representa nada, tudo vai depender das empresas. E com essa decisão do governo que queria aliviar o impacto do diesel reduzindo o IPI da indústria de concentrados, pode tornar o guaraná um produto não competitivo para o mercado, e consequentemente afetar a produção no município de Maués impedindo novos investimentos", disse.
Lima destacou, que no momento, o guaraná de Maués só abastece o mercado nacional, devido as empresas não estarem dispostas a exportar o concentrado. E explicou, que apesar da decisão equivocada do governo de fazer outro setor da economia pagar o prejuízo dos altos preços do diesel, a expansão de consumo de refrigerantes tem motivado o setor a produzir cada vez mais, gerando emprego e renda para o Estado. "No momento apenas uma pouca quantidade de guaraná em pó é exportada para a Ásia. Mas, com o aumento do consumo de refrigerantes, o produto passa a ter um incentivo a mais para produzir, e sua venda garante mais emprego e renda para o município. Se houver o aumento das áreas plantadas surge a necessidade de adquirir mais mão de obra", ressaltou.

Adequação dos produtores

Outra preocupação do setor é quanto a preparação dos produtores da região para se adequar aos requisitos do selo. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Guaraná de Maués, Vivaldo Pereira Corrêa, dos 150 produtores do município, apenas 10 possuem equipamento e estruturas para cumprir os requisitos básico do selo. "No momento todos os produtores estão em processo de readequação às normas do selo de indicação geográfica. As pessoas precisam se regulamentar para ser beneficiada pelo selo e ser um produtor de qualidade. Estamos fazendo palestras para orientar os produtores para que eles saibam aproveitar o benefício. O Sebrae-AM e a prefeitura estão ajudando nesse processo fazendo cursos de capacitação", afirmou.

O Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas do Amazonas) investiu cerca de R$ 500 mil em recursos para a estruturação e atividades voltadas a IG do Guaraná da cidade, como forma de investir como ferramenta inteligente de valorização de mercados para o pequeno negócio. Segundo a analista técnica do Sebrae-AM, Luane Maria Ribeiro Pedreno, houve todo um processo de estudo no Amazonas, de quais produtos poderiam adquirir o selo de IG. E destacou, que a concessão do reconhecimento vai agregar valor ao produto possibilitando aos produtores estabelecer um diferencial entre os concorrentes, para alavancar o setor no Estado.

"A importância do selo é incalculável para o município de Maués porque atualmente ele ficou muito desvalorizado. O pequeno produtor sofre muito com os preços baixos do guaraná. O objetivo é colocar em prática os requisitos do selo e agregar valor ao produto com mais qualidade. Porque o guaraná que você encontra em Maués não é encontrado e nenhum lugar do mundo. Por isso conseguimos provar por meio de estudos científicos e análises, que o guaraná de Maués é de fato diferenciado", disse.

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