Manaus, 12 de Novembro de 2018
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Indústrias buscam valorização ambiental

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
05 Jun 2018, 14h14

Crédito:Divulgação
O esforço das empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) em contribuir na preservação do meio ambiente tem se mostrado cada vez mais importante, mas, para especialistas ambientais, as atividades e projetos não têm sido efetivas para deixar legado de sustentabilidade e conscientização nas comunidades.

De acordo com as diretrizes do ISO 14000, toda empresa precisa cumprir um requisito de um sistema de gestão ambiental, e desenvolver uma estrutura para a proteção do ecossistema em seu meio social. Segundo a assessora ambiental Elisa Muller, muitas empresas ainda estão longe de abranger um projeto social e ambiental dentro do seu contexto de indústria, e destacou que a maioria dos projetos e atividades elaboradas por elas, apenas preenchem o requisito básico das normas estabelecidas pela lei.

"O envolvimento ambiental das empresas ainda é pouco. O socioambiental no todo não está sendo visto. As ações sociais não tem tido resultado para cidadania criar legados de conscientização das pessoas. A indústria precisa parar de fazer programinha do Dia da Água ou do Meio Ambiente e produzir projeto sustentável onde a comunidade consiga fonte de renda para manter a fauna e flora preservada", disse.

Muller explica, que não basta desenvolver projetos apenas em um certo período, e não criar uma estrutura para que o mesmo tenha uma continuidade ao longo do ano. É preciso que as empresas criem mecanismos para acompanhar e criar frutos de desenvolvimento sustentável para as comunidades ao seu redor.

"Apesar do esforço de cumprir seu papel ambiental, muitas delas ainda focam muito em fazer apenas no contexto de um Dia do Meio Ambiente por exemplo, e esquecem do resto do ano. E a intenção das leis é sair desse contexto de fazer uma ação de uma vez por ano, ou seja, tem que ser contínua para que ação seja um hábito no dia a dia das pessoas. Perdemos o hábito de preservar e adquirimos o hábito de destruir, e as empresas têm a obrigatoriedade de manter isso pelo seu papel social", ressaltou.

Muller destacou, a importância da população ser mais participativa no processo de cobrança nas empresas, para que elas criem mecanismos dentro de um raio de 5 km em seu entorno, para levar projeto sociais e ambientais desenvolvidos de forma sustentável. "A população precisa estar ciente do que está acontecendo, no Brasil as leis ambientais são muito superficiais. A população tem que ser mais participativa e cobrar isso. A empresa nunca vai fazer além do que ela precisa fazer, infelizmente nosso país ainda é retrógrado de não pensar no todo. A empresas precisam acompanhar seus projetos nas comunidades. Ou pagar alguém para que o projeto tenha andamento", disse.

Apesar da pouca efetividade, a assessora ambiental explica que já nota-se alguma mudança de comportamento das empresas para serem mais atuantes em relação a sua responsabilidade ambiental. "Apesar disso há alguma evolução. Trabalho em Manaus há 16 anos, e na área de limpeza por exemplo, vejo que a lei está sendo cumprida, e isso é bom", ressaltou.

De acordo com o superintendente- geral da FAS (Fundação Amazonas Sustentável), Virgílio Viana, uma das maiores falhas dos projetos das empresas do Parque Industrial de Manaus, é o envolvimento mais direto com a causa da conservação da amazônia, e reforçou que apesar desse fator, tem havido uma melhora nas ações industriais para a preservação.

"Eu observo uma melhora qualitativa e significativa e acho que cada vez mais é um assunto que está no compromisso, nas agendas das empresas. Mas ainda há muito a ser feito. Principalmente, devido aos incentivos que as empresas recebem que é preciso ter um retorno para a sociedade, não apenas na geração de emprego. Mas, é preciso que façam mais, esforçando-se para preservar a natureza, criando ferramentas sustentáveis", disse.

Empresas atuantes

Muitas empresas do PIM, tem sumprido seu papel em relação ao meio ambiente. Entre elas, a Coca-Cola Brasil está presente no Amazonas há 28 anos, por meio da atuação dos fabricantes Recofarma e Grupo Simões. A empresa, é responsável por uma cadeia de valor que apoia cerca de 11 mil famílias no Amazonas, entre funcionários, fornecedores de matérias-primas e prestadores de serviços.

A empresa apoia o programa bolsa-floresta da FAS, e nos últimos anos tem ajudado as cooperativas e associações no interior do Amazonas, contribuindo para melhorar a logística, a segurança do trabalho e incentivando boas práticas de manejo sustentável. O resultado é que a agricultura familiar de 12 municípios amazonenses é responsável por metade do fornecimento de guaraná para a produção da companhia.

Olhos da floresta

Em parceria com a ONG Imaflora, a Coca-Cola Brasil desenvolve o projeto Olhos da Floresta, em Presidente Figueiredo (AM). Desde junho de 2016, o programa incentiva a agricultura familiar e a cadeia do guaraná no Amazonas, trazendo oportunidades de inclusão social, geração de renda e uso racional dos recursos naturais. Entre as iniciativas, o programa dá aos agricultores familiares apoio técnico para adotar os SAFs (Sistemas Agroflorestais), modelo alternativo de produção que combina culturas agrícolas e espécies florestais em um mesmo espaço, o que transforma áreas degradadas em férteis.

Segundo a gerente de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, Flávia Neves, até 2020, serão beneficiadas 350 famílias amazonenses que produzem o guaraná comprado pela Coca-Cola Brasil. "Para a Coca-Cola Brasil, o guaraná é matéria-prima regional essencial para o negócio. Uma cadeia produtiva forte do guaraná, que fortaleça a agricultura familiar promovendo a inclusão social com o uso sustentável dos recursos naturais, responde não apenas aos desafios relacionados à cadeia de fornecedores, mas também é uma condição para o desenvolvimento do interior do Estado do Amazonas", destacou.

Estão sendo desenvolvidas ainda ações, em parceria com o Imaflora, de estímulo a formas de organização social, construção dos referenciais técnicos para agricultura familiar e guaraná em oficinas e workshops, práticas de manejo agroecológico e estímulo à preservação da biodiversidade, além da atuação para o desenvolvimento de uma cadeia de preço justo e transparente.

Água + acesso

Outra ação da Coca-Cola Brasil em parceria com a FAS, é o projeto Água+ Acesso, que tem implementado soluções inovadoras e autossustentáveis para o acesso e tratamento de água em comunidades de baixa renda no país. No Norte e no Nordeste, os projetos já estão beneficiando diretamente mais de 4 mil pessoas. No Amazonas, comunidades ribeirinhas do Estado já foram impactadas por iniciativas realizadas em parceria com a FAS. Essa iniciativa soma e combina conhecimentos para implantar e disseminar modelos autossustentáveis com amplo potencial de escala para comunidades de todo o Brasil. "A água é o recurso mais precioso para a vida humana, assim como para o negócio da Coca-Cola Brasil. Por isso, para além de ampliar ações relacionadas à eficiência em fábricas, conservação e reposição de bacias, estamos fortemente engajados em mobilizar colaboradores, parceiros e a sociedade para ampliar o acesso e tratamento à água de forma segura e sustentável para comunidades rurais e urbanas de todo o Brasil", afirma Andréa Mota, diretora de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil.

Na comunidade Tatulândia, localizada dentro da RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Tupé, por exemplo, foi criado um novo sistema de perfuração de poços e torneiras. Outra comunidade beneficiada é a do Solimoeszinho, localizada dentro da RDS Puranga da Conquista.

Honda

Outra empresa que vem desenvolvendo projetos para o meio ambiente, é a Moto Honda da Amazônia, que desde 2003, colhe as safras do Projeto Agrícola, localizado no município de Rio Preto da Eva. Em um terreno de 1002,63 hectares, a empresa visa o plantio de árvores frutíferas e de espécies ameaçadas de extinção, como mogno, pau-rosa, copaíba e andiroba. Neste programa, a empresa investe em benfeitorias e no cultivo de mais de 20 mil mudas, boa parte delas frutíferas, como coco, pupunha, acerola, limão, mamão e banana. O projeto também realiza o cultivo de alface hidropônica e todos esses alimentos abastecem os restaurantes da fábrica e entidades que cuidam de crianças e idosos carentes. Cerca de 80% da área, o equivalente a 802,38 hectares, é mantida como reserva legal.

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