Manaus, 26 de Setembro de 2018
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Segunda-feira de confusão e quebra-quebra no T4

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
04 Jun 2018, 19h43

Crédito:César Pinheiro
Mais uma vez os rodoviários tomaram conta do noticiário matutino de Manaus ao paralisarem os ônibus no T4 (Terminal 4), na zona Leste da cidade, provocando um tumulto como até então não havia ocorrido nesses sete dias de greve da categoria. Cerca de 60 ônibus foram depredados, tendo vidros estilhaçados e lataria amassada resultado das pedradas atiradas pela população revoltada que teve de sair dos veículos que deixaram de rodar assim que chegaram ao terminal de integração. Grades do terminal também foram destruídas. Vários revoltosos tentaram virar um dos ônibus da linha 014.

Segundo o Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas), os ônibus até que saíram das garagens para as suas viagens normais mas, chegando ao T4 os condutores resolveram parar, fazendo com que quem estava indo ao trabalho ou tratar de alguma outra situação perdesse a paciência. Ainda de acordo com o Sinetram, após as confusões no T4, outros motoristas nos terminais do conjunto Augusto Montenegro, Bairro da Paz, Vila Marinho e Petrópolis, resolveram não circular temendo a revolta popular. O sindicato também informou que até às 6h30, 844 ônibus haviam saído das garagens, o que corresponderia a 70% da frota de ônibus de Manaus.

A paralisação dos ônibus no T4 começou por volta das 7h30 e a revolta dos passageiros logo teve início, com depredações ocorrendo em vários veículos ao mesmo tempo, inclusive com a tentativa de incendiar um deles próximo à Bola do Produtor. O vandalismo só cessou quando a Polícia de Choque chegou, cerca de meia hora depois, mas o caos estava instalado. Algumas pessoas, mais exaltadas, atiraram pedras na direção dos policiais, que reagiram lançando gás de pimenta nas suas direções.

Enquanto isso, no terminal, circulava a informação de que lideranças do Sindicato do Rodoviários haviam mandado os ônibus pararem dentro do T4. A empresa Eucatur, que atende às zonas Norte e Leste, imediatamente recolheu todos os seus ônibus para a garagem, próximo à Bola do Produtor.

Nas imediações da Bola do Produtor até o T4 as ruas ficaram tomadas de gente, enquanto policiais da 27ª e 6ª Cicom (Companhias Interativas Comunitárias) interditaram algumas ruas. Os vendedores que trabalham no interior no terminal, fecharam suas barracas e os poucos que as mantiveram abertas, do lado de fora, preferiram não dar entrevista.

A movimentação na Bola do Produtor fez com que lojistas e comerciantes da área fechassem as portas pela manhã, como explica Maria Virgínia Oliveira, há 25 anos na Feira do Produtor. "Por medida de segurança, resolvi deixar a banca fechada hoje, uma das poucas vezes em todos esses anos de atividades. Nunca se viu um movimento assim e muitos temiam que o comércio fosse saqueado", comentou.

Por volta das 10h um grupo de cerca de 100 pessoas, levando cartazes com frases 'Fora Arthur' e 'Fora Temer', mais um caixão simbolizando o Brasil, partiu do T4 rumo ao T5, descendo pela Grande Circular, acompanhados de perto pela Polícia de Choque. Na Feira do Mutirão os feirantes também não quiseram dar entrevistas ao Jornal do Commercio, limitando-se a dizer que o movimento na feira estava parado desde o começo da confusão e não estavam vendendo praticamente nada. Às 11h, bem antes de chegar ao T5, talvez pelo sol inclemente do horário, o protesto encerrou. Os manifestantes e a Polícia de Choque se dispersaram.


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