Manaus, 19 de Setembro de 2018
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População refém de grevistas

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
01 Jun 2018, 19h50

Crédito:César Pinheiro
Depois de passar o feriado de Corpus Christi, quinta-feira, 30, com uma paralisação de 100% dos ônibus coletivos, a população manauara que precisa desse tipo de transporte foi surpreendida na manhã de ontem com uma nova paralisação após os ônibus terem saído das garagens para seus trajetos normais. Desta feita sem aviso prévio, a paralisação começou às 7h30 e pegou os usuários no interior dos ônibus, principalmente indo para o trabalho. Os comentários era que a paralisação demoraria duas horas, mas nenhum dos motoristas consultados pelo Jornal do Commercio confirmou essa informação.

Luis Carlos, presidente da comunidade no Bairro da Paz circulou pelas várias paradas de ônibus existentes no bairro alertando às pessoas que os ônibus que estavam no ponto final das linhas que circulam pelo bairro (202, 203, 215 e 217) não iriam fazer viagens, pois os motoristas temiam que os mesmos fossem depredados.

Os ônibus que iam chegando ao Centro da cidade após às 7h30, iam parando atrás dos que já formavam fila na Leonardo Malcher, Constantino Nery, Epaminondas e parte do Boulevard. Na Leonardo Malcher, à medida que os ônibus foram parando, alguns motoristas saíam do seu veículo e faziam sinal para que os que vinham atrás também parassem.

No interior de um 430, Lailson Silva vinha do km 37 da AM 010 para o seu trabalho numa padaria no bairro de Flores quando o ônibus parou antes do T1. "Estou aqui desde as 7h, e já são 10h e não tem como eu chegar ao trabalho ou voltar pra casa. Ia pegar outro ônibus para chegar ao meu trabalho. Já avisei o meu patrão e ele disse pra eu esperar o ônibus voltar a andar", reclamou, resignado.

O casal Carlos Alberto e Rosineide Cruz também estava no mesmo ônibus, bastante revoltados, falando que a culpa da paralisação era do prefeito Artur Neto. Carlos ia fazer um exame médico e Rosineide ia para o trabalho. "Liguei para o meu patrão e ele falou que o jeito era esperar, por isso estamos aqui", falou.

Enquanto isso, na Epaminondas, um passageiro mais revoltado, do lado de fora do ônibus, atirou uma pedra estraçalhando uma das janelas do veículo, e foi embora.

O servente Daniel dos Santos, morador do Manôa, rumava para seu trabalho no Hotel Mônaco quando o ônibus em que vinha parou em frente à Fametro, pela Constantino Nery. "Todo mundo começou a sair e caminhar para o centro, e eu vim também. Levei quase uma hora pra chegar aqui", riu. Mas a cozinheira do mesmo hotel, que preferiu não se identificar, não tinha nenhum motivo para rir. Para não deixar os hóspedes sem o almoço, ela pagou um Uber para chegar ao trabalho no horário. "É uma vergonha passar por essas situações", lamentou.

Pouco depois das 10h30 os ônibus começaram a ligar seus motores e voltaram a andar pelas ruas do centro, mas enganou-se quem achou que ao menos 30% da frota continuaria a circular, como ocorreu na terça e na quarta-feira. Todos rumaram para as respectivas garagens deixando, mais uma vez, os manauaras a pé.

Segundo Givancir Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviários, "a decisão de parar a frota foi dos próprios motoristas".

Hoje já é o quarto dia de greve, que começou na terça-feira com 30% da frota rodando, conforme determina a legislação, o que continuou na quarta-feira. Na quinta-feira, porém, o Sindicato dos Rodoviários 'endureceu' e mandou que 100% da frota parasse, contrariando decisão judicial que estipulou R$ 100 mil de multa por hora se tal ocorresse, aumentada para R$ 200 mil e depois R$ 300 mil.

Na terça-feira o prefeito Artur Neto havia dado 24 horas para que o Sindicato dos Rodoviários e o Sinetran se entendessem e fizessem o transporte coletivo voltar à normalidade, mas não foi ouvido. Na manhã de ontem o major Robson Falcão, diretor de transporte da SMTU (Superintendência Municipal de Transportes Urbanos) falou que 249 ônibus alternativos, os 'amarelinhos' da zona leste, mais 259 executivos, haviam sido autorizados pela prefeitura a circular em todas as zonas da cidade para minimizar o transtorno dos usuários.

Ainda de acordo com Givancir, os rodoviários pedem um aumento de 3,5% nos seus salários, e até aceitaram baixar para R$ 3%, mas o Sinetran ofereceu apenas 1,5% e se mantém irredutível.

Representantes do sindicato dos Rodoviários rejeitaram na tarde de sexta-feira acordo com o Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram), durante audiência de conciliação na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT). Por conta disso, o serviço deve continuar restrito pelo menos até o sábado quando os trabalhadores deverão realizar nova assembleia.


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