Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Período de incertezas no comércio

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
30 Mai 2018, 19h41

Crédito:Walter Mendes
O comércio varejista de Manaus vive um cenário de perspectivas ruins, com quedas nas vendas e uma conjuntura econômica e política conturbada no país. Segundo entidades do setor, o varejo ainda se recupera do período do Dia das Mães que apresentou um baixo volume de vendas. Para do Dia dos Namorados, a expectativa é de pouco investimento por parte dos empresários.

Para o presidente da assembléia geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho, o clima de insegurança que tem sido gerado nos últimos dias com a possível falta de combustível, só foi um ingrediente a mais que foi adicionados na atual situação que o comércio varejista tem enfrentando.

"Imagina a situação do empresário que pensa em investir, e lembra do fracasso das vendas em datas importantes como o Dias das Mães neste ano, que foi uma lástima. Não tem como investir se você se sente inseguro quanto ao retorno. Não acredito que haja investimento de estoque enquanto existir toda essa instabilidade que o país vem enfrentando e principalmente o comércio, que não viu a taxa selic cair", disse.

Bicharra ressaltou, que já se enxerga no Centro e em alguns pontos da cidade, o reflexo que a crise política e econômica vem trazendo a todo o comércio varejista. E destacou que o processo já atingiu principalmente algumas lojas de grandes shoppings de Manaus, influenciando principalmente, o comportamento do consumidor, que a cada dia se ver impossibilitado de comprar. Segundo ele, a previsão é de um semestre muito difícil para o setor, essencialmente com a crise no preço dos combustíveis que tem afetado a população.

"Estamos muito receosos.Tem aparecido muitas lojas fechadas, com placas de alugueis e vendas. E até lojas de alguns shoppings estão fechando as portas. É uma realidade grande no Amazonas. Estamos enxergando um segundo semestres difícil com um governo fragilizado. Cada vez mais as pessoas estão consumindo menos. Hoje os brasileiros estão muitos endividados com o poder de compra baixo. Apesar das nossas vias de acesso serem através dos rios e não pelas estradas, mas, ainda assim o comércio sente com a queda das vendas", ressaltou.

De acordo com o economista Ailson Rezende, a greve dos caminhoneiros só mostrou a fragilidade do sistema econômico do Brasil e a elevada carga tributária cobrada de outros produtos que o consumidor paga. E ressaltou que o combustível serviu como porta de entrada para protestar contra os preços abusivos cobrados em outros produtos.

"A fragilidade da política e a falta de planos econômicos dos candidatos que estão se lançando na economia deixa o empresário inseguro. Ele não quer se lançar porque a economia está sendo afetada. Esse momento faz com que os empresário não tomem iniciativa. E essa insegurança também faz o consumidor enxergar e ver o quanto ele paga caro por outros produtos", explicou.

Rezende explicou, que todo setor econômico tem sentido os efeitos da insegurança causada pela crise dos combustíveis pelo fato de eles estarem interligado, e o comércio é apenas mais uma vítima que vem sofrendo com a falta de um plano econômico do governo. "Todo mundo está vendo essas questões e o Brasil parando. Na indústria por exemplo, já estão pensando em fazer as férias coletivas. Se tiver escassez de insumo, grandes empresas no polo de Manaus vão antecipar as férias O mercado funciona por demanda e oferta. É preciso ter um equilíbrio. O comércio vai senti a falta de entrega de produto, assim como as indústrias já estão sentindo a falta de entrega de insumos", disse.

Dono de uma loja de artigos de festas e acessórios de fantasias no centro da cidade, o empresário Márcio Coutinho, já sente o baixo movimento em sua loja. Ele conta que mesmo sendo o período de copa do mundo, a procura por produtos tem sido muito pouco, o que tem afetado a receita comprometendo até o pagamento de seus funcionário. "Época de copa do mundo é um dos períodos que eu mais vendo, esse ano está sendo um ano atípico. Nunca tinha visto uma procura tão baixa. Estou esperando a chegada de alguns produtos e existe o receio de eles não chegarem, espero que as vendas melhorem", disse.

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