Manaus, 16 de Novembro de 2018
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MPEs sofrem impactos da greve

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
29 Mai 2018, 19h17

Crédito:Walter Mendes
O prolongamento da greve dos caminhoneiros que entra em seu nono dia na quarta-feira (30) vem vitimando as MPEs (micros e pequenas empresas) no Amazonas. Negócios que dependem da movimentação nas estradas e vias para manterem estoques em dia e funcionários em seus postos, já temem que a greve se estenda por mais dias. O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas) afirma ser esse o setor mais impactado pela paralisação nas grandes cidades. A entidade listou como negócios que tendem a ser os mais prejudicados os postos de combustíveis, comércio de alimentos perecíveis, produção e comércio de produtos hortifrutigranjeiros, transporte de pessoas e de cargas e alguns segmentos da indústria.

O Sebrae aponta que o impacto da greve de caminhoneiros tende a ser maior nas MPEs localizadas em cidades com mais de 100 mil habitantes. O que representa 30% dos 11,5 milhões de negócios optantes do regime do Simples Nacional. Há uma prática de se trabalhar com poucos estoques nas atividades econômicas realizadas nas grandes cidades, ao passo que nas cidades menores, é comum trabalhar com estoques um pouco maiores. Hoje, as MPE representam 98% das empresas do país, geram 52% da massa salarial e são responsáveis pela maioria da geração de emprego.

Para o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, não há muito a ser feito. "O empreendedor tem de ter paciência. Não adianta brigar com o posto de gasolina. Ele é a ponta do iceberg. Quem é o verdadeiro causador está escondido, olhando todo esse imbróglio 'pela fresta'", garante. Afif também defende que a sociedade como um todo está sendo afetada. "O petróleo faz parte da estrutura de vida do brasileiro. Essa variação, em um mercado retraído, não deveria ser repassada ao povo. Em termos de renda, o cidadão brasileiro ainda está na UTI", comentou.

Alimentação

Comerciante varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, Wanda Nascimento já previa a alta de preços por conta da escassez. "Ainda na primeira semana sentimos a necessidade de estocar e comprar mais, antes que houvesse falta ou os preços fossem majorados, o que vem acontecendo com cebola, tomate e outros com pouca ou nenhuma produção local", disse.

Atacadistas estão aguardando a situação beirar o desespero para renovar estoques. Produtos continuam nos galpões esperando o fim dos estoques antigos e produtores rurais deixam de embarcar mercadoria, como explica um feirante que não quis ter o nome divulgado, "existe especulação. Ainda a semana passada muitos passaram a vender somente à vista, sem nem saber se a mercadoria seria entregue".

A precaução foi um dos trunfos para o microempresário de alimentos e gastronomia Fábio Gonçalves. "Quem esteve alerta correu atrás e estocou". Segundo ele, que expõe em feiras da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável) as terças-feiras no Sumaúma Park Shopping (zona Norte) e em outras áreas da cidade, a dificuldade de deslocamento de expositores e consumidores são alguns pontos negativos, já que na terça-feira (29) houve greve parcial dos motoristas do transporte público.

"Algumas áreas da cidade já sofrem com a falta de transporte e quando temos duas greves que mexem diretamente com esse setor, a crise é bem palpável. Muitos colegas de feira terão que apelar para serviços de transporte via aplicativos, o que é mais cômodo", afirmou Gonçalves.

Máquinas e equipamentos

Em levantamento divulgado na terça-feira a Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos) aponta que 92,7% das empresas do setor estão com suas operações, seja de produção ou de entrega, prejudicadas, por conta da greve dos caminhoneiros, o que já afeta algumas empresas revendedoras em Manaus, mas até agora não foram detectadas razões para redução de horários de funcionamento e de trabalho.

A Hidronox, fornecedora de equipamentos industriais na zona Centro-Sul, já avalia pedidos de clientes antes de fechar vendas, conta o comprador Alex Lima. "Temos pedidos presos nas estradas, o que nos faz consultar a transportadora antes de aceitarmos novas encomendas. Se houver como ser coletado e entregue pela transportadora, fechamos", disse.

"No caso de um pedido em grande quantidade, sentiremos dificuldades, como vemos notado desde o fim da semana passada, mas esse é um problema pontual. Ainda temos estoque o suficiente para não precisarmos fechar antes do horário normal ou afastar funcionários", contou Lima.

Repasse ao consumidor

Na segunda-feira (28), a Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes) afirmou que repassará a redução de valor do diesel ao consumidor. Segundo o presidente da entidade Paulo Soares, o setor de combustíveis assumiu com o governo federal este "compromisso" de repassar a redução, como forma de negociar o fim dos protestos dos caminhoneiros, que têm prejudicado o abastecimento em todo o país. "A redução vai chegar às bombas sim, assumimos esse compromisso e vamos trabalhar pra acontecer", declarou Soares.

Questionado sobre o desabastecimento de combustíveis causado pelos protestos, ele afirmou que nas regiões "Sul e Sudeste a situação é caótica". Ele comentou que todas as regiões sofreram com a falta de combustíveis, mas "a situação no Nordeste e no Norte está melhor. Em Belém, por exemplo, todos os postos já receberam combustíveis".
Procurado para comentar o tema, Luiz Felipe Moura Pinto, presidente do Sindicombustíveis-A (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Alcoois, e Gás Natural do Estado do Amazonas), foi taxativo. "O abastecimento está normal no Estado do Amazonas".

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