Manaus, 18 de Setembro de 2018
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Crescimento da indústria esbarra em receio

Por: Rianna Carvalho r.loureiro@jcam.com.br
24 Mai 2018, 19h42

Crédito:Walter Mendes
O PIM (Polo Industrial de Manaus) começou o ano com o faturamento recorde de R$ 7,15 bilhões, registrando um avanço de 8,23% no PIB (Produto Interno Bruto) da região Norte, é o que indica a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Porém em abril de 2018, a atividade industrial do país começou a registrar ligeira queda. Representantes da indústria e especialistas em economia do Estado do Amazonas, acreditam que a instabilidade política e econômica pela qual o país passa no momento, seja um dos fatores contribuintes para a falta de investimento no setor.

O assessor econômico da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, revela que são inúmeras as causas da conjuntura atual. "Desordem política, administrativa e falta de confiança no Congresso Nacional, fora os ataques que são feitos a Zona Franca de Manaus, contribuem para essa falta de investimento". O economista diz ainda que a baixa na produção industrial, alta de desemprego, aumento do combustível, instabilidade cambial e a recente greve dos caminhoneiros também são fatores que impedem a vinda de investimentos, principalmente estrangeiros.

A esperada retomada de produção, comercialização e consequentemente, dos investimentos podem ser afetadas pelos resultados das eleições presidenciais que se aproximam, explica o consultor econômico, José Laredo. "Fatores externos e internos podem afetar a retomada do crescimento da indústria e a conjuntura econômica. O cenário pode mudar conforme a escolha do próximo presidente" diz. Loredo ressalta que o Brasil precisa de um governante que tenha credibilidade internacional, que gere confiança, e que tenha condições para gerenciar a economia de forma moderna e evoluída.

Dificuldades de financiamento

O chefe do departamento de economia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Luís Roberto Coelho, acredita que não é financiamento de crédito que entrava a indústria, mas sim o custo deste crédito. "As condições de acesso ao financiamento são ruins. As taxas elevadas, expectativa de crescimento, de demanda, tudo influencia. Não basta ter o crédito disponível se não tem demanda para utilizá-lo". Ele revela que os empresários não querem assumir mais riscos. "20% da economia vive de negócios, da crença. Economia é crença" declara.

Luís Roberto Coelho, informa que está havendo uma recuperação, mas que a mesma só vai ser sentida a médio, longo prazo. "Alguns setores se destacam mais que outros, isso é um fato. E as indústrias de alto porte acabam influenciando na recuperação das menores, se elas retomam seu crescimento de forma rápida consequentemente as menores avançam também, é uma cadeia" diz Coelho.

É importante observar o setor de máquinas e equipamentos, mas Coelho diz que só daqui a três anos será possível ver a real recuperação do setor. "Se esses setores apresentarem melhoras, gera perspectiva de recuperação nas demais indústrias e perspectiva para os próximos anos. Pois se há investimento em equipamentos, há procura e melhora de mercado" revela.

Para Gilmar Freitas, só haverá recuperação após um cenário político seguro. "Enquanto nossa credibilidade política não mudar é difícil apostar em uma alta recuperação econômica e industrial. Acredito que vai levar tempo para que isso ocorra, não é elegendo o presidente certo esse ano que amanhã o cenário está melhor, é uma mudança que leva anos, de dois à três".

Otimismo

Indicadores do CNI mostram que de uma forma geral, as expectativas seguem otimistas, apesar de não terem evoluído favoravelmente nos últimos dois meses (abril e maio). Os empresários esperam crescimento da demanda, da quantidade exportada e das compras de matérias-primas para os próximos seis meses.

José Laredo ressalta que a economia do país está melhorando e se recuperando, já que o país está com a inflação baixa desde o início do ano. "A inflação hoje gira em torno de 2,7%, às taxas de juros selic estão em 6,8%. Com a taxa de juros e inflação menor, cria margem para que os empresários pensem em investir, eles criam coragem para desengavetar projetos e consequentemente gerar empregos".

"É possível que ano que vem o setor cresça cerca de 2% ou mais, mas acredito que o mais importante é a geração de empregos. Se com o crescimento do setor, vier novos postos de trabalho, o setor vai criar demanda tanto de produção quanto de venda, pois uma coisa está ligada a outra. Se não gerar emprego, de nada valerá a retomada da indústria" disse Coelho.

O professor revela ainda que o cenário local depende 100% do nacional. "O amazonas recupera de acordo com o cenário nacional. Pois é pra lá que vai a produção. Com a copa do mundo podemos sentir leve progresso mas ainda não será suficiente. Esse ano tem eleição os empresários querem saber quem vão ser os governantes, quais propostas eles trazem, se vai haver ou não reforma tributária, reforma da previdência. Tudo isso está em jogo, será exposto à mesa. O empresariado precisa de reforma, de confiança, precisa que seja reduzido o grau de burocracia que o país enfrenta", comenta.

Freitas ressalta que se for feito um comparativo do setor entre 2 e 3 anos atrás, ainda não é possível observar total recuperação. "É precisa aguardar um pouco mais pra ver a consistência desse real crescimento. As informações das entidades ainda estão precipitadas" revela.

Empregos

O emprego na indústria continua sem registrar tendência de crescimento, mas também não apresenta tendência de queda. O índice de evolução do número de empregados ficou em 49,2 pontos em abril, ou seja, próximo à linha divisória dos 50 pontos.

O consultor de empresas e carreiras, Flávio Guimarães, revela que a indústria vem passando por um momento de transição. "Estão ocorrendo muita troca de executivos, em abril, o índice foi alto. As mudanças de áreas, atrelada às novas vagas de trabalho, também contribuem para esse registro irrisório" revela.

Como solução provisória, algumas empresas estão excluindo determinadas funções e fazendo junções de duas ou mais vagas, transformando em apenas um posto de trabalho. "A demanda é setorial. Temos empresas escoando e outras contratando, como é o caso do setor de bicicletas. Ele apresenta crescimento de produção e consequentemente melhorias na geração de empregos" afirma o consultor.

Guimarães acredita que em meados de agosto deste ano, o fator empregabilidade vai melhorar nas indústrias do PIM. "Não temos dados estatísticos específicos já que não trabalhamos com pesquisa de campo. Mas temos parâmetro de setores, temos o que é tendência alta, baixa ou média. E assim como o setor de duas rodas, outros setores tendem a melhorar, então acredito que a partir de agosto poderemos ver aumento significativo no número de vagas para o setor das indústrias" reforça.

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