Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Greve pode afetar indústria e comércio

Por: Rianna Carvalho r.loureiro@jcam.com.br
22 Mai 2018, 19h18

Crédito:Divulgação
Na manhã desta terça-feira (22) aproximadamente 100 caminhoneiros do Amazonas se reuniram no km 0, da BR-174, para protestar contra os aumentos excessivos dos preços de combustíveis e alta carga tributária. A iniciativa da categoria no Estado é reflexo da paralisação que vem acontecendo em quase todo o país desde segunda-feira (21) e pode ter efeitos na indústria e comércio amazonense afetando principalmente o PIM (Polo Industrial de Manaus), caso a paralisação perdure por mais tempo, já que as empresas trabalham com estoques que duram no mínimo 60 e no máximo 90 dias.

Representante das indústrias do PIM, a Fieam (Federação da Indústrias do Estado do Amazonas) apoia a reivindicação da categoria, mas teme que uma paralisação geral acabe prejudicando a produção das fábricas. Ainda assim, o vice-presidente da entidade Nelson Azevedo diz que a manifestação é válida. "Apesar de válida, é necessário rever algumas questões. A indústria está passando por um momento de recuperação, o setor sinaliza significativo aumento na produção e geração de empregos, uma paralisação pode afetar a indústria", relatou.

Ele diz ainda que por mais que a manifestação afete somente a entrega de matéria-prima e de insumos, as fábricas instaladas no PIM podem ser prejudicadas. "Compreendemos o momento pelo qual passam os caminhoneiros. Entretanto, uma paralisação da categoria neste momento pode prejudicar a pequena estabilidade pelo qual o setor passa com alta demanda e contratação", declarou.

Já o comércio, que trabalha com um estoque de no mínimo 15 e no máximo 30 dias, teme os possíveis efeitos de uma greve mais prolongada. Para o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba Filho a manifestação pode gerar grande problema de abastecimento. "O comércio depende muito das estradas, a maior parte do abastecimento do setor vem por essa via. Se a situação perdurar por mais dias, é possível que tenhamos um impacto no abastecimento do setor", disse.

O empresário não sabe informar se a paralisação já afetou diretamente o comércio. "Ainda é cedo dizer. Assim como qualquer outro setor, o comércio trabalha com estoque, mesmo que uma carga ou outra atrase, é possível se resguardar. Nossa preocupação é realmente os produtos perecíveis que possuem data de validade".

Carga tributária

O presidente do SINDCCACEAM (Sindicato dos Caminhoneiros e Carreteiros Autônomos de Cargas do Estado do Amazonas), Sérgio Alexandre revelou que o objetivo principal da manifestação é chamar atenção do governo contra os aumentos excessivos dos preços de combustíveis e reivindicar a redução do valor do diesel. "A categoria está insatisfeita quanto aos altos impostos praticados em cima do diesel", ressaltou.

O aumento quase que diário no valor do diesel, que representa quase 50% dos custos da categoria, é uma das causas da paralisação, explica o representante dos caminhoneiros, que também citou o IPVA dos caminhoneiros do Estado como um dos mais caros do Brasil, além do aumento das taxas de ICMS que praticamente dobraram e reajuste dos tributos PIS/Cofins majorados em 2017, gerando um impacto negativo no serviço de fretes.

Atualmente o Amazonas conta com mais de 4 mil caminhoneiros que, conforme Alexandre, não conseguem repassar ao consumidor a alta do preço do diesel. "Não repassamos ao consumidor os gastos com combustíveis, não tem como. A procura por frete é baixa, em contrapartida a oferta de mão de obra é grande. Se eu aumento o valor do meu frete, não consigo carga para transportar. Então nos submetemos a arcar com o prejuízo da alta do diesel", lamentou.

Paralisação nacional

A paralisação nacional de caminhoneiros foi convocada pela ABCam (Associação Brasileira de Caminhoneiros). A entidade reuniu caminhoneiros de 17 unidades da federação. Foram realizadas manifestações diversas, desde pontos de concentração de motoristas à interdição de rodovias.
Os motoristas de caminhões de todo o Brasil pedem redução das alíquotas da contribuição para PIS/Pasep e Confis sobre as operações com diesel. Eles solicitam ainda a melhoria da infraestrutura e segurança nas estradas e rodovias do país, além do vale-pedágio destacado do valor do frete e falta de ajuda em relação ao pagamento efetivado pelo caminhoneiro quanto ao financiamento.

Reajustes para baixo

Em meio a discussões dentro do governo sobre a alta dos preços dos combustíveis e protestos de caminhoneiros em todo o Brasil, a Petrobras anunciou que irá reduzir os preços da gasolina em 2,08% e os do diesel em 1,54% nas refinarias a partir desta quarta-feira (23).

Segundo informou a petroleira, o preço da gasolina nas refinarias cairá de R$ 2,0867 o litro para R$ 2,0433. Já o preço do diesel será reduzido de R$ 2,3716 para R$ 2,3351. A companhia destacou que a variação dos preços nas refinarias e terminais é importante para que a empresa possa competir de forma eficiente no mercado brasileiro.

A queda de preços anunciada ontem (22) pela Petrobras se dá um dia depois de a companhia ter informado mais um aumento nas refinarias de todo o país nos valores do diesel, que subiu 0,97%, e nos da gasolina, com alta de 0,9%. No mesmo dia, mais cedo, caminhoneiros de todo o Brasil iniciaram uma greve geral contra os aumentos do diesel, o que levou à paralisação dos transportes de carga e ao bloqueio de rodovias em vários Estados.

Os ministros Eduardo Guardia (Fazenda) e Moreira Franco (Minas e Energia) se reuniram com o presidente da Petrobras, Pedro Parente e após o encontro, Parente afirmou que a redução dos preços da gasolina e do diesel, anunciada ontem, foi tomada em função da queda do dólar na segunda-feira.

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