Manaus, 20 de Setembro de 2018
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Turismo amazonense sem atrativos

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
21 Mai 2018, 19h50

Crédito:Walter Mendes
Ainda em reabilitação, o setor do turismo no Amazonas procura mecanismos para se recuperar dos prejuízos causados pela crise econômica buscando alternativas para se adequar à nova realidade do mercado. Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), após o turismo no Brasil registrar uma queda de 6% na receita real no ano passado, a previsão para este ano é uma baixa de 4%. Segundo representantes locais, Manaus acompanha o status nacional.

Para o presidente da ABIH-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Amazonas) Roberto Bulbol, no Amazonas o turismo ainda sofre os reflexos da crise e as pessoas estão agindo com mais cautela. Ele reforçou que é preciso haver um trabalho conjunto entre municípios, Estado e iniciativa privada para criar atrativos para o Amazonas, e assim movimentar o setor para gerar oportunidades de negócios e novas receitas.

"Nosso segmento depende muito da cidade, depende muito do Estado e dos municípios. Não depende só da iniciativa privada, tem que ser um trabalho em conjunto. Antes existia todo um planejamento de férias das famílias e a escolha de vários locais do Brasil como possibilidades de destinos. Se não houver esse cuidado e atrativo as pessoas não vêm. Temos que criar novos atrativos para os visitantes. Temos que ter estrutura para recebê-los. Ter boa infraestrutura de limpeza, segurança, fácil acesso, mais voos, flexibilidade das linhas aéreas", disse.

Recentemente, o MTur (Ministério do Turismo) divulgou o resultado de um estudo, onde registrou que 88,3% dos turistas internacionais que desembarcaram no país em 2017, mostraram-se plenamente satisfeitos. Segundo o levantamento, o Brasil recebeu 6.588.770 de turistas internacionais, recorde histórico superior, inclusive, aos números obtidos na Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

A boa experiência fez com que 95,6% dos entrevistados mostraram o interesse em retornar. Para Bulbol, os resultados no Amazonas mostraram um percentual abaixo do esperado no primeiro trimestre e espera que no segundo semestre possa haver melhora.

"Não sentimos esse crescimento. Aqui em Manaus o turismo era mais de negócio com congresso de indústrias e empresas, mas, mesmo assim caiu muito. Então esse reflexo foi mais no Sul. Falta investimento. Houve uma retomada pequena. O percentual é muito pequeno e muito focado em alguns segmentos. Ainda estamos sentindo de forma muito lenta", ressaltou.

Bulbol explica que, por se tratar de uma cadeia que envolve vários segmentos, outro fator que impede que o turismo no Brasil melhore com mais visitantes, é a imagem negativa do país no exterior com os frequentes escândalos políticos de corrupção e a violência nas grande cidades como o Rio de Janeiro, que segundo ele, é a porta de entrada de grandes voos internacionais.

"Ninguém vem para o Brasil apenas para ficar em Manaus, elas querem conhecer o Rio de Janeiro e outras cidades. E hoje, as grandes operadoras do segmento de turismo ficam no eixo Rio-São Paulo. Em São Paulo fica o centro do turismo de negócios da América Latina. O Rio de Janeiro é uma das principais linhas de entradas aéreas no Brasil. A imagem negativa do Rio de janeiro e do Brasil também tem prejudicado o turismo. As frequentes mudanças no Ministério do Turismo também prejudica porque não há continuidade de trabalho", ressaltou.

Viajando pelo Brasil

Segundo o representante da agência de viagens CVC, Márcio Barreto, com a instabilidade do dólar para o turismo internacional, aumenta a possibilidade de melhorar o turismo nacional e consequentemente o mercado em Manaus, isso porque com a impossibilidade de viajar para o exterior, o consumidor passa a ver as viagens domésticas como uma opção mais acessível.

"A instabilidade do dólar deixa as pessoas retraídas para investir em uma viagem internacional. Consequentemente essa alta beneficia o turismo dentro do Brasil, porque as pessoas não vão querer deixar de viajar. Então elas começam a procurar destinos nacionais. Por um lado isso é bom, porque movimenta o mercado de viagens nacionais", disse.
Apesar da instabilidade da moeda americana, a procura por Manaus como destino de viagem ainda tem sido muito baixa, reflexos da crise econômica que afetou o setor. Apesar do momento de recuperação, a empresa tem buscado alternativas para se adequar à atual realidade, disse a agente de viagens, Agnes Ribeiro, da agência de turismo KM. "Temos feito muitos pacotes promocionais, mas a procura ainda é baixa. O número de pessoas que procuram Manaus como destino ainda tem deixado a desejar. Mas, apesar disso o mercado tem melhorado", encerrou.

Pesquisa CNC

O estudo encomendado pela CNC, apontou que entre 2015 e fevereiro de 2018, a perda de faturamento do turismo no Brasil chegou a R$ 157 bilhões. Neste ritmo, o setor de turismo só vai conseguir ultrapassar a atual situação em 2020.
A CNC destaca, que o turismo responde por 8% do emprego formal no país, e registrou que entre 2015 e 2017, cerca de 7 mil estabelecimentos de hospedagem fecharam as portas em todo o país, encerrando milhares de postos de trabalho formal. De 2014 a 2016, o setor cresceu em média 22%, com destaque para as regiões Norte e Nordeste.

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