Manaus, 20 de Setembro de 2018
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A honestidade como princípio

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
17 Mai 2018, 14h08

Crédito:Walter Mendes
Nunca se falou tanto em procuradores no Brasil como nos últimos anos, principalmente após o escândalo do desvio de verbas públicas desbaratado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Mas, o que faz um procurador?

Existem procuradores municipais, estaduais, federais, do Ministério Público e da República e todos, dentro de sua esfera de atuação, são responsáveis em analisar processos contra seus respectivos representados e observar se estes estão atuando dentro das leis.

Em Manaus, Edmilson da Costa Barreiros Júnior é procurador da República, o representante do Ministério Público Federal no Estado. Nessa função, Edmilson Barreiros fiscaliza se as leis que defendem o patrimônio nacional estão sendo cumpridas. Também garante que os interesses individuais e sociais listados na Constituição Federal sejam respeitados. O procurador também atua em casos que envolvem situações de abrangência nacional ou se referem a assuntos que estão ligados ao governo federal, como terras indígenas, áreas de Marinha, patrimônio histórico, entre outros.

O que caracteriza Edmilson Barreiros é o fato de ter sido criado tendo como princípio a honestidade, além de ter sido ensinado pelo pai, desde o começo, a vencer na vida através dos estudos e por seu próprios méritos. "A maior riqueza que o meu pai me deu, e que ficará comigo por toda a minha vida, foi a educação", disse.

O pai de Edmilson foi capa no JC do dia 3 de abril. Ele é o barbeiro Edmilson Barreiros, que criou e educou os quatro filhos cortando cabelos. "Atuo na profissão há 61 anos e, se tivesse que recomeçar tudo de novo, escolheria a mesma profissão. Nunca me arrependi de ser barbeiro.

Diria que é uma profissão com a qual você pode nunca ficar rico, mas também nunca vai faltar clientes e você pode ter uma vida satisfatória, se for profissional", disse ele, na matéria.

"Meu pai sempre pautou sua vida pela honestidade, e nos passou essa qualidade, para mim e meus irmãos.

Ele dizia que nunca queria ver um cobrador batendo na nossa porta, e queria que a nossa família fosse reconhecida como uma família de bem", lembrou o procurador.

Experiência no ensino público

"Com 16 anos estava prestes a entrar na faculdade mas, como a maioria dos adolescentes, eu não sabia o que queria ser na vida, qual profissão escolher. Não tinha noção do que era seguir uma carreira profissional. Mais uma vez lá estava meu pai, e ele disse que eu deveria escolher direito, talvez porque a profissão de advogado sempre tenha sido respeitada, ao longo dos séculos", contou.
"Passei no vestibular da Ufam e, no ano seguinte, entrei na faculdade. Foi minha primeira experiência com ensino público, já que meu pai fez questão que eu e meus irmãos estudássemos em escolas particulares. Foi quando notei as dificuldades. Pra começar, os primeiros meses que deveriam ser de aula, a Universidade estava em greve, e nos quatro anos que durou o curso, eu passei por outras duas greves, que demoraram meses, sem falar das carências que as universidades públicas enfrentam. Mas gostei do curso. Havia muitos debates e eu gostava daquilo. Gostava das posições vanguardistas da Academia. Fiz bem em seguir a sugestão de meu pai. Me dei bem no curso. Me formei em 2000", falou.

"Ainda acadêmico, fui estagiário no Ministério Público Federal e, com o dinheiro que ganhava, comprava os caros livros do curso. Formado, trabalhei como servidor no Ministério Público da União. Foi então que me inscrevi em três concursos: advogado da Caixa Econômica Federal, procurador do Estado, e promotor de Justiça. Passei nos três e optei por este último", revelou. "Exerci a função de promotor de Justiça do Ministério Público do Amazonas, de 2001 a 2006, nos municípios de Itamarati, Carauari, Novo Airão, Fonte Boa, Boca do Acre e Pauini, quando, então, fui aprovado no 22º concurso público para provimento de cargos de procurador da República, estando lotado, desde então, na Procuradoria da República no Amazonas", explicou.

Na Procuradoria da República, Edmilson já exerceu as funções de procurador-chefe (2007/2009) e procurador regional eleitoral (2009/2012). Foi procurador-chefe substituto no biênio 2013/2015 e reeleito nos biênios 2015/2017 e 2017/2019. Atualmente é titular do 8º Ofício Criminal da Procuradoria, colaborando em várias iniciativas da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (matéria criminal), como os grupos nacionais de apoio ao combate à escravidão contemporânea e ao tráfico de pessoas, e ao Tribunal do Júri.

"No próximo dia 25 tomarei posse na Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas, uma elevada honraria dentre as que tenho recebido ao longo de minha carreira. Quanto ao meu pai, sim, ele é um mentor permanente. Para os pais, os filhos nunca deixam de ser crianças inocentes", riu.

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