Manaus, 23 de Setembro de 2018
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Altos impostos sem retorno à sociedade

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
17 Mai 2018, 14h04

Crédito:Walter Mendes
O total de impostos, taxas e contribuições pagas pelos brasileiros, ainda é um assunto bastante nebuloso na cabeça da população. Qual o real valor de um produto na hora da compra? Quanto realmente o consumidor paga de imposto? Do dia 1º de janeiro até às 19h de ontem (16), o impostômetro registrou R$ 900 bilhões arrecadados em todo Brasil. No Amazonas, o valor ultrapassou os R$ 10 bilhões, o que representa 1,24% do que é recolhido em todo país.

Segundo o professor e especialista em carga tributária, Reginaldo Oliveira, o foco principal das autoridades fazendárias no país, na hora de recolher os impostos é no consumo, fonte de onde é retirado mais da metade do que é arrecadado pelo governo, e apenas 18% vem da renda. "Isso é demonstrado em trabalho de vários especialistas que no Brasil os impostos do consumo representam 50% de tudo que é arrecadado. O lado negativo é que no Brasil os produtos que compramos são muito caros. O exemplo disso é a compra de um videogame, onde 62% do valor é de imposto. Um modelo que custa R$ 1 mil, na realidade tem o preço de R$ 200", explica.

Oliveira explica que existem muitos fatores que contribuem para a alta carga tributária, uma delas é o sistema deficiente e fraudulento que o governo utiliza na arrecadação. "No Brasil esse imposto do produto é escondido. O consumidor brasileiro não enxerga isso, nosso sistema é fraudulento. A culpa não é do comerciante e sim do governo que o obriga a anexar esses valores no produto final. E o comerciante tem que cumprir todas essas exigências, caso contrário é multado", disse.

De acordo com o economista, Francisco de Assis Mourão Júnior, uma das maiores reclamações, é que esses altos valores arrecadados não são revertidos em serviços de qualidade para a população. O que tem levado o consumidor, muitas vezes a procurar formas para fugir da carga tributária.
"O Estado está cada vez mais operante nos impostos, com taxas muito altas, mas o retorno não tem se refletido em benefícios para a sociedade. E a situação econômica em que se encontram os consumidores, como a disparada do dólar, o desemprego alto e a lenta retomada da economia, torna-se insustentável, levando-os a recorrer a outros artifícios para fugir desses tributos", disse.

Dia da Liberdade de Impostos

Segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) em 2018, o manauense deve ultrapassar seis meses de trabalho somente para pagar impostos. Enquanto que em 2017 esse número foi de 153 dias, tempo este que corresponde a cerca de 5 meses. A pesquisa conta que a média que o brasileiro gasta trabalhando é de 150 dias por ano, somente para o pagamento de tributos sobre serviços e produtos.

Com o objetivo de conscientizar a população sobre quanto de tributo os consumidores pagam no dia a dia, a CDL Jovem Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem de Manaus), realizará no dia 24 de maio, no Amazonas Shopping e Manauara Shopping, o Dia da Liberdade de Impostos. O protesto contará com a participação de centenas de lojas de segmentos como calçados, vestuários, restaurantes e eletroeletrônicos.

"O objetivo é tentar mostrar ao máximo para população que em tudo que ela compra tem imposto e esse valor não tem retorno para ela, através de bons serviços na saúde, na segurança e em infraestrutura melhor na cidade. Queremos impactar as pessoas e a população pode participar do evento indo ao shopping comprando, produtos sem imposto", disse.

Para Mourão Júnior, o movimento é de suma importância principalmente para pressionar a aprovação da reforma tributária única, prometida pelo governo e ainda não foi cumprida. "O povo precisa saber cobrar seus representantes e ser mais participativo e ver onde está sendo empregado esse dinheiro, onde esse dinheiro está sendo investido e para quê", disse.

Para Oliveira a campanha é válida principalmente para fazer com que o consumidor seja mais participativo, e conta, que atitudes mais ousadas seriam fundamentais para que o consumidor entenda de forma clara o que é o valor real do produto e qual o valor do imposto pago por ele.

"É muito válido fazer isso, mas, ficaria melhor se cada empresa colocasse um banner informando o valor da carga tributária separado do valor real do produto. Porque na hora da compra os impostos estão embutidos no preço final, e isso impede que o consumidor enxergue o real valor da sua compra. O correto é que na nota viesse o preço do produto separado do imposto. Se todo mundo fizesse isso o consumidor ia compreender, porque ele não consegue entender como funciona", encerra

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