Manaus, 22 de Setembro de 2018
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No tabuleiro da baiana tem

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
08 Mai 2018, 18h58

Crédito:Walter Mendes
Na música 'Vatapá', Gal Costa canta "Quem quiser vatapá, ô / Que procure fazer / Primeiro o fubá / Depois o dendê / Procure uma nega baiana, ô / Que saiba mexer / Que saiba mexer / Que saiba mexer". Pois nem é preciso ir a Bahia para encontrar essa nega baiana. Ela está aqui mesmo em Manaus, Liuba Baeta, há duas semanas servindo o que há de mais gostoso na típica culinária afro-brasileira desse Estado nordestino, numa barraca, junto à praça D. Pedro II.

Liuba Baeta é museóloga e arquivista mas, nas horas vagas, é uma defensora das raízes de seu povo baiano e bem lá pra trás, africano. Aos domingos, na Feira de Artesanato da Eduardo Ribeiro, ela monta a barraca 'Pretice das Negas', onde vende peças de vestuário e acessórios femininos e masculinos afro-brasileiros. Agora, às quintas e sextas-feiras, ela arma outra barraca, em frente ao antigo Iapetec, onde vende os quitutes da Bahia. A baiana veio para Manaus, pela primeira vez em 2009 e ficou até 2011, contratada para trabalhar como museóloga e arquivista. Quando acabou esse trabalho, ela foi embora. "Mas gostei muito de Manaus. Voltei em 2015 para ficar e estou aqui até hoje", contou.

Liuba aprendeu a cozinhar com sua mãe Magnólia, que aprendeu com sua avó Esmeralda, que aprendeu com a bisavó, que aprendeu com a tetravó, até chegar em Antônia, que veio de Minas Gerais, fugida, trazida pelo amado Antônio Baeta, filho de um rico fazendeiro que, por não poder casar com a amada, escrava, fugiu com ela para a Bahia onde viveram felizes para sempre dando origem ao clã dos Baeta soteropolitanos.

"Minha mãe sabe fazer muita comida afro-brasileira: caruru, chin chin de frango, muqueca de peixe, feijoada, vatapá e uma infinidade de outros pratos. Eu aprendi muita coisa com ela, mas me aprimorei no Senac, no curso 'Baiana de Acarajé'. Hoje preparo caruru, acarajé, abará, vatapá e cocada, que já estão sendo vendidos na barraca. Este final de semana vou começar a vender o chin chin de frango", adiantou.

Liuba é a típica baiana, daquelas com belas vestimentas e sorriso aberto, que vemos na TV, em suas barracas, nas ruas de Salvador. Simpática e conversista, ela conquista os clientes não só pelas comidas que faz. Está se transformando num atrativo a mais para o local onde monta sua barraca.

Também terá tacacá

Pra quem gosta de história, a baiana não poderia ter escolhido um local melhor para montar sua barraca: a calçada do antigo prédio do Iapetec (agora INSS), na rua Governador Vitório, esquina com a Sete de Setembro, junto à praça D. Pedro II, onde fica o imponente Paço da Liberdade, o Palácio Rio Branco e o há décadas abandonado, porém ainda belo, Hotel Cassina. A região é o centro habitacional mais antigo de Manaus, cercado de casas e casarões seculares. Liuba mora num desses casarões, onde prepara as comidas, depois levadas para a barraca.

"Engraçado que as pessoas pedem tacacá, porque veem a barraca vendendo comida e já imaginam uma tacacazeira, mas tacacá não é uma comida baiana. É indígena, amazônica, mas como o cliente sempre tem razão, então, a partir do sábado (19), passaremos a ter o tacacá e a feijoada", revelou.
"Outra coisa que pedem, e agora já temos, é cerveja. Amazonense não passa sem uma cerveja gelada. Também temos refrigerantes e em breve serviremos o cravinho, bebida típica da Bahia, tipo um aperitivo feito com cachaça, mel e cravinho", disse.

Cozinheira de mão cheia, Liuba aceita encomendas de comidas para quem quiser saborear as delícias baianas em casa, "mas só comida baiana, preparada exatamente da mesma forma e com os mesmos temperos utilizados na Bahia", garantiu.

A 'Barraca da Liuba' funciona às quintas e sextas-feiras, das 16h às 20h. A partir do dia 19 começará a abrir aos sábados e com itens novos no cardápio. Contatos com a baiana: (92) 9 8215-4922 e 9 8828-4303.

O que é que a Liuba tem

Caruru
Caruru: É um cozido de quiabo que normalmente leva amendoim, castanha e camarão.

Acarajé
Acarajé: Trata-se de um bolinho feito de massa de feijão fradinho, cebola e sal, e frito em azeite de dendê. No continente africano é conhecido como akara. No Brasil, especialmente na Bahia, é servido com pimenta, camarão seco, caruru e vatapá, sendo relativamente comum a adição de vinagrete.

Abará
Tem a mesma massa do acarajé, a única diferença é que o abará é cozido, enquanto que o acarajé é frito. A massa é feita a partir do feijão fradinho, que após um preparo especial é convertido em uma massa bem fina. A essa massa junta-se cebola ralada, sal, dendê e camarão seco.

Vatapá
Vatapá: O seu preparo pode incluir pão molhado ou farinha de rosca, fubá, gengibre, pimenta malagueta, amendoim, cravo, castanha de caju, leite desnatado, azeite de oliva, cebola, alho e tomate. Pode ser preparado com camarões frescos inteiros, ou secos e moídos, com peixe, com bacalhau ou com carne de frango, acompanhados de arroz.

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