Manaus, 21 de Setembro de 2018
Siga o JCAM:

Beleza não tem padrões

Por: Rianna Carvalho rloureiro@jcam.com.br
04 Mai 2018, 18h38

Crédito:Divulgação
A internet, televisão e revistas de moda sempre nos mostraram um padrão a seguir. O estigma do corpo perfeito imposto todos os dias, leva muitos a se sacrificarem em busca desse estereótipo ideal. O problema é que no mundo real esse padrão é quase impossível de ser atingido de forma natural e saudável, resultando em uma sociedade frustrada e doente.

Até que ponto essa pressão estética faz bem, você já se perguntou? A beleza não é algo que deve ser imposto pela sociedade, pois ela é mutável e varia de acordo com a percepção de cada um. O que para uns pode parecer bonito ou perfeito, pode não ser para outros.

Para a jornalista, Geizyara Brandão, não existe esse tal de 'corpo perfeito'. O que existe é a ideia de se encaixar nos padrões impostos pela sociedade ao tentar se igualar às modelos das passarelas, aos famosos da mídia e tantas outras referências do momento. "Somos bombardeados de forma tão intensa que ficamos obcecados pelo desejo de se encaixar, e acabamos não levando em consideração que cada indivíduo possui uma estrutura óssea e genética diferente", explica ela.

A modelo plus size, Alessandra Caldas, sempre teve o sonho de ser modelo, mas isso não era possível até um tempo atrás. "Desde pequena estive acima do peso e passei a minha vida inteira lutando contra isso. Foi quando em 2010 conheci o mercado plus size e fiquei super interessada em seguir carreira", disse.

Alessandra não começou de imediato, disse ainda que sua baixa autoestima não a permitiu seguir em frente. "Fiquei cerca de seis anos tentando criar coragem, até que conheci uma empresária do ramo que me incentivou a me inscrever no concurso Miss Amazonas Plus Size", conta.

O incentivo da empresária mudou a vida da modelo que a partir de então passou a se enxergar diferente. Começou a fotografar para lojas, participar de projetos para influenciar outras meninas a se encontrarem, se tornou uma pessoa mais confiante. "Hoje sou uma pessoa muito mais feliz e com autoestima elevada. Não deixo mais de fazer o que gostaria por conta da opinião alheia. Se eu quero colocar um biquíni, eu coloco sem medo", conclui a modelo.

Não é palavrão, é biotipo!

Existe uma frase utilizada no mundo plus size que diz "corpo perfeito é aquele que tem uma pessoa feliz dentro", isso quer dizer que é preciso se aceitar do jeito que realmente somos. A Miss Amazonas Plus Size 2018, Camila D'angelo brinca que ela não é gordinha, nem cheinha é gorda mesmo!

"A palavra gorda não é palavrão, é biotipo. Até hoje recebo alguns olhares 'tortos' por ser gorda, mas consegui entender que meu corpo representa quem eu sou perante o mundo, e ele merece ser tratado e respeitado como qualquer um outro. Que uma pessoa magra não é superior a mim, que ela tem suas individualidades e seu tipo físico, apenas" diz a miss.

Camila entendeu que seu corpo é uma manifestação de quem ela é, e isso a ajudou a encorajar outras mulheres a enxergarem isso também. "As pessoas têm que entender que suas características são próprias, que você é incrível pois seu corpo maravilhoso a ajudou a trabalhar, estudar, constituir família ou ajudou a construir todas as vitórias que a pessoa teve, por isso que ele merece e deve ser amado e respeitado", comenta.

Sem neuras

Aprender a se amar com todas as suas imperfeições é o grande desafio. A empresária e professora de pole dancer, Thayrinne Santos, diz que o importante é ter seu próprio estilo. "Quando criança eu era gordinha e sempre tive vergonha, não me sentia bem com meu corpo. Então fiz dietas, comecei a praticar atividades físicas para poder me sentir bem", comenta. Apesar de magra e ter o corpo bem definido, ela não se encaixa nos padrões de beleza pregados pela sociedade. O sentimento que se desenvolve é que quem se encontra fora dos padrões apontados são vistos como uma pessoa não saudável, desejada e bela. A empresária acredita que não é uma questão de padrão a ser seguido, é apenas algo do ser humano criticar aquilo que ele não foi capaz de atingir. "As pessoas sempre vão achar um jeito de reclamar. Então tento fazer as coisas levando em conta a minha vontade, dentro da minha moral e levando em consideração as pessoas que eu gosto, que vivem comigo. O fato de ter músculos, ser tatuada, professora de Pole Dancer, estudante de fisioterapia e aspirante a crossfitter, faz parte do ser humano que é a Thayrinne", comenta ela.
Apropriação do corpo, é o que a empresária prega. "Você se apropriar do seu corpo, ter domínio de quem você é, se entender e se ver daquela maneira e estar confortável com o que está vendo, é o mais importante", relata. Cada pessoa é bonita do jeito que se sentir melhor, sendo ela gorda, magra, alta, baixa, branca ou morena. O único padrão a ser seguido, é o seu!

Comentários (0)

Deixe seu Comentário