Manaus, 19 de Setembro de 2018
Siga o JCAM:

Indústria do AM no páreo da retomada

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
02 Mai 2018, 19h43

Crédito:Walter Mendes
Indicadores da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgados ontem (2), apontaram que em março houve uma queda de 2,5% no faturamento das indústrias de todo o país. Apesar da baixa nas receitas nacionais, o faturamento do PIM (Polo Industrial de Manaus) tem mostrado grande crescimento, afirmam especialistas. Setor de eletroeletrônico e o polo de duas rodas são os dois principais segmentos responsáveis pelo crescimento das receitas no primeiro trimestre do ano.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados no primeiro bimestre do ano, o aumento de 41,1% na produção de televisores, motivados pelas proximidades dos jogos da copa do mundo ajudou de forma significativa a atividade industrial do PIM.

Já no setor de duas rodas, de janeiro a março, as fabricantes de motocicletas instaladas no PIM registraram avanço no volume com 259.537 unidades, alta de 12,2% sobre o mesmo período de 2017, quando foram fabricadas 231.381 motocicletas. Os dados são da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

Segundo o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) Nelson Azevedo, o aumento na produtividade e no faturamento tem se mostrado significativo e importante para a retomada da receita do PIM, mas ainda não se refletem de forma positiva para a geração de novos postos de trabalho. Ele ressaltou que apesar da melhora gradativa, o resultado positivo dos dois setores já é importante para fortalecer a indústria do Amazonas.
"O período representa um ano de estabilidade. Com esse aumento de produção de eletroeletrônico e duas rodas, isso se vê de forma positiva. Os números ainda não são suficientes para utilizar de forma completa as fábricas como antigamente e gerar mais empregos. Mas são números muito positivos para economia do Amazonas e do Brasil. Isso mostra que estamos no caminho certo", disse.

Para o economista Ailson Rezende, o impacto que traz os dois segmentos motiva um grande estímulo na produtividade e consequentemente um aumento no faturamento das atividades do PIM. "As pessoas sempre querem um televisor novo para assistir a Copa e cada moto produzida exige uma série de componentes. São segmentos importantes porque agregam mão de obra muito significativa. A produção de componentes das motos, por exemplo, é toda verticalizada aqui, e isso faz com que os segmentos gerem resultados positivos", explicou.

Indústria nacional

Para o economista e consultor empresarial Marcus Evangelista, apesar do bom desempenho local, a lenta recuperação econômica apresentada nos últimos meses, ainda tem sido um grande entrave para o faturamento nas indústrias brasileiras. Ele explica que essa desigualdade de variação nacional e local é o normal por retratar a real situação do país que ainda não saiu plenamente da crise.

"Ainda não estamos plenamente fora da crise, estamos em recuperação. O fato de ter esses altos e baixos não torna uma situação fora da normalidade. Isso porque, temos que considerar o momento atual da nossa economia", ressaltou.

O consultor destacou também que o processo eleitoral que o país passará em outubro torna os investidores cautelosos, no que diz respeito a pedidos para o setor produzir, isso ocasiona redução de demanda, diminuição na produção e consequentemente menos empregos e redução de postos de trabalho.

"Enquanto não houver uma continuidade nos pedidos industriais, não haverá contratações. A questão eleitoral pesa um pouco, principalmente pela segurança jurídica. Isso porque o investidor fica inseguro a respeito de como a economia do país será conduzida", ressaltou.

Empregos

Resende explica que a queda de 0,2% de emprego na indústria, divulgados pela CNI, não significa diminuição de produtividade e de faturamento no setor. Isso porque a nova regra da lei trabalhista permite que as indústrias contratem mão de obra sem a formalização empregatícia. "Apesar de menos emprego houve ganho de produtividade. A indústria brasileira peca por produzir menos com mais custo. A reforma trabalhista permite que o trabalhador tenha a experiência mínima de 60 dias podendo renovar por mais 60 dias.

Isso não gera registro em carteira, porque os trabalhadores não estão formalizados. Com isso elas têm um ganho de produtividade, produzindo com as mesmas pessoas", disse.

Comentários (0)

Deixe seu Comentário