Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Vereador destaca situação grave em Parintins

Por: Ubaldino Meirelles
02 Mai 2018, 13h58

Tomei a iniciativa de escrever este pequeno artigo nas páginas centenárias do Jornal do Commercio, o nosso JC, influenciado pelo pronunciamento do vereador Marcos da Luz, na sessão do último dia 23 de abril.

A estatística divulgada pelo IBGE para Parintins, exibida pelo vereador, é chocante e decepcionante. Mostra, claramente, que está tudo errado, que devemos refletir o que já fizemos até aqui, mudar de estratégia, de plano, de ação. Acompanho, pela imprensa, pelos blogs e sites da Ilha Tupinambarana, as notícias da minha terra. E nos meses de junho e julho, enquanto tiver saúde, vou até minha terra torcer pelo Garantido, acompanhar a procissão e os festejos de Nossa Senhora do Carmo, rever amigos, dar um pulo com o Madson no Paraná do Espírito Santo e, infelizmente, constatar que o IBGE está correto. É triste dizer isso, mas é a dura realidade. Há 14 anos, quando me apresentei candidato a prefeito de Parintins, já com 70 anos, visitei milhares de residências, e naquela altura já pude constatar o caos social dessas famílias, que, pelo visto, só agravou, segundo o IBGE.

Não estou aqui para encontrar culpados, a culpa é nossa, a culpa é de quem tem ou teve o poder de melhorar a vida dos parintinenses, principalmente os prefeitos, mas erraram, não fizeram, fizeram pouco, focaram em coisas que não teve o retorno esperado, ou tiveram outras prioridades.
É hora de mudar de conduta, de repensar os atos, pois é inadmissível ter um dos maiores festivas do mundo, um gigantesco potencial produtivo no setor primário, posição geográfica privilegiada, mas ter um elevado índice de pobreza, desemprego e violência. Com todo esse potencial de crescimento fica difícil aceitar que apenas 5,9% da população tenha emprego formal. Fica difícil aceitar que, em termos de renda da população, Parintins ocupa o 4.253º lugar em nível nacional, e o 34º lugar entre os municípios amazonenses.

Um festival que teve a força para mudar a cor de uma COCA- COLA e do BRADESCO não é fraco, mas mesmo assim, com toda essa força, não levou renda, não levou emprego ao povo, apenas poucos se beneficiaram.

Por falar em festival, recentemente duas notícias chamaram minha atenção. Uma delas, o considerado número de problemas nas prestações de contas dos BUMBÁS que vieram a público com a divulgação da lista do TCE (ficha limpa). A outra se refere à postagem feita pelo atual prefeito, Bi Garcia, em seu Facebook, contendo graves declarações envolvendo expressivo volume de recursos financeiros do Boi Azul. Será verdade? Qual atitude adotou o prefeito? Ficou só no Facebook? Bem, não me cabe julgar quem está certo ou errado, existe órgãos competentes para fazer essa avaliação, mas é inegável que deve haver, há décadas, algo muito errado na movimentação financeira dos Bumbás que precisa ser corrigida, e exigida, por parte da sociedade parintinense, uma maior transparência no uso desses recursos e que venha a beneficiar, principalmente, o artista parintinense.

Ao final do discurso, o vereador Marcos da Luz destaca o retrocesso no setor primário como causa do empobrecimento do município. De fato, isso é verdade, mas o potencial ainda existe, principalmente na cadeia produtiva de fibras (malva) que, absurdamente, por falta de produção no Amazonas, incluindo Parintins, as indústrias estão comprando fibras em outros países, ou seja, capitalizando produtores de Bangladesh quando poderiam, perfeitamente, ajudar o produtor rural da Ilha Tupinambarana. Tenho outros exemplos, mas fico por aqui, ainda na esperança de dias melhores aos meus conterrâneos. Eles merecem!!

*é servidor federal aposentado, diretor de Mercado do Jornal do Commercio. E-mail: ubaldino70@hotmail.com

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