Manaus, 22 de Setembro de 2018
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"Amazônia é um grande desafio"

Por: Caubi Cerquinho especial para o JC
27 Abr 2018, 19h46

Crédito:Divulgação
Ligação com Amazônia pode se dizer que vem de berço. Afinal, ele nasceu em Guajará Mirim, no então Território Federal, hoje Estado de Rondônia. Na década de sessenta morou em Manaus, saiu e depois voltou para integrar a primeira turma do Colégio Militar de Manaus (CMM), no início dos anos setenta. Decidido pela carreira militar, serviu em várias partes do Brasil. O general César Augusto Nardi de Souza, possui diversas condecorações nacionais e internacionais. Antes de chegar ao posto maior no CMA ele cumpriu várias missões entre elas, mais recentemente, foi subchefe de Operações da Chefia do Estado Maior no Ministério da Defesa. Teve como seu primeiro comandante no CMM, o Coronel Jorge Teixeira. Em sua posse, no dia 16 de março, em conversa com os jornalistas, ele sintetizou, " Na Amazônia tudo é mais difícil pelas características da região, as dificuldades de acesso, comunicação e só a manutenção logísticas das nossas unidades já é um desafio. Então nós vamos manter os trabalhos já realizados pelo General Miotto. Além disso, há a preocupação com nossa família militar e também as famílias de todos os habitantes das regiões remotas".

JC - Comandante, qual sua opinião sobre a Amazônia?. É problema ou solução para o Brasil?
General Nardi - Amazônia é um grande desafio.Nós estamos ainda no caminho de descobrir a melhor maneira de aproveitarmos as imensas riquezas que aqui existem, preservando o meio ambiente e tudo que ela tem de natureza. É um imenso laboratório e pior isso meso todas ações aqui implantadas precisam ser estudadas, muito bem pensadas, como eu disse ainda estamos na fase de desenvolvimento dessa pesquisa. Amazônia será uma solução, no entanto, para chegarmos à solução temos que superar problemas, ou melhor, desafios, e na atuação das forças Armadas, temos diversos desafios de logística, mas precisam ser enfrentados como desafios a serem vencidos.

JC - O combate ao Narcotráfico na área de fronteira, tem sido uma das grandes missões do Exército. Haverá continuidade?
General Nardi - Essa é uma diretriz do comando anterior que será mantida. Nós atuamos em diversos níveis. Existe a atuação diária que é do Pelotão especial de Fronteira que faz a vigilância e o patrulhamento nos rios. Existem operações maiores no nível da Unidade, por exemplo o Batalhão de Tabatinga, ele tem uma área de responsabilidade, desloca reforço pra determinados pelotões pra operar por determinados períodos. Existem operações maiores que já são coordenadas pela brigada, no caso de Tabatinga e Tefé. As operações de segundo e terceiro nível possuem uma característica de operarem entre agências. Nós buscamos sempre trabalhar com a Polícia Federal ou com o Ibama por exemplo quando envolvem crimes ambientais. Nós não queremos substituir as instituições que também possuem as suas atribuições, mas nós muitas vezes facilitamos o acesso, chegada nesse locais usando a nossa logística e atuamos também diretamente quando detectamos qualquer ilícito nos 150 quilômetros da faixa de fronteira, pois nessa área temos o poder de polícia para os crimes transnacionais e ambientais.

JC - As FARCS, continuam sendo uma preocupação para o Exército?
General Nardi - Apesar de termos um ótimo relacionamento com a Colômbia,mas dissidências são sempre uma preocupação, não só para nós como para o próprio país. Estamos sempre desejando que como país vizinho ele encontre uma situação de paz.

JC - Comandante, e os corte de recursos financeiros para as Forças Armadas. Como continuar com a missão, com esses cortes?
General Nardi - Na verdade, estamos fazendo o ajuste orçamentário, buscando o equilíbrio fiscal. Todos estão dando a sua participação numa fase de transição e dentro do orçamento que nos é dado, nós procuramos otimizar ao máximo as ações. Cada ação é pensada, orçada, pra que se possa fazer o máximo, com menor recurso possível, mas as missões continuam. Nesse ajuste, ás vezes tiramos de ações que não são tão imprescindíveis, mas o foco está na missão principal que é a atuação na faixa de fronteira.

JC - E o Amazônia Conectada ?
General Nardi - Esse projeto que pretende levar a internet para diversos locais da região, está a cargo do Ministério da Defesa e na governança, tem outros órgãos envolvidos. O Exército, inicialmente, fez um trabalho de lançamento dos cabos submersos de fibra ótica. Esse projeto deverá ter continuidade, pois será fundamental para a conectividade, a integração, não só para o Exército ou o Ministério da Defesa, mas para todas as outras instituições que atuam na área.

JC - Uma das marcas das forças Armadas na Região Amazônica é a boa relação com o povo interiorano. Na seca ou na enchente, no transporte. Essa Ajuda vai continuar?
General Nardi - Nós temos atuado quase todos os anos por esse Brasil afora, seja numa enchente no Sul ou aqui na Amazônia. O Exército está sempre pronto para oferecer esse apoio e também o apoio do dia adia, não só nas calamidades. Nós temos por exemplo, Hospital de Tabatinga e de São Gabriel da Cachoeira que por meio de uma parceria com o Governo do Estado do Amazonas, a maioria das pessoas que são atendidas nesses hospitais são civis. Outro exemplo da atuação das Forças Armadas na região são as evacuações de civis acidentados nos lugares distantes e de difícil acesso. Nesse caso, o Exército faz o elo de ligação com a força Aérea para que seja feito o resgate dessas pessoas. Portanto, o apoio à população, dentro do nosso lema que é, "Braço Forte Mão Amiga", a mão amiga, estará sempre estendida para o apoio quando necessário.

"Cada ação é pensada, orçada, pra que se possa fazer o máximo, com menor recurso possível, mas as missões continuam".





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