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Nunca subestime o poder das ideias

Por: Breno Rodrigo
25 Abr 2018, 16h04

A política é uma representação fática e alegórica da realidade. Fática, por se tratar de uma arte ou uma ciência dos governos, da representação popular, da relação entre os governantes e os governados, ou do choque entre "amigos e inimigos", nos termos Carl Schmitt. Já a dimensão alegórica é igualmente importante por correlacionar a vida política com os seus arquétipos, ligados ao inconsciente coletivo, propostos pela psicologia analítica junguiana.

Os estudos de religião comparada são categóricos quanto à existência desses traços no conjunto de valores e símbolos das instituições religiosas e humanas, em geral. Penitência e glória, amor e justiça, lei e tolerância, etc, são arquétipos amplamente mobilizados pelas religiões para validar os seus preceitos na comunidade moral.

Na experiência política não é diferente. Em geral, governos emulam experiências outrora utilizadas por outras instituições humanas, especialmente as religiões. O século 20 teve a oportunidade de testemunhar a emergência de verdadeiras religiões civis. O culto à personalidade carismática, ao Estado totalitário e ao partido revolucionário foram características encontradas tanto no fenômeno fascista quanto no bolchevismo soviético.

Tentando simplificar o debate, muitas vezes, e de forma nem sempre bem justificada, resumimos as categorias políticas entre duas polaridades ideológicas: esquerda e direita. Trata-se, repito, de uma simplificação muitas vezes grosseira, porém representativa de um caleidoscópio de categorias que podem ser usadas na compreensão dos fenômenos políticos realmente existentes.

A simbologia da esquerda é marcada pelo signo da igualdade. Igualdade em todas as suas dimensões, pois deve-se superar, segundo a sua narrativa, os laços formais da igualdade de oportunidades e perante à lei, pois uma sociedade justa e igualitária precisa contemplar igualmente outras formas de igualdade social.

A carga simbólica da direita é diametralmente oposta à da esquerda por entender que o provimento da justiça se dá mediante a manutenção da ordem e dos preceitos da liberdade política. A direita acredita, em certa medida, que a desigualdade é dado natural e que nenhuma engenharia social pode alterar este fato. Superar a desigualdade entre indivíduos e grupos humanos seria, portanto, a negação da própria estrutura da realidade.

Esquerda e direita simbolizam os dois arquétipos mais significativos da maneira de se fazer política na modernidade, pois elucidam dois determinismos humanos: a igualdade e a liberdade. A transformação desse ideal em políticas, em meios de ação, marca a forte polaridade entre grupos políticos e rótulos partidários. Tanto a política brasileira quanto a política de outras nações são orientadas por estes momentos de apoteose ideológica.

O poder das ideias ainda diz muito sobre o que somos e o que queremos. A sociedade democrática é certamente o campo de forças, onde os atores jogam para vencer. Um campo de batalha das ideais num ambiente de incertezas.

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