Manaus, 23 de Setembro de 2018
Siga o JCAM:

Comércio bilateral Brasil-Peru

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
23 Abr 2018, 19h38

Crédito:Divulgação
A ligação do Peru com o Brasil é antiga. Foi de lá, vindo de Iquitos, que o espanhol Francisco Orellana seguiu até o Atlântico, em 1541, mostrando ser viável a navegação por aquele rio que ele desbravou e acabaria por nominar de rio Amazonas.

Nesses mais de quatro séculos a região viu surgir inúmeras cidades ao longo do rio, mas o comércio pouco prosperou, mesmo quando a exploração da borracha movimentou grandes somas de dinheiro nos dois países, entre 1890 e 1910. O peruano Alejandro Salinas, de Lima, quer começar a mudar essa situação com a venda de produtos peruanos para Manaus e de Manaus para Lima, através de balsas, mas principalmente por via aérea.

"Trabalho com turismo há mais de 20 anos e conheço muito bem a região amazônica, suas potencialidades e as dificuldades para a sua exploração sustentável, mas nada que não se possa vencer. No Peru, eu e meu irmão Manoel Herrera, sócio no empreendimento, temos a empresa Perbra Holding, que dará suporte ao negócio, lá, em Lima. Aqui temos o sócio André Botelho, que fica no escritório local, no quilômetro 14 da BR-174", falou Alejandro.

"Há muito vemos em Manaus os supermercados vendendo frutas e verduras trazidas do Sudeste do Brasil depois que temos os mesmos produtos aqui no Peru, que é mais perto cerca de 450 km. Somos grandes produtores de frutas (principalmente morango, uva, abacate e tangerina), verduras (couve-flor, tomate, repolho, cenoura, berinjela, brócolis), peixes e tubérculos. Peixes são de mar, do Pacífico, além de lulas e mexilhões. Lima fica no litoral. Não pretendemos trazer peixes de rio, isso é óbvio, porque praticamente são os mesmos daqui. Quanto aos tubérculos, pretendemos comercializar batatas, um dos alimentos mais consumidos no mundo. Temos, no Peru, mais de 3.000 variedades de batatas, desenvolvidas ao longo de milhares de anos pelos Incas e até hoje fazendo parte da alimentação da população peruana, mas lógico, que não iremos trazer toda essa quantidade de espécies para Manaus, porque os hábitos alimentares aqui são outros, então traremos aquelas mais parecidas com as existentes aqui", esclareceu.
"Também poderão vir insumos da Ásia para o Polo Industrial de Manaus, e mesmo outras mercadorias. De Lima essa carga irá de trem até o Ucayali, onde será despachada nas balsas. Atualmente essa viagem, em cargueiros, é feita ou pela América Central, pelo Canal do Panamá; ou pelo sul da América do Sul", afirmou.

De balsa e de avião

"Os agricultores do Amazonas não precisam ficar preocupados porque não é nosso interesse trazer nada do que já é produzido no Estado.

De balsa, pelo rio Ucayali, seguiremos até o rio Solimões, já no Brasil. A viagem demora, em média, 13 dias e uma balsa tem capacidade para transportar 700 toneladas", disse.

"De avião o voo demora 6h, e já temos disponível um cargueiro L 100/20. Precisamos preencher um container com 18 toneladas para compensar a viagem", adiantou.

"De Manaus para Lima queremos levar produtos produzidos no Polo Industrial, principalmente motos, ar-condicionados e TVs, inclusive a ideia era levar TVs o mais rápido possível, pois o Peru está sem participar de uma Copa do Mundo desde 1982 e volta agora, na Rússia.

Com certeza, como os brasileiros, os peruanos são torcedores fanáticos e irão querer ver a nossa seleção em televisores novos", garantiu.

"Sabemos que o Ministério da Agricultura do Peru está fomentando a exportação de produtos agrícolas do Peru para o Brasil, da mesma forma que o Ministério da Agricultura do Brasil. Na semana passada vi um anúncio de que o Peru abriu seu mercado para a carne suína brasileira. Há cerca de três meses, o Brasil havia recebido uma missão do Peru para uma negociação destinada ao início das exportações de cortes suínos àquele mercado, mas isso é apenas uma parte do que se pretende negociar entre os dois países", contou.

"Estamos aguardando empresas entrarem em contato conosco para viabilizarmos os negócios pelo (92) 9 9440-1015; herrera@perbraholding.com

Números do Peru

Os principais setores econômicos do Peru são a mineração e a agricultura. O PIB do país, em 2016, foi de US$ 210 bilhões. No ranking econômico mundial o Peru estava na 47ª posição, em 2016; com taxa de crescimento do PIB de 2,7%, em 2017. Principais produtos agropecuários produzidos: café, cacau, cana-de-açúcar, algodão, aspargos, arroz, milho e batata; principais produtos industrializados produzidos: tecidos, derivados de pesca, cimento, alimentos processados, aço; principais produtos exportados: cobre, ouro, estanho, zinco, minério de ferro e petróleo; principais produtos importados: derivados de petróleo, produtos químicos, máquinas, veículos e aparelhos eletrônicos; principais parceiros econômicos (exportação): Estados Unidos, China, Suíça e Canadá; principais parceiros econômicos (importação): Estados Unidos, China, Brasil e Equador.

Comentários (0)

Deixe seu Comentário