Manaus, 24 de Setembro de 2018
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"É preciso equalizar a política industrial"

Por: Caubi Cerquinho
23 Abr 2018, 13h56

Crédito:Walter Mendes
No próximo mês o amazonense de 42 anos, formado pela Universidade Federal do Amazonas em administração, especialista em Comércio Exterior, José Jorge do Nascimento Júnior vai se tornar o presidente executivo da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos). A entidade reúne as maiores fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos de consumo do país. Jorge Júnior, como é carinhosamente conhecido, é casado e pai de dois filhos. Com o novo cargo a família vai ter que se mudar para São Paulo, local da sede da Eletros. Jorge Júnior ao assumir no dia 2 de maio, substitui Lourival Kiçula, que durante onze anos comandou a instituição empresarial. Por 13 anos, Jorge Júnior foi funcionário da Suframa onde exerceu entre outras funções o cargo de coordenador geral de acompanhamento de projetos industriais e também foi o coordenador geral de Comunicação Social. Além disso participou ativamente do grupo de promoção comercial da Zona Franca de Manaus onde se realizou várias ações entre elas a Feira Internacional da Amazônia, ainda como técnico esteve envolvido na área de planejamento onde foi desenvolvido uma das revisões do replanejamento da Suframa. Pela Suframa teve a oportunidade de conhecer todo o interior do Estado, além de seis a sete países. No Estado foi Secretário de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, nos governos José Melo e David Almeida. Atualmente, ele exerce a função de diretor do Centro de Cooperação Técnica do Interior (CCoti) da Assembleia Legislativa do Amazonas.

Jornal do Comercio - Como surgiu a oportunidade de comandar a Eletros?
Jorge Júnior - Eu recebi uma ligação, alguém me informando que o atual dirigente da Eletros, senhor Lourival Kiçula estaria se aposentando e que o Conselho estava convidando pessoas para participar de um processo seletivo que escolheria o novo presidente. Me perguntaram se eu estava interessado. Respondi que sim e enviei o meu currículo. Depois de um tempo, me avisaram que eu estava entre os finalistas. Depois, participei de uma longa entrevista. Após alguns dias me comunicaram que eu tinha sido o escolhido para dirigir a Eletros.

JC - Como profundo conhecedor do Modelo Zona Franca, um amazonense na direção maior da Eletros. Tudo isso cria uma enorme expectativa do empresariado local. Como o senhor recebe essa missão?
Jorge Júnior - É um brasileiro assumindo uma entidade de classe. O grande diferencial de eu ser um brasileiro do Amazonas assumindo uma entidade de classe como essa de abrangência nacional é que as discussões que eu participar sobre políticas industriais para o Brasil, vai ter ali uma pessoa que é conhecedora das dificuldades, das distâncias, dos custos amazônicos, do pensamento fora do eixo Rio-São Paulo, Sul, Sudeste. Vai ser um cara que vai dizer, olha, essa política aqui é perfeita para cá, mas aqui pra cima, pra região, nós temos outras coisas que, nós teremos que equalizar, pois se não a política só terá efeito numa parte do país e não nele plenamente. Acho que minha participação não vai ser algo de esquecer o resto do país e só pensar na região Norte ou no Amazonas ou ao contrário, continuar tendo aquela visão, mas sim um cara que vai pensar na política industrial nacional, mas com o conhecimento das dificuldades amazônicas.

JC - Nesse momento muitas propostas no Congresso Naciolnal ameaçam a Zona Franca de Manaus. Como o senhor, pode ajudar o modelo nessa questão?
Jorge Júnior - Enquanto estive na Suframa, eu era o representante do órgão no Grupo Técnico de Processo Produtivo Básico (PPBGT). O PPB é a contrapartida obrigatória, ele é que é a política industrial para a Zona Franca de Manaus, por isso adquiri uma experiência e conheço bem Brasília. Toda essa discussão sempre teve a participação das entidades de classe. Eu estou do outro lado da mesa agora, eu vou poder trabalhar para fomentar, para incentivar, pra facilitar o dia a dia da indústria, e o dia a dia da indústria não é somente aumentar o emprego na indústria, mas, gerar emprego,pagar mais imposto, enfim, fazer a roda girar, só que com uma experiência agora, utilizando uma patente, uma entidade de classe nacional, representativa demais. Mas com experiência do serviço público. Esse vai ser o caminho das pedras.

JC - Como gargalo do modelo Zona Franca de Manaus, temos a dificuldade de Logística. Como atenuar ou resolver esse problema?
Jorge Júnior - Nós temos 51 anos de Zona Franca de Manaus e os incentivos fiscais foram criados por conta das distâncias, por estarmos longe do centro consumidor e pela dificuldade de logística. Só que até hoje não foi pensado pelo Poder Público e bem timidamente pela iniciativa privada soluções para nós reduzirmos esses custos logísticos, principalmente quanto a questão de transporte. Acredito que já passou da hora de alguém puxar essa discussão, pois todos vão ganhar. Importante ressaltar que quando se melhora a logística na Amazônia, ao contrário dos que muitos pensam que vai aumentar a devastação, prejudicando o meio ambiente, nós vamos dar a possibilidade de aumentar a renda, aumentar a geração de emprego, de se pagar mais imposto, pois a economia vai estar funcionando e aliada a isso, as políticas ambientais que são bastante rigorosas devem ser cumpridas e nós vamos cumprir.

JC - Por falar em meio ambiente como a sustentabilidade é vista pela Eletros?
Jorge Júnior - Obrigado pela pergunta, pois um dos motes da Eletros, é exatamente a sustentabilidade. Por ser representante, por nós vendermos produtos eletroeletrônicos, o consumo de energia é uma coisa que nós levamos muito a sério. Nós já trabalhamos com a produção reduzida, o consumo cada vez menor de energia por parte de nossos produtos, aliados a uma política ambiental, por isso sustentabilidade é uma das bandeiras da Eletros. Acredito também que todo esse conhecimento que eu tenho aqui sobre a importância da Amazônia e do meio ambiente, devemos ampliar essa discussão não somente para a importância da Amazônia para a região, mas a importância para o Brasil, ter uma bandeira nacional.

JC - E o futuro da indústria eletroeletrônica?
Jorge Júnior - Nós vamos ampliar as ações da Eletros. O atual presidente, dr. Kiçula, ele abriu muitas portas, ele trouxe a Eletros para a pauta nacional. Eu tenho um grande desafio que é fazer com que a Eletros participe das rodadas de discussões, colocando com muito respeito, mas com muita determinação quais são as nossas necessidades, quais são nossas ideias de soluções.

JC - O Brasil em breve vai se envolver nas eleições. Como vai se posicionar a Eletros?
Jorge Júnior - Na verdade, o que nós devemos apresentar em breve é o que nós entendemos o que é importante e necessário para uma política industrial nacional no segmento de eletroeletrônico e de eletrodoméstico. Nossa participação na política partidária se dará de forma que devemos apresentar para os candidatos à Presidência da República, aos candidatos a governador e parlamentares dos Estados onde estão nossos associados, uma pauta de discussão e compromisso, de comprometimento do que nós entendemos que é importante para a indústria nacional, para fomentar e atrair negócios, fortalecer os negócios existentes, para que a gente possa aumentar a geração de emprego e de renda.

JC - Até a volta, já como presidente da Eletros.
Jorge Júnior - Agradeço e sei que tenho também como missão, tornar a Eletros mais conhecida na região. Por isso estarei sempre por aqui.

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