Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Um mercado de mais de US$ 200 milhões

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
16 Abr 2018, 13h55

Crédito:Walter Mendes
Com grande impacto socioeconômico na região, o segmento de bebidas do PIM (Polo Industrial de Manaus), gera mais de 2,2 mil empregos e possui uma alta demanda por insumos nativos, com destaque para o guaraná. Segundo os indicadores de desempenho da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a média de investimento do subsetor foi de US$ 85,7 milhões no ano passado, com faturamento na ordem de US$ 283,2 milhões. Em reais, o montante é de R$ 906,2 milhões, significando um incremento de mais de 33% na comparação com 2016 (R$ 680,3 milhões). O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, destaca que o setor de bebidas e concentrados vem crescendo nos últimos anos e tem uma abrangência importante para o Amazonas. "Essa atividade não inclui somente a capital do Estado, mas incorpora também o interior com a produção dos insumos nativos da agricultura familiar. Isso movimenta a economia regional gerando emprego e renda", avalia.

Segundo ele, embora o segmento de bebidas esteja em expansão e em alguns casos até já esteja consolidado, como a produção de guaraná no município de Maués (356 km de Manaus), é preciso incentivar mais produtores locais para atrair novos investimentos e incentivar o consumo. "Aqui existe uma cadeia produtiva muito grande e ao sair da capital, é interessante observar que a atividade através de grandes marcas compartilha e participa diretamente da cultura regional, como o Festival de Parintins e de Ópera", comenta. Inclusive a produção do pó de guaraná em Maués deve aumentar em até 80% com o recebimento do fomento do FPS (Fundo de Promoção Social e Erradicação da Pobreza). Os materiais permanentes como máquina para descascar guaraná com sistema de coleta de pó e casquilho foram entregues nessa sexta-feira (13), na sede da CoperMaués (Cooperativa Agropecuária dos Produtores Rurais de Maués). Agora a cooperativa vai poder melhorar as condições de trabalho dos cooperados e vai poder estruturar a usina para que o trabalho seja mais rápido e organizado.

Périco acrescenta que esse é um passo importante para consolidar o subsetor do PIM, no entanto diz que é preciso criar outras políticas públicas que visam explorar as potencialidades do interior de forma sustentável com intuito de descentralizar a economia do Estado da indústria. "Temos a mineração, floricultura, piscicultura entre outras opções diversificadas na natureza. Agora não é só focar no extrativismo, e sim trazer as indústrias para a região. Ou seja, é necessário uma série de ações interligadas a longo prazo", analisa.

Os concentrados para a elaboração de bebidas, continuam sendo o principal item de exportação do Amazonas. De acordo com Balança Comercial amazonense, o produto foi o grande responsável pela alta de quase 50% nas exportações no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2017.

De acordo com os números do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), de janeiro a março foram vendidos ao exterior o equivalente a US$ 44,2 milhões em preparações para a elaboração de bebidas, montante que representa um aumento de 7,38% frente a igual período do ano passado.

O gerente-executivo do CIN-AM (Centro Internacional de Negócios do Amazonas), Marcelo Lima, destaca que a matéria-prima exerce influência significativa no resultado das exportações por ter demanda de mercado. "Dentro desse cenário, a empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda continua liderando as vendas amazonenses ao exterior. As outras empresas e marcas atendem o mercado interno", disse.

Principais marcas de bebidas

Do Grupo Simões, a Manaus Refrigerantes tem a concessão da marca Coca-Cola na região e também fabrica o guaraná Tuchaua e a água mineral Belágua. A empresa tem capacidade de envasar 37,8 mil unidades por hora ou 787,5 mil caixas com 24 latas por mês. O grupo ainda está presente no Pará e Rondônia.

Tuchaua

O Tuchaua está no mercado desde 1944 e seu nome indígena pode ser traduzido livremente para 'aquele que manda', 'quem tem influência', 'o manda-chuva'. A marca foi adquirida pela Coca-Cola e curiosamente no Estado do Pará é com esta a maior briga pelo mercado.

Baré

Uma das marcas mais conhecidas em Manaus, o guaraná Baré foi criado em 1960 e se popularizou nacionalmente a partir de 1987, ano em que a marca lançou refrigerantes no sabor cola e tutti-frutti. Atualmente, a marca é da AmBev. O Baré é encontrado no Acre, Maranhão, Pará, Rondônia e em Brasília (DF).

Santa Cláudia

Operando desde 1964, a Santa Cláudia ocupa a liderança no mercado de água mineral e refrigerante de guaraná com cobertura de 90% só em Manaus, totalizando mais de 17,8 mil pontos de venda. No interior a cobertura da empresa é de 100% e ganhou espaço no mercado do Pará, Roraima e Acre.

Real

Considerado por sites especializados em guaranás, como um dos melhores refrigerantes do Brasil, o Real é produzido com extrato de guaraná natural, tem pouco açúcar e um fundo amargo. O refrigerante que nasceu no grupo Santa Cláudia, pode ser encontrado no Oeste do Pará, em Roraima e no Acre.

Magistral

Produzido pela J. Cruz Indústria e Comércio Ltda, que se intitula a mais tradicional indústria de refrigerante de guaraná do Amazonas, o Magistral é outra tradicional marca que se modernizou, mudando de formato e de design. O Regente, também vem acompanhando os novos tempos. Os produtos Magistral podem se encontrados em vários municípios do Amazonas e também nos Estados de Roraima e sul do Pará.

Minalar

Com 31 anos no mercado, a Minalar capta água de poços artesianos de mais de 120 metros de profundidade. Na empresa, são envasados garrafões de 20, 10 e 5 litros e de garrafas de 1,5 litros, 500 ml e 300 ml, bem como, copinhos com 200 ml. Ela detém 15% do mercado regional, mas também atende parte de Roraima.

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