Manaus, 18 de Setembro de 2018
Siga o JCAM:

"Política da intolerância não conduz a nada"

Por: Tânair Maria
13 Abr 2018, 19h51

Crédito:Divulgação
Serafim Corrêa é economista, advogado e político brasileiro. Desde 1993 é presidente regional do PSB (Partido Socialista Brasileiro). Em 2004, foi prefeito de Manaus e hoje é deputado estadual eleito em 2014 com 30.501 votos. Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal do Commercio, Serafim faz uma dura avaliação da atual conjuntura política e os caminhos para as eleições em outubro deste ano. Mas, ele tem razões para acreditar que o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, será candidato à presidente de República e chegará ao segundo turno do pleito, em 2018, inclusive com o decisivo papel das redes sociais.

E quando o assunto é Saúde, Educação e Economia, Serafim chama a atenção para o descaso e a morosidade no trato com a coisa pública. O deputado aproveita para fazer um alerta à classe empresarial, aos políticos e à população amazonense, em geral: "A economia do interior do Estado pode sofrer um duro golpe, por uma ação absolutamente equivocada, do governo do Estado que quer tirar o crédito fiscal de ICMS nas vendas das indústrias do interior do Estado para Manaus", acompanhe agora a íntegra dessa entrevista:

Jornal do Commercio - Em outubro teremos uma nova eleição geral no país. Como o deputado avalia esse momento, polêmico, da política no Brasil?
Serafim Corrêa - Um momento muito tenso. O Brasil está tomado pelo ódio e pela intolerância e isso é muito ruim. Eu entendo que a política é a forma de se conduzir as coisas, objetivando o melhor para todos. Essa política do ódio e da intolerância, no entanto, ela não conduz a nada, a não ser a destruição de uns e de outros.
Portanto, na minha leitura, nós temos que fazer das eleições, esse é o desafio que está colocado para a classe política, o grande momento de nas divergências construir alguma convergência. Porque o Brasil tem tudo para avançar, mas há anos está patinando. O que eu espero é que as eleições deste ano permitam um reencontro da nação brasileira.

JC - Aqui, no Amazonas, algumas articulações e movimentações continuaram no dia seguinte após o fechamento da janela de transferência entre os partidos. Qual a explicação para esse comportamento político?
Serafim - Os nossos partidos são muito jovens. Eles na verdade tem 38 anos, de 1980 para cá. Portanto, são partidos jovens. Com a cláusula de barreira, as modificações que foram introduzidas na legislação, ano passado, no dia 8 de outubro, nós teremos no máximo 12 partidos e aí nós já vamos ter uma nova costura. O quadro ideológico vai ficar melhor definido, quem pensa de um jeito, quem pensa do outro.
Já vai ser melhor a relação com o parlamento e eu espero que a reforma política que estabeleceu cláusula de desempenhos, que estabeleceu regras de distribuição de tempo de televisão e de fundo partidário, permitam que a organização política dos partidos melhore cada vez mais. E que nós possamos ir construindo, efetivamente, um sistema eleitoral que tenha um mínimo de racionalidade, que hoje não tem.

JC - Ainda nesta questão da janela de transferência, o Estado do Amazonas tem uma certa independência política, que parece não seguir as articulações dos partidos no âmbito nacional. Os presidentes nacionais dos partidos políticos não interferem nas decisões entre os políticos amazonenses?
Serafim - Eu acho exatamente o inverso. Nunca, as direções nacionais tiveram tanta interferência e por uma razão simples, é que acabaram as doações de pessoas jurídicas. Agora só pode pessoa física, o que no Brasil ainda é uma ficção e o dinheiro do fundo partidário ou do fundo de campanha, que é controlado pelas direções nacionais. Então, os partidos nos Estados vão fazer aliança que a direção nacional determinar para eles. Não vai ter possibilidade de fazer qualquer coisa, fora do controle da direção nacional dos partidos. E nós vimos aí mudanças de última hora, troca de comando, a entrada e saída de deputados em partidos políticos, exatamente porque as direções nacionais tomaram essas decisões. Por isso, ao meu ver, é o oposto da sua pergunta, a direção nacional mais do que nunca vai ter poder de fogo nessas eleições.

JC - No domingo passado houve uma nova denúncia na área da saúde pública, veiculada em cadeia nacional, onde o governo do Amazonas pagou com dinheiro público despesas hospitalares de autoridades e amigos. Quais são as consequências dessa denúncia formalizada pelo MPE e MPF?
Serafim - Eu lamento tudo isso, mas vejo que o Ministério Público tomou a iniciativa, embora muitos anos depois que os fatos ocorridos. E agora com a questão entregue a Justiça, caberá aguardar o desenrolar dos acontecimentos. É claro que a sociedade como um todo ficou indignada, principalmente, porque as filas na saúde continuam. Embora o governo do Estado faça uma propaganda intensa na televisão, a realidade que nós temos nos hospitais nunca foi tão ruim como é agora.

JC - Como o senhor recebeu a notícia de filiação do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa no PSB?
Serafim - É uma lufada de ar novo, inclusive na disputa presidencial. Há todo um esforço do partido para que ele se convença em aceitar ser candidato a presidente da República. Creio que ele entrando na disputa, - eu não estou dizendo que ele já ganhou, não é isso -, eu estou dizendo que ele entrando na disputa vai alterar significativamente o quadro. E, eu tenho muitas razões para achar que ele irá ao segundo turno.

JC - E o senhor, deputado, já definiu a sua candidatura para disputar este pleito?
Serafim - Nós vamos definir isso em junho. O partido tem clareza da correlação de forças. Tem clareza de que nós precisamos ter alianças. Nós precisamos construir com as forças que tradicionalmente ficaram em oposição ao atual stateless man. E vamos caminhar por aí, para oferecer uma boa alternativa para um Amazonas novo, mais célere, mais articulado, mais transparente. Em que haja mais diálogo, mais conversa e que possamos superar as nossas dificuldades.

JC - Na sua opinião, seria mais interessante continuar atuando aqui no Amazonas ou disputar uma vaga na Câmara Federal ou até no Senado?
Serafim - Eu me disponho a fazer aquilo que for melhor para o Estado e para o meu partido. Eu estou no mesmo partido há 32 anos e tenho toda uma vida comprometida nessa linha, sempre trabalhando em sintonia com os companheiros e entendo que nós vamos procurar fazer o melhor. Que Deus nos ilumine e permita que isso ocorra.

JC - Nesse sentido, o senhor tem se empenhado em levar melhorias para os municípios do interior do Estado através de emenda parlamentar, a exemplo de Parintins. Quais ações estão sendo implementadas para fomentar a economia e a geração de emprego e renda?
Serafim - O deputado tem direito a apresentar um determinado número de emendas. Todos fizeram isso, eu não sou diferente dos outros e também fiz. O objetivo é que cada uma possa dar a sua contribuição para aqueles setores que demandaram e que, de uma forma ou de outra, dentro do limite procurou atender. Agora, a economia do interior do Estado pode sofrer um duro golpe por uma ação absolutamente equivocada do governo do Estado que quer tirar o crédito fiscal de ICMS nas vendas das indústrias do interior do Estado para Manaus.
De acordo com o Convênio 6588 do Confaz, quando a venda é de fora da Zona Franca de Manaus para dentro da Zona Franca de Manaus, não paga ICMS e gera crédito. O governo do Estado está acabando com isso. Acabar com isso significa dizer que as poucas indústrias no interior, concorrem em dificuldades quando comparadas com indústrias, por exemplo, de Santarém. Eu dou o exemplo das olarias do Iranduba, do outro lado da ponte sobre o Rio Negro, que não dando o crédito de ICMS vai ficar mais barato trazer tijolo de Santarém. Isso é uma tragédia, porque as olarias de Iranduba serão fechadas porque vão perder competitividade. É um equívoco. Eu apresentei uma emenda para retirar essa parte e espero que a Assembleia aprove a emenda e evite isso que eu considero uma tragédia com relação ao nosso interior.

JC - O Polo Industrial de Manaus já foi responsável pelo desenvolvimento sustentável da região, mas que vem diminuindo sua força. Hoje a atividade industrial representa, em média, 50% de toda a arrecadação de ICMS para o Estado. Qual a sua avaliação?
Serafim - O polo industrial é fundamental para nós e nós dependemos do Brasil. Quando o Brasil tem uma gripe nós pegamos uma pneumonia. O inverso é verdadeiro, quando Brasil melhora e tem uma renda melhor, nós aumentamos as nossas vendas. Este ano vai ser um bom. É ano de copa do mundo. Ano que vende muitas televisões e eu tenho a certeza que inclusive a arrecadação do Estado crescerá em decorrência disso. Os dois próximos meses, maio e junho, serão decisivos nessa direção.

JC - A última pergunta é sobre o uso das redes sociais pelos políticos. Entre vários exemplos, positivos e negativos, destacamos os presidentes Temer (BRA) e Trump (EUA) e, o deputado também se adaptou às redes sociais. Como o senhor vê essa reciprocidade?
Serafim - Hoje o mundo é outro. A internet diminuiu as fronteiras e ela aproximou o político do cidadão. O político que não entender isso está morto. Eu tenho, é claro, mas os meus netos operam a internet com muito mais rapidez do que eu. Mas eu procuro usar da forma mais eficiente possível, as redes sociais.

Comentários (0)

Deixe seu Comentário