Manaus, 16 de Novembro de 2018
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R$ 7 bi podem ser investidos no AM

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
11 Abr 2018, 13h38

Crédito:Walter Mendes
Com perspectivas de melhora econômica, o setor de saúde ganha atenção de fundos de investimentos e projeta um desempenho melhor para 2018, sobretudo o mercado da saúde privada. De olho nisso, grandes grupos e operadoras hospitalares dominantes no eixo Rio-São Paulo se preparam agora para expandir e diversificar seus negócios para regiões como o Norte e Nordeste. No Amazonas, a estimativa é investir em torno de R$ 7 bilhões nesse segmento. É o que afirma o economista e consultor da PTRUS Consultoria, especializada em fusões e aquisições na área hospitalar, Edgar Costa. "No nosso ponto de vista, o mercado local tem atraído alguns grupos hospitalares porque diferente do eixo Rio-SP, não tem um grande processo de concentração desses negócios. E tem uma importância na medida em que que se consegue pela forma de gestão ter um resultado maior e rápido. Além disso, tem a questão social", afirma Costa.

O especialista explicou que desde 2015 o mercado de saúde nacional vem mudando, o que permitiu a abertura de negócios estrangeiros para a aquisição de hospitais e planos de saúde. Esse movimento favoreceu a compra dos melhores grupos de regiões como Sudeste e Centro Oeste provocando uma saturação da atividade.

Representando cinco dos maiores grupos hospitalares do país, Costa está em visita a Manaus para conhecer alguns ativos e operadoras regionais para fechar possíveis parcerias. "Vim analisar os hospitais e entender o mercado local, bem como verificar as operadoras de saúde que possam ser interessantes para o nosso grupo. E só depois apresentar uma proposta. Mas viemos para fazer algo diferente, competir e conquistar mercado", destaca.

Segundo ele, com investimento previsto de R$ 3 bi a R$ 7 bi na região, alguns critérios estão sendo levados em consideração na hora de determinar à empresa eleita. "Ela tem que ter, pelo menos, 50 mil vidas e 100 leitos para começarmos a considerar os números. Isso porque esse montante investido trará uma estrutura diferenciada e moderna, a exemplos dos hospitais de SP, Sírio Libanês e Albert Einstein", disse. Em três anos, a expectativa do grupo é chegar a 100 mil vidas e 300 leitos. Sobre o tempo para a instalação em Manaus, Costa explicou que depende de uma análise detalhada e criteriosas dos ativos. "O foco inicial é atender os critérios acima e no segundo momento é verificar a saúde financeira dos hospitais e das operadoras interessadas. A celeridade do fornecimento de dados e informações claras do ativo em questão, influencia na rapidez da proposta. Mas a média é de no máximo um ano", adiantou o especialista.

Costa também comentou que após o 'boom' do mercado hospitalar, ocorrido alguns anos atrás no país, a maioria dos ativos dominantes não investiram em novas tecnologias e nem em inovações. "Isso deu margem para a entrada de novos, que abocanharam uma fatia de mercado que não estava sendo trabalhada pelo ativo dominante. E com isso, cobra-se mais barato para o novo entrante e permitiu que o mercado crescesse novamente", explica. Ainda segundo ele, a previsão do mercado é de que nos próximos cinco anos, metade dos hospitais particulares do país 'quebrem'. Atualmente, são em torno de 7 mil unidades privadas distribuídas em todas as regiões. "Para se ter ideia, Manaus perdeu de 100 a 300 mil vidas com a crise, e claro refletiu na perda de clientes das operadoras". "Todos tem dificuldade, mas isso torna um bom momento para encontrar ativo local, comprar, pegar a infraestrutura e preparar para que o paciente não precise sair daqui para outros centros atrás de atendimento. Acredito que com a economia voltando entre 2020 a 2021, esse número de vidas perdidas voltem junto com as empresas contratando", finaliza.

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