Manaus, 22 de Setembro de 2018
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Reconhecimento de um grande empresário

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
10 Abr 2018, 19h17

Crédito:Walter Mendes
No próximo dia 17 de maio a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e o Cieam (Centro da Indústria dos Estado do Amazonas), irá entregar o título de Industrial do Ano 2018 ao empresário Cláudio Antônio Barrella, sócio diretor da Tutiplast Indústria e Comércio Ltda. Cláudio aguarda com ansiedade a homenagem pelo reconhecimento de seus 42 anos de Manaus, primeiro como empregado em várias empresas do Polo Industrial de Manaus, e há 24 anos como proprietário da Tutiplast.

Cláudio chegou a Manaus, em 1976, vindo de São Paulo, quando as primeiras indústrias ainda estavam se instalando no Distrito Industrial. "Havia me formado em engenharia química e consegui emprego como diretor industrial na Espuma Coco que, entre outros produtos, produziu o primeiro detergente biodegradável do Brasil. Naquela época a Zona Franca estava fervilhante, com o comércio pujante e grandes oportunidades de empregos. No Sul as pessoas não tinham ideia do que havia de produtos importados em Manaus e quando sabiam, ficavam loucas. Os melhores eletroeletrônicos produzidos no mundo podiam ser encontrados em Manaus", contou.

"Eu, com 28 anos, solteiro, gostei do calor humano do povo daqui e não quis mais voltar para São Paulo", lembrou.

Naquele mesmo ano Cláudio saiu da Espuma Coco e foi chamado para ativar a Proplast, do empresário Jonas Martins Lopes, que fazia sacolas plásticas. "Ele havia morrido e a família me chamou para fazer a empresa funcionar. Depois a Proplast virou Amaplast. Foi a partir dali que comecei a trabalhar com injeção plástica e não parei mais até hoje", falou.

No currículo de Cláudio constam ainda a MAC (Manaus Amazonas Cassetes), que produzia fitas cassete. "Na realidade, as fitas vinham de fora. Aqui produzíamos as caixinhas e montávamos os cassetes", recordou. Depois Isteam, fábrica de isopor. "Produzíamos tanto as chapas de isopor quanto as embalagens, aquelas que até hoje envolvem os aparelhos eletroeletrônicos", lembrou.

Em 1981 Cláudio já estava trabalhando na Gillete, como superintendente de instrumentos de escrita. "Fui o primeiro superintendente contratado aqui em Manaus. Todos os demais vinham do Rio ou de São Paulo. Era responsável pela área de canetas e isqueiros", disse. Dois anos depois Cláudio já trabalhava na Tubozim, produzindo gabinetes de plástico e caixas de madeira para TV, e presenciou o crescimento vertiginoso da empresa. "Comecei como supervisor de injeção e saí, oito anos depois, como gerente industrial. De 2.000 m2 a empresa chegou a 12.000 m2, com quase 700 funcionários", recordou. Finalmente ele trabalhou na Plimel, empresa formada por ex-diretores da CCE e lá criou um pequeno pote transparente para acondicionar pílulas. "Vendíamos 30 mil desses potes por mês", afirmou.

O Complexo Industrial Barrella

Mas chegara a hora de Cláudio alçar voos mais altos. "Em São Paulo, ainda na faculdade, dizia para meu pai, brincando, que um dia iria ser o dono do Complexo Industrial Barrella. Desde o meu primeiro emprego, em Manaus, sonhava em ter meu próprio negócio", revelou.

Em 1994 surgiu a Tutiplast, montada numa garagem, no bairro da Glória. "Eu havia comprado três máquinas injetoras usadas e fazia essas letrinhas do teclado dos computadores para a Keytec. Naquela época, durante uns três anos, eu catava caixas de papelão usadas para acondicionar meus produtos", recordou. "O negócio deslanchou quando comecei a produzir suportes para gabinetes de TV. São umas peças pequenas, que se encaixavam junto com os parafusos, mas eu produzia milhões delas por mês", disse.

Três anos depois, em 1997, Cláudio passou para um local maior, no Santo Antonio, onde a Semp Toshiba começara. "Estava com seis máquinas injetoras e produzia uns 50 itens diferentes e empregando 130 funcionários. Continuei comprando máquinas usadas até a vigésima, quando deu para começar a comprar as novas, americanas, alemãs, chinesas. Antes disso, porém, comprava máquinas seminovas, e guardava num galpão. Quando já tinha umas dez, em 2000, resolvi começar a usá-las. Juntando estas e as que já estavam na ativa, passei a produzir mais de 200 itens, sempre pequenos e médios, como até hoje", explicou.

Em 2001 a Tutiplast veio para o lugar atual, no Armando Mendes. "Já cheguei a ter 150 máquinas injetoras, mas hoje tenho 80, porque as mais modernas substituíram algumas antigas. Ocupamos uma área de 10.000 m2, empregando 550 funcionários e mais 100 terceirizados. Hoje produzimos 1.200 itens, com destaque para os cinco milhões/mês de carregadores de celular da Salcomp, e as 200 mil/mês capas de máquinas de cartões da Transire. Já temos uma fábrica na Bahia e estamos abrindo outra na Paraíba, ambas produzindo itens na área automobilística. No total temos quase 1.000 funcionários", listou.

Cláudio lembra que a única vez que sua empresa ficou no vermelho foi em 2016, devido à crise econômica no país, mas que este ano já está com um faturamento 10% maior que o mesmo período do ano passado, quando a empresa se recuperou do baque do ano anterior.

"Estou orgulhoso com esse título de Industrial do Ano, pois eu sou um empreendedor que saiu do zero, investiu recursos próprio, sempre com pé no chão, e cheguei aonde cheguei. Meus filhos, assim como meu pai que não chegou a ver eu me tornar empresário, ficarão orgulhosos de ver meu nome entre os empresários de sucesso no Amazonas. Esse reconhecimento também serve para os demais colegas componentistas, que como eu começaram do zero, meus colaboradores e meus clientes", concluiu.

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