Manaus, 19 de Novembro de 2018
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A importância do desenvolvimento econômico regional - Amazonas - 1

Por: Da Redação por Nilson Pimentel
06 Abr 2018, 14h52

Em discussão recente em hangout 'Rodada de Temas Econômicos' que afetam a vida dos habitantes de países do mundo, se identificou dois grandes assuntos de ordem mundial que tiveram algumas análises superficiais da mídia especializada em economia, assim destacamos as reeleições de Vladimir Vladimirovitch Putin, "o novo Czar", com 76% dos votos, na Rússia e de Xi Jiping, indiscutivelmente o homem mais poderoso da China desde a época de Mao Tsé-Tung, passando por Deng Xiaoping, "o novo imperador vermelho", na China.

O líder chinês atua movido por uma visão estratégica de longo prazo: levar a China a uma posição de grandeza global. Esses fatos mudarão o mundo, tanto na política, quanto nas relações econômicas. No entanto, aqui para o regional local o que nos interessa é a questão do desenvolvimento econômico do Amazonas, sendo que esse assunto atualmente encontra-se em evidência, haja vista, outras características que teimam em repetir ou dar continuidade ao passado, de inépcia e de engodo social.
No Amazonas a sociedade não se tem mais tempo e nem paciência, pois se a luta é árdua, as controvérsias internas, 'fogo amigo', - burrocracias institucionais, SUFRAMA, SEPLANCTI, SEFAZ, IPAAM, SEMAS, IMPLURB, SEMEF, etc, etc, etc -, ausência do componente de meritocracia e da matéria prima de maior relevância - o conhecimento, insistem na cultura do atraso implantada nesses 51 anos do projeto Zona Franca de Manaus (ZFM). O desenvolvimento econômico regional além da transversalidade decorre do conhecimento das economias regionais locais em seus espaços territoriais e das possibilidades de oportunidades que se tem dos empreendedores e investidores em concentrar suas competências específicas amparadas por políticas públicas por parte do governo estadual que visam o aumento do grau da competitividade de cada município das nove sub-regiões amazonenses. Não existe alternativa que não seja aproveitar as potencialidades econômicas regionais, traduzidas na imensa gama de recursos naturais que existe no Amazonas. Os desequilíbrios regionais precisavam ser equacionados urgentemente, através de uma forte atuação do governo do Estado do Amazonas. Planejar estrategicamente as nove sub-regiões deve, também, ser o ponto de articulação do Governo do Amazonas em buscar soluções econômicas e sociais, pois, afinal reúnem-se as representações do Estado, dos municípios, dos poderes municipais, da produção, do trabalho, das academias e de organizações da sociedade civil. Essa questão não se pode traduzir por "nova matriz econômica", pois não é essa a dimensão econômica que albergará programas e projetos para o desenvolvimento econômico regional no Amazonas, uma vez que se trata de ações complexas, nas quais as convergências e complementaridades de fluxos econômicos sejam possíveis, tanto para mercados internos quanto externos, visto se ter uma barreira crucial que é a baixa densidade populacional regional e seus baixíssimos níveis de parâmetros sociais. Por outro lado, investimentos produtivos diretos por sua vez, sentem-se forçados a exigir condições regionais locais adequadas, que lhes permitam sobreviver num ambiente de competição, apesar de muitas vezes serem geograficamente flexíveis, não estão completamente livres na escolha dos locais e regiões onde se instalam. Sempre optarão por locais que lhes garantam as melhores condições no ambiente econômico (infraestrutura, qualificação do pessoal, fornecedores, acesso a mercados, etc) e político (flexibilidade e qualidade da administração pública). Conforme os economistas do Clube de Economia da Amazônia (CEA) a única matriz econômica desenvolvimentista do Amazonas, o Polo Industrial de Manaus (PIM/ZFM) instalada na época da "Ditadura Militar", já apresenta diversos aspectos de fadiga, causados pelas modificações decorrentes dos novos processos produtivos, competitividade tecnológica, escalas de produção e produtividade e a industrialização 4.0, transformando diversos produtos em commodities eletroeletrônicas comuns. Há tempos que não se tem nenhum aporte significativo de novos capitais, já não se consegue atrair novos investimentos produtivos diretos para o PIM, o contingente de empregos tem minguado, mesmo depois de 51 anos ainda não se tem delineado nenhum estudo de nenhuma cadeia produtiva tecnológica de produtos, assim como, de nenhuma cadeia de valor, muito menos as análises sobre a formação bruta de capital fixo no PIM. Diminuta capacidade exportadora e contentamento no suprimento da demanda do mercado interno brasileiro, mesmo a despeito do emaranhado sistema tributário, não consegue fazer com que essa matriz se renove em curto prazo.
Nesse contexto do desenvolvimento econômico regional local se tem a competitividade sistêmica que os cientistas da economia definem como "... um conjunto organizado de elementos onde existem relações de convergências entre estes elementos ...", pois constatam que nenhum elemento isolado, por si só não é tão relevantes como as relações funcionais existentes entre todos os elementos dentro do sistema, por isso não acreditam em ações isoladas voltadas a processos de desenvolvimento econômico, como defendem parcela de técnicos que acreditam que uma "nova matriz econômica" possa alavancar a economia interiorana em estágios de estagnação.

Portanto, como recomendam o pessoal do CEA, que se determinem os fatores que identificam a qualidade econômica do espaço regional, porque cada sub-região e seus municípios dispõem de características e variedades de condições específicas de cada local, que podem ser determinantes, tanto na oportunidade de implementação de programas e projetos de desenvolvimento econômico regional em condições de exequibilidades de atração e de possibilidades de implementação de atividades econômicas que melhor aproveitem os recursos endógenos regionais. São condicionantes que exercem graus de atratividade de cada localidade regional, dessa forma se pode identificar os fatores tangíveis que possuem mensuração, os fatores intangíveis como sendo, de certo modo, não plausíveis de mensuração, mas possuem relevante impacto na economia local e, ainda os intangíveis dos recursos de capital intelectual existentes e as condições de vida ofertadas localmente. Para os pesquisadores do CEA é preciso agir de forma diferente, criativa, em que se destaquem as necessidades de pensar o AMAZONAS com todo esse manancial de recursos naturais que possui de modo que se possa construir o desenvolvimento econômico regional que se quer no futuro. Planejando-se ações e atitudes sobre o desenvolvimento econômico de forma inovadora, não necessariamente por meio da substituição das plataformas físicas existentes ou do uso dos recursos tecnológicos disponíveis, mas na maneira da ação mesmo, efetiva. Atualmente no Amazonas, o que mais se sente é que se está em um quadro de ausência total de visão de futuro.

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