Manaus, 19 de Setembro de 2018
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Cesta básica de Manaus fica mais cara em março

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
05 Abr 2018, 20h03

Crédito:Walter Mendes
Na capital amazonense, o preço da cesta básica chegou a R$ 358,28 no terceiro mês do ano, apontou a pesquisa Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgada nesta quinta-feira (5). O custo dos 12 itens alimentícios, teve inflação de 0,34% em relação a fevereiro, puxado principalmente, pelo aumento do feijão (2,61%). No trimestre, a variação foi de 3,11%. Por outro lado, em 12 meses, Manaus registrou um recuo de 3,67%, entre as 20 capitais pesquisadas.

Segundo a pesquisa, cinco produtos apresentaram alta e sete tiveram queda no período, influenciando o custo total da cesta. Até agora, o preço de R$ 358,28 é o mais caro do ano, ficando atrás de fevereiro, quando a cesta básica amazonense custou R$ 357,05. Em março de 2017, o consumidor desembolsou R$ 371,93.

Para o economista e supervisor técnico do Dieese, Inaldo Seixas, o resultado representa mudança na tendência de preços dos produtos e custos da cesta, após oscilações durante o ano passado. "Dentro da conjuntura de estabilidade, o indicador é positivo. Produtos como o feijão, banana e tomate puxaram o valor para cima, onde questões como lenta maturação, alteração climática e pouca oferta no mercado contribuíram para essa alta", explica.

O especialista acrescentou que, historicamente quando a expectativa é de alta, significa gerar inflação, o que aumenta os preços dos itens. "As safras deste ano não serão fortes como as do ano passado, elas serão menores. Com isso, diminui a oferta dos produtos e o segmento aumenta os preços. Devemos ter um primeiro semestre volátil", prevê Seixas.

Com o aumento de 0,34% no valor da cesta de Manaus, a capital ocupa a 14ª colocação no ranking das cestas, dentre as 20 capitais onde é realizada a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.

Feijão foi o grande vilão da vez

Em Manaus, produtos como feijão (2,61%), carne bovina (1,88%, banana (0,18), tomate (0,17% ) e o pão (0,12%) foram os que mais contribuíram para a alta da cesta em março deste ano. O feijão foi o produto que aumentou no mês. Em 12 meses, o produto (-36,65%) registrou a maior queda na capital amazonense. No trimestre a taxa foi de -4,07%.

"No ano passado o preço médio da cesta básica em todo país disparou, e o feijão chegou a subir mais de 100% só no Amazonas. Entra aquela situação de não termos produção suficiente e quando os preços sobem em outras regiões, o aumento também chega aqui. Mas após três meses seguidos de alta, observa-se que houve um equilíbrio na demanda e oferta dos produtos", analisa o especialista do Dieese.

Por outro lado, o café (-4,09%) foi o produto que apresentou maior queda no mês seguido do açúcar (-4,05%), do óleo de soja (-1,58%), do leite (-1,27%), do arroz(-1,06%), da farinha (-0,87%), da manteiga (-0,56%).

Após o feijão, os produtos que sofreram maiores reduções nos preços, em 12 meses, foram o açúcar (-25,52%), o arroz (-19,02%), o óleo (-18,91%); o café (-12,98%) e a banana (-11,30%). Apenas três itens apresentaram aumento nos seus preços, foram o tomate (23,25%), manteiga (13,98%) e o pão (3,03%).

"Na verdade, o tomate é composto da oferta por uma parte da regiões produtoras e parte local, com a diminuição da oferta de área cultivada e do período chuvoso, que favorece o aparecimento de fungos, houve essa alta", conclui o economista do instituto de pesquisa.

Alimentação básica

O custo da cesta básica para o sustento de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto) foi de R$ 1.074,84 durante o mês de março, aponta os dados do Dieese. O valor equivale a aproximadamente 1,13 do salário mínimo bruto, fixado pelo governo federal em R$ 954. No mês anterior, o custo da cesta básica para esta mesma família era maior e foi de R$ 1.071,15.

Inflação para famílias de menor renda também avança

A inflação das famílias de menor renda, entre 1 e 2,5 salários mínimos, avançou 0,08% em março frente ao mês anterior, mas ainda assim ficou abaixo da taxa das famílias de maior renda. O IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1) ficou acima da taxa apurada de fevereiro, quando a variação negativa (deflação) foi de -0,01%. Com o resultado, o indicador acumula alta de 0,57% no ano e 1,45% nos últimos 12 meses.

Os dados foram divulgados pelo Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).
A alta do IPC-C1 reflete na elevação de preços em cinco das oito classes de despesas do índice, com destaque para vestuário, cuja inflação passou de uma inflação negativa de 0,72% em fevereiro para uma alta de 0,43% em março; Habitação (0,07% para 0,23%); Saúde e Cuidados Pessoais; (0,17% para 0,3%); e Alimentação (-0,31% para -0,27%).

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