Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Gangorra

Por: Da Redação por Orígenes Martins
05 Abr 2018, 14h16

Novamente sou surpreendido com a alegria da mídia ao anunciar o aumento da atividade produtiva da indústria brasileira. No entanto o que se vê dentro dos números frios e questionáveis das estatísticas oficiais, são comparações de índices que levam o público a desacreditar cada vez mais nas informações oferecidas pelo sistema.

Querem de todo jeito fazer parecer ao público em geral que está acontecendo uma recuperação da economia, mesmo que a estatística mostre um aumento de 0,8% em um período de um mês e este crescimento seja um comparativo de um período anterior onde a queda tenha sido de quase 4%. O brasileiro menos avisado acaba comemorando uma situação que não é necessariamente motivo para tal, até porque nosso povo está buscando qualquer motivo que seja para comemorar.

Não se pode falar em crescimento sobre estes índices tão inexpressivos enquanto a economia patina sobre treze milhões de desempregados e centenas de milhares de empresas paradas ou fechadas em função da incapacidade do governo de apresentar uma política econômica capaz de fazer com que a economia volte a ter seu fluxo produtivo funcionando de forma correta e justa.

A situação fica bem pior quando todo o esforço e a atenção da população se voltam para a questão meramente política e moral do julgamento de um ex- presidente onde a população vai às ruas sem saber se grita contra a Constituição, contra o STF, contra a pessoa do criminoso em si ou mesmo se a questão está na vergonha de não ter tomado a decisão correta nas urnas e permitido o caos que hoje é motivo da sua própria revolta.

Independente da área em que se analise a situação, o certo é que estamos em uma dificuldade de estabilização nas expectativas e logicamente esta não é uma questão de conforto para um povo que sempre tentou gerar uma imagem positiva de seu país, criando heróis e esperando os salvadores da pátria. Portanto estes índices divulgados de maneira aleatória e individual, ao invés de trazer confiança ou esperança acaba por confundir o entendimento daqueles que tentam ver no Brasil um fio de esperança e crescimento em qualquer sinal que seja de ilusão.

O certo é que falando em termos puramente econômicos, este sobe e desce da atividade produtiva ou do emprego gera a quebra do fluxo da produção e faz com que cada vez mais o governo se abstenha de apresentar um plano com uma política econômica lúcida e lógica capaz de tirar nosso país de mais este buraco em que foi enterrado depois de ter experimentado um período de tanto conforto durante o Plano Real. Fica difícil clamar por soluções rápidas depois de quase quatro décadas de submissão a um modelo político que visou pura e simplesmente a manutenção do poder, independente da situação político-social do povo.

As mudanças políticas e econômicas que estamos enfrentando com o povo novamente indo às ruas para lutar por seus direitos e por mudanças na situação política do país tem um fator diferencial que está no fato do julgamento ser sobre o antigo herói popular que exatamente teria prometido salvar aqueles que hoje clamam por sua prisão. De toda forma fica um questionamento ao governo sobre as atitudes em relação às políticas fiscais para fazer com que as empresas voltem a produzir, empregar e gerar a renda nos três lados, da própria empresa, no bolso do trabalhador e na arrecadação de impostos do governo.
Sem produção não tem emprego nem renda e logicamente não vai ter consumo que não vai gerar os impostos que o governo necessita para a realização dos programas sociais que alimentam seus egos. A lógica mostra que qualquer governo que realmente queira alavancar a economia, tem de iniciar com a diminuição dos impostos para viabilizar a produção das empresas que estão paradas. Fora isso fica difícil entender um plano que só gasta sem se preocupar de onde vai tirar os recursos. É fácil entender portanto a inutilidade das diferenças de índices publicados nesta verdadeira GANGORRA política.

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