Manaus, 19 de Setembro de 2018
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Consumidor amazonense ainda inseguro

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
28 Mar 2018, 19h47

Crédito:Walter Mendes
Mais de 60% dos consumidores manauaras tem a percepção que a economia está pior que no ano passado, apontou a Pesquisa de Intenção de Compras e Confiança do Consumidor, da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), divulgada nessa quarta-feira (28).

Para a entidade, apesar da economia apresentar indicadores que sinalizam uma recuperação desde o segundo semestre de 2017, o sentimento do consumidor ainda é baseado na recessão econômica e no desemprego. O levantamento foi realizado pelo IFPEAM (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) no mês de março, com aplicação em abril.

O assessor econômico da Fecomércio-AM, José Fernando da Silva, defende que o índice de 66% dos consumidores manauaras com a percepção que a economia está pior que o ano anterior, ainda é reflexo da crise dos últimos anos. O especialista diz que mesmo com o indicador, a entidade projeta bom desempenho neste ano.

"Apesar da economia estar sob controle, a crise que passamos e o alto índice de desemprego, que atingiu 14 milhões de pessoas, afetaram o sentimento do consumidor. No segundo semestre do ano passado teve essa leve melhora no cenário, mas a população ainda sente no bolso e se mantém cautelosa. No entanto, somos otimistas e não eufóricos e, acreditamos em um ano superior ao anterior", prevê José Fernando.

Quanto à expectativa econômica para os próximos seis meses, a pesquisa destacou que 38,3 % dos entrevistados relataram que a situação estará um pouco ou muito melhor do que a atual. Já 27,2% dos consumidores acreditam que a situação econômica permanece inalterada, quando comparada a seis meses atrás. Para o próximo mês, essa expectativa sobe para 34,5%.

Empregos

Em relação à empregabilidade, o índice revelou que 82,3% das pessoas afirmaram que as chances de conseguir um emprego estão um pouco ou muito pior quando comparadas ao mesmo período do ano passado. Para os próximos três meses, a situação não muda muito com índice de 84%.

"O setor já aumentou sua oferta de vagas, tanto que no nível de emprego entre dezembro de 2017 e janeiro deste ano cresceu em 0,20%. Pode ser modesto, mas a comparação está sendo feita entre um período (Natal), considerado o melhor em vendas para o comércio e o primeiro mês do ano, que é de baixa. É bom lembrar que, cerca de 30% dos funcionários temporários contratados no fim de ano viram efetivo", frisa o especialista. "Agora, o comércio varejista deve abrir novas vagas para atender o Dia das Mães, em maio", acrescenta.

Compra na Páscoa

O levantamento apontou ainda que a maioria dos entrevistados (36,2%) pretende gastar entre R$ 50 e R$ 100, com uma média de R$ 80 com presentes na Páscoa. Para José Fernando, apesar do período não ter apelo comercial semelhante as grandes datas para o setor, o valor médio é considerado positivo.

Apesar dos níveis baixos, a maioria (29%) do consumidor pretende comprar vestuário nesse período, (29%) celulares, (26%) informática, (11%) relojoaria, calçados (7,3%), carros (5,8%) e tecidos com percentual modesto de 3,5%. A maioria dos entrevistados (76,4%) revelou que prefere fazer os pagamentos na modalidade de cartão de crédito.
"Os cartões tiveram uma redução das taxas, além de oferecer maiores parcelamentos sem juros das compras", conclui o economista da Fecomércio-AM.

Mesmo com a expansão de shoppings por Manaus, a maioria dos consumidores ainda prefere realizar suas compras no centro da cidade (41,3%), levando em consideração principalmente os preços (87%), as promoções (50,8%), a variedade de produtos (47,8%) e segurança (27,5%).

Mais dados

A pesquisa também identificou que o percentual de consumidores que relataram ter sofrido com assaltos durante o mês de fevereiro foi de 26,5%. Em relação aos preços praticados no comércio local, 99,3% dos entrevistados acreditam que os preços dos produtos para o próximo mês continuarão altos.

Na análise de dados, 40% dos consumidores relataram que a situação financeira familiar atual está melhor quando comparada há seis meses. Já frente ao mês anterior, 56,5% apontam está um pouco ou muito pior.

Para a Fecomércio, as informações obtidas são importantes para as empresas do comércio varejista, pois servem como balizador para tomada de decisões de investimentos e planejamento de compras. A pesquisa foi realizada por zonas de Manaus junto a 400 consumidores.

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