Manaus, 18 de Setembro de 2018
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Final de semana com arte

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
28 Mar 2018, 19h18

Crédito:Walter Mendes
Os artistas plásticos manauaras estão em festa. No sábado (31), a partir das 19h, acontece a inauguração do Espaço Etnia, galeria de arte e souvenirs, da artista plástica Rosa dos Anjos, no centro da cidade, prometendo ser um espaço aberto a todas as vertentes de quem produz artes visuais.
"O Espaço Etnia começou a existir em 2000, no Tropical Hotel, numa época em que o turismo era efervescente naquele hotel e vendíamos muito bem no espaço, mas com o passar dos anos, o turismo decaiu e as vendas nas lojas do hotel também caíram, inclusive na nossa. Depois de dez anos tivemos que fechar as portas", contou.

"No ano passado verifiquei que o comércio nesta região do entorno do Largo de São Sebastião estava aquecido e eu, e o meu marido Marlon Prado, resolvemos reabrir o Espaço Etnia, aqui na rua Tapajós, ao lado da igreja de São Sebastião", disse.

"Teremos todos os tipos de artes visuais expostos e sendo vendidos na galeria. Pretendemos trabalhar com artesãos de todos os municípios amazonenses e de vários povos indígenas do nosso Estado", adiantou.

Somente na inauguração da galeria serão 60 artistas visuais expondo seus trabalhos, entre fotógrafos, escultores, artistas plásticos e designers. "Cito alguns, como Rui Machado, Otoni Mesquita, Zeca Nazaré, Nelson Falcão, Noleto, Rubens Belém, Navarro, Gisele Gomes e Selma Maia", adiantou.

"O jovem fotógrafo amazonense Luan Caja irá expor pela primeira vez, fotos feitas na Alemanha, onde ele mora. Depois essa exposição seguirá para a Alemanha", revelou. "A galeria será um espaço para exposição e venda, aberta a todos os artistas que quiserem mostrar seus trabalhos, tanto que muitos dos nossos convidados serão compradores e colecionadores de obras de arte", afirmou. "Seremos um espaço onde o turista poderá comprar objetos de arte sobre a Amazônia", garantiu. O Espaço Etnia tem dois andares, inclusive com uma molduraria onde os artistas poderão fazer suas próprias molduras, além de um espaço no qual serão vendidos livros, CDs e camisas com estampas exclusivas feitas pelos artistas. O endereço da galeria é rua Tapajós, 19. Informações: (92) 9 8118-3640.

Vitrine a céu aberto

No domingo (1º), acontece a segunda edição do ano do 'Pintura ao Vivo no Largo', galeria a céu aberto, também coordenada por Rosa dos Anjos. "Começamos esse projeto em 2014 e, desde então, ele vem acontecendo todos os anos, sempre em março, depois das chuvas, aos domingos, das 8h às 18h, no Largo de São Sebastião", falou.

"No domingo passado (25), recebemos mais de 40 artistas e para este, agora, já estamos com mais de 70 inscritos. Somos a única galeria a céu aberto no Norte do país", garantiu.

Durante as dez horas em que dura o 'Pintura ao Vivo no Largo', não só pintores de quadros, mas fotógrafos, gravuristas, escultores e demais artistas visuais, podem produzir e vender seus trabalhos. "Eles fazem seus trabalhos na hora, mas trazem outros prontos para serem vendidos. Tem sido uma forma bem interessante de os artistas ganharem dinheiro com a sua arte. Tem vários aqui que vendem sempre. Já conquistaram compradores exclusivos, e novos, que surgem. Outra ideia do projeto é mostrar que a arte não é uma coisa para ricos. Muitas pessoas têm vergonha de entrar numa galeria de arte porque acham que tudo lá e caro e não poderão comprar nada. Na galeria a céu aberto, têm o contato direto com o artista e veem que podem, sim, adquirir uma obra", afirmou.

"Também abrimos espaço para novos talentos. Professores de arte trazem seus alunos para conhecer os artistas de perto e novos talentos despertam a todo instante. A artista plástica Eliane Mezari fez sua primeira exposição aqui, no Largo, e hoje ela está expondo em Abu Dhabi, Dubai. Me mandou mensagem essa semana dizendo que ganhou uma medalha de bronze na exposição, naquele país distante", avisou.
"O pintor Riccolla veio uma, duas, três vezes expor aqui e depois não veio mais. Liguei para ele, pra saber o motivo e ele disse que havia recebido tantas encomendas para pintar capacetes e motos (que ele pinta além das telas) e estava sem tempo para vir expor, trabalhando a semana inteira. Ele valorizou seus trabalhos, selecionou os clientes, e agora, com mais tempo, volta ao 'Pintura ao Vivo no Largo', já com o nome reconhecido", relatou. Os artistas interessados em participar do 'Pintura ao Vivo no Largo', também podem ligar para Rosa dos Anjos.

Poranduba Amazonense

Na manhã de ontem, na Escola Normal Superior, da UEA, foi lançado o raríssimo livro 'Poranduba Amazonense', do cientista e pesquisador João Barbosa Rodrigues. O livro foi publicado originalmente pela Revista do Instituto Geográfico e Histórico Nacional, em 1890. A segunda edição, com uma parte apenas das narrativas, saiu em 1961, pela Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, limitada a 120 exemplares, com ilustrações do gravador Darel Valença Lins. A nova edição, organizada pelo professor Tenório Telles, recupera a edição original com todas as narrativas e mais o Dicionário Português/Nheengatu, com 622 páginas, apresentação do professor Tenório Telles e um texto introdutório do professor e escritor Marcos Frederico Krüger.

"Trata-se de uma das obras mais importantes da cultura brasileira e indispensável na área de antropologia, história, literatura e, principalmente, para os leitores e estudiosos da Amazônia. É um livro da segunda metade do século 19 quando o cientista botânico e ilustrador João Barbosa Rodrigues residiu em Manaus com a missão de criar o Museu Botânico do Amazonas. João Barbosa se apaixonou pela região, pelos povos indígenas e desenvolveu pesquisas sobre botânica e culturas nativas da Amazônia. O livro reúne mitos indígenas da região, cantigas e um dicionário em Nheengatu", explicou Tenório.

Ainda de acordo com Tenório Telles, "o lançamento é simbólico, pois é a primeira vez que o livro está saindo com a linguagem atualizada e apresentações sobre a importância da obra. É uma grande conquista para o processo cultural amazônico. O livro é indispensável para os estudiosos e o público em geral interessado em conhecer as condições que ensejaram a constituição da cultura popular na Amazônia. O lançamento é uma grande homenagem que a UEA, Valer Editora e Cigás prestam à memória e ao trabalho de João Barbosa Rodrigues", enfatizou.

'Poranduba Amazonense' ou 'Kochiyma-uara Porandub' pode ser elencado como um clássico da literatura regional. João Barbosa Rodrigues, considerado o maior botânico brasileiro do século 19, apresenta uma coleção de narrativas orais mitos e lendas amazônicos, recolhidos diretamente junto aos índios que habitavam as margens dos rios amazônicos. As 59 histórias, divididas em 21 lendas mitológicas, 20 contos zoológicos e 18 contos astronômicos e botânicos, são fruto de longas horas de conversa entre o autor e indígenas, bem como os ribeirinhos, dando preferência àqueles acima dos 60 anos e até mais velhos (alguns centenários), que ainda guardavam lembranças de outros tempos.

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