Manaus, 17 de Novembro de 2018
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Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
27 Mar 2018, 19h51

Crédito:Walter Mendes
Os 114 anos do Jornal do Commercio foram comemorados em grande estilo, na manhã de ontem, na Assembleia Legislativa do Estado. O aniversário do JC é no dia 2 de janeiro, mas as homenagens se estenderam até ontem como propositura do deputado Adjuto Afonso, do PDT.

Durante o evento, que contou com a presença de autoridades civis (Antonio Silva, presidente da Fieam; Pedro Mendonça, vice-presidente da ACA; Ronaldo Mota, representante do Cieam; Cyro Anunciação, presidente do Grupo Diário; Eric Gamboa, secretário de Comunicação da prefeitura; e Divaldo Martins, representante da secretaria de Cultura), militares (major aviador Ivan Fernando, representando o brigadeiro Maurício Sampaio, comandante da Ala 8; almirante Carlos Alberto Matias, do 9º Distrito Naval; e major Ângelo da Silva, representando o comandante do CMA, general César Augusto Nardi) e eclesiásticas (dom Sérgio Eduardo Castriani, arcebispo de Manaus, e o padre Mauro Cleto, páraco da Igreja dos Remédios), várias histórias do JC foram lembradas.

O deputado Serafim Corrêa recordou de uma reunião ocorrida em 1984, que teve com o jornalista Humberto Calderaro, proprietário do jornal A Crítica, da qual participou Guilherme Aluízio. "Guilherme Aluízio havia comprado o JC há pouco e visitava Calderaro para falar-lhe que não pretendia rivalizar com o seu jornal, mas antes de tudo, ser amigo de Calderaro. Este, brincalhão como sempre, tirou da gaveta um vidro de aspirina, que adquirira nos Estados Unidos, e o deu para Guilherme Aluízio lhe dizendo que ter um jornal dava muita dor de cabeça, então, já estava lhe dando o remédio".

Pioneiro de muitas conquistas

Em seu discurso, Guilherme Aluízio falou sobre a curiosidade das pessoas que se admiram quando sabem que o JC tem 114 anos de existência. "É um jornal importante para o Amazonas e para o Brasil, pelo seu tempo de existência e pelo pioneirismo de muitas de suas conquistas. Foi o terceiro jornal do país a comprar, nos Estados Unidos, logo nos seus primeiros anos de existência, uma linotipo, máquina moderníssima para época, pois reduzia o tempo de produção de uma página, antes feita tipo por tipo. Com a linotipo, várias palavras eram montadas de uma vez só".

Com Guilherme Aluízio o jornal continuou se modernizando. Foi o primeiro a ter impressão colorida e a usar computadores na redação. "Fomos os precursores da impressão em rotativa, quando adquirimos uma rotativa Goss Community. Antes as rotoplanas imprimiam folha por folha. Já o scanner das fotos, para impressão colorida, era o mais moderno existente no momento, comprado nos Estados Unidos", afirmou.

Ainda em seu discurso, Aluízio lembrou de uma citação no livro 'Os Bucheiros', onde o poeta Áureo Nonato conta que aprendeu a ler, ainda muito criança, no Jornal do Commercio, que o pai comprava para ler. Décadas depois, Áureo Nonato se tornou articulista do JC e, no dia em que morreu, era o dia da publicação de seu artigo, que não mais chegou à redação. Ele o trazia, uma vez por semana, escrito à mão, e só na redação o texto era digitado.

"Como Calderaro falou naquele dia, há mais de 30 anos, fazer jornal não é fácil, mas tem sido muito prazeroso fazer o JC em todos esses anos. A história ainda está sendo construída. Sobre o tempo em que o JC ainda vai circular, não posso dizer. Existe uma corrente que diz que o jornal impresso vai desaparecer, outra corrente diz que não vai. Uma pesquisa realizada pela WAN (World Association Newspaper) mostra que a tendência é não desaparecer. Ainda tem muito leitor que acha crível ler o impresso", garantiu.

Cláudio Barbosa, diretor de Comunicação da Assembleia Legislativa, trabalhou durante a década de 1980 como editor de Cultura do JC e se orgulha de, na década seguinte, ter instalado a sucursal do jornal em Brasília. "Diria que, nos tempos atuais, é um desafio diário manter um jornal e o JC chega aos 114 anos de circulação. É preciso ser criativo e ter uma capacidade de superação de seus gestores. Acho que os jornais precisam fazer pesquisas para descobrir sobre o que as pessoas querem ler", ensinou.

Durante o evento na Assembleia, foram homenageados com certificados funcionários e colaboradores mais antigos do JC: Adalberto Santos, Frânio Lima (representado por Oldeney Sá Valente), Eraldo Figueiredo, Luiz Alves, Sheila Maria e Ubaldino Meireles. Se apresentaram, tocando o Hino Nacional, o saxofonista Dom Carioca; e tocando o Hino do Amazonas, a violinista búlgara Helena Koynova.

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