Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Pesquisadores: um novo lar no Amazonas

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
26 Mar 2018, 19h51

Crédito:Walter Mendes
Não é de hoje que a região amazônica desperta o interesse das pessoas em qualquer parte do mundo, principalmente pela biodiversidade única. Com isso, muitos estrangeiros encontram aqui a oportunidade de desenvolver seus trabalhos com ampla notoriedade, como foi o caso dos pesquisadores do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Jochen Schongart e Philips Fearnside, que deixaram sua terra mãe para fixar moradia no meio da maior floresta tropical do planeta.

Há quase 20 anos em solo manauara, o pesquisador alemão Jochen Schongart percorreu o caminho de aluno de graduação e pós-graduação até ser efetivado pelo Inpa. "No Brasil, primeiro fiz estudos na região Sul e depois cheguei ao Inpa para coletar dados para o meu doutorado e fiquei. Defendi meu trabalho em 2003 e em seguida fiz o pós-doutorado, foi quando nesse mesmo ano virei concursado do instituto", relembra.

Com uma carreira de sucesso, ele conta que a região foi ideal para desenvolver suas pesquisas e diz que trabalhar bem no centro do "pulmão do mundo" é um privilégio para poucos. "Considero um privilégio porque praticar as pesquisas escolhidas e observar a natureza local só engrandece o nosso trabalho", defende.

Outro pesquisador de peso é o norte americano, Philip Fearnside. Em meados dos anos de 1970 ele deixou Berkeley, na Califórnia e mudou-se para Manaus. Na época, não imaginava que suas pesquisas teriam tanto impacto na região. "Sou formado em Biologia pelo Colorado College, fiz mestrado e doutorado na Universidade de Michigan. Há 40 anos sou cientista do Inpa e desenvolvo trabalhos em questões de desmatamento, emissões de gases estufa, degradação ambiental, desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas, entre outros", conta.

Fearnside é referência internacional sobre tais assuntos, recebendo até o Prêmio Nobel da Paz pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas - IPCC, em 2007. Além disso, tem uma vasta bibliografia publicada e considera a região do Amazonas como fundamental para sua linha de pesquisa. "É importantíssima porque pude desenvolver trabalhos na defesa do meio ambiente brasileiro e no alerta para os perigos do desmatamento e do aquecimento global", ressalta o pesquisador norte americano.

Manejo sustentável e cheia dos rios

Entre suas maiores pesquisas, Schongart destaca o estudo que colabora para o manejo correto de árvores em áreas alagadas da região. O trabalho é baseado na análise do crescimento da vegetação e os dados serviram inclusive, para nortear a legislação que regulamenta o corte de árvores no Amazonas.

"É uma legislação inovativa e moderna que tem potencial de ser replicada para outros ambientes tanto no Brasil quanto fora. Ela estabelece critério e ciclo de corte de 25 anos e um diâmetro mínimo de 50 cm", explica. Com os resultados, foi possível perceber que é necessário levar em conta o ambiente onde as plantas se encontram para fazer o manejo de forma sustentável.

O pesquisador alemão comenta que depois de uma série de cheias extremas, o modelo matemático de previsão de cheias do rio Negro prevê quando a enchente será acima das médias históricas. "O cálculo considera além da situação do nível da água as condições do oceano", explica. A pesquisa mostra que as influências climáticas como o El Niño e La Ninã impactam na quantidade chuvas na bacia Amazônica. A média histórica do rio Negro é de 27,87 metros com base nos dados que se tem desde 1903. "O modelo prevê com antecedência a cheia em meses e com isso dar tempo para os moradores de várzeas se prepararem", finaliza Jochen Schongart.

Contra as hidrelétricas

Com estudos sobre o impacto do desmatamento no efeito estufa, evidenciado assim, a importância econômica, política e social da preservação das florestas, Philip Fearnside destaca trabalhos relacionados às operações de hidrelétricas na região amazônica, sendo alvo de várias publicações ao longo de sua carreira.

Só para citar alguns, de 1990 têm "Hidrelétrica de Balbina: o faraonismo irreversível versus o meio ambiente na Amazônia". Um dos mais recentes é o livro "Hidrelétrica da Amazônia: Impactos ambientais e sociais na tomada de decisões sobre grandes obras", de 2015.

"O Brasil tem muitas outras opções de energia que não as hidrelétricas, porque essa não é uma energia barata, ela é fortemente subsidiada por impostos. Existem cálculos de que é possível suprir toda a energia do país apostando em outras fontes, como energia eólica e a solar", afirma o pesquisador.

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