Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Manaus, cidade das oportunidades

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
26 Mar 2018, 14h00

Crédito:Walter Mendes
Além de ter um dos principais polos industrial do Brasil, onde gera milhares de empregos, Manaus tem se mostrado uma cidade bem receptiva a estrangeiros que vêm em busca de oportunidade de trabalho e negócios. Foi com esse objetivo, que o venezuelano David Caceres, 23, deixou sua terra natal, na cidade de Maturin no estado de Monagas, para buscar novos horizontes na capital amazonense.

Há um ano e oito meses na cidade, Caceres é apenas um dos milhares de venezuelanos que atravessaram a fronteira em busca de melhoria de vida. Segundo ele, a crise política e econômica que vem assolando seu país natal foi fundamental para sua vinda. A convite de um amigo da família resolveu tentar novas oportunidades e um recomeço.

"Eu vim para Manaus por conta da grande crise na Venezuela, tive que sair do meu país procurando estabilidade para mim e para minha família. A população venezuelana está sofrendo muito e quando recebi o convite de um grande amigo do meu pai, oferecendo ajuda decidi vir para cá em busca de oportunidades", disse.

Estudante de engenharia eletrônica na Venezuela, Caceres teve que trancar o curso na faculdade quando mudou-se para Manaus. Aqui procurou várias formas de continuar seus estudos para conseguir formar-se e exercer a profissão. Mas a necessidade de trabalhar para manter seu sustento o levou a adiar o sonho de conseguir seu tão sonhado diploma.

Barbeiro desde os 14 anos, ele desenvolveu habilidade profissional com cortes masculinos, utilizando máquina e tesoura, além de diversos estilos e modelagens de barba, habilidades que lhe renderam oportunidade de trabalho em uma das barbearias mais conceituadas da cidade.
"Sou barbeiro já há muitos anos, mas não cheguei a Manaus com esse objetivo. Vim focado em estudar engenharia, mas como não tive muita sorte, optei pela barbearia, que deveria ter sido meu foco principal. A profissão me dá dinheiro mais rápido e as habilidades de barbeiro me ajudam a viver aqui", ressaltou.

Adaptação

Motivado pela necessidade de buscar alternativas para manter a estabilidade financeira e movido pelo espírito aventureiro, David conta que a boa receptividade do povo manauara e a cultura local foram fundamentais para ele trazer sua família e para a sua rápida adaptação na cidade. Segundo ele, esses pontos o estimularam a construir uma nova vida e fincar a sua bandeira em uma nova terra.

"Minha adaptação foi tranquila porque sempre fui aventureiro, guerreiro, então a ideia de conhecer outro lugar, outra cultura, me emocionou muito, me empolguei, foi tudo uma experiência bacana. Eu vim primeiro sozinho pra passar toda a necessidade da adaptação. Não pretendo voltar para morar na Venezuela, pretendo ficar aqui, estabelecer minhas novas raízes aqui. Eu sou o pilar na formação da minha nova geração familiar", disse.

Oportunidade de negócios

O convívio com os profissionais da área e a experiência adquirida dentro do mercado ao longo dos meses, estimulou David a investir seu tempo livre a estudar e desenvolver seu lado empreendedor, analisando novas oportunidades de negócio rentáveis baseado na necessidade do setor de serviços. Com muito otimismo, ele deposita uma grande expectativa nos possíveis mercados existentes na cidade.

"Graças a essa habilidade que desenvolvi desde cedo, trabalho naquela que pra mim é a melhor barbearia de Manaus. Aqui no El Barbero fiz bons amigos e recebi grande apoio. Estou aprendendo a desenvolver meu lado empresarial com uma visão inovadora. Manaus é uma terra linda para empreender e crescer, e daqui para frente pretendo evoluir para algum negócio que com certeza vai se tornar um sucesso", conta

Crescimento profissional

Mas a cidade de Manaus não tem sido vista por estrangeiros de países vizinhos, apenas como terra para investir e estabelecer bons negócios. A busca por aprimoramento e crescimento profissional, tem sido um grande atrativo para muitos venezuelanos que buscam aperfeiçoar suas aptidões e formações técnicas.

Foi com essa visão, que em 2014, Alexander José Rodríguez, 33, desembarcou na capital amazonense. Natural da cidade de Puerto Osdaz, no Estado de Bolivar na Venezuela, ele veio na esperança de exercer sua profissão na área de Recursos Humanos. Mas, os entraves burocráticos para a sua regularização e a demora para o recebimento da documentação, além do alto custo para a obtê-las dificultou seu processo de formalização.

"Vim a Manaus em busca de crescimento profissional, pois, como todos sabem, meu país está passando por uma grave crise política e econômica. Percebi que na cidade, o campo de Recursos Humanos, área na qual tenho formação, é bem ampla e resolvi investir. Entretanto, os entraves burocráticos para um estrangeiro se regularizar no Brasil torna tudo muito complexo e extremamente caro, especialmente porque toda e qualquer documentação que você quiser apresentar aqui tem de ser traduzida oficialmente, o que é muito oneroso", disse.

Outro fator que impediu Rodríguez de exercer sua profissão em Manaus, foi o auge da crise política e econômica em 2014. Ele conta que na sua vinda para Manaus, as empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) estavam passando por um processo de demissão em massa. E a situação econômica e o desemprego em todos os outros Estados não permitiu que ele atuasse em sua área de formação.
A necessidade de se manter em Manaus, levou o analista de recursos humanos a trabalhar em outras atividades que lhe proporcionaram renda, mas o baixo salário o levou a procurar outros segmentos para alcançar os objetivos de buscar estabilidade financeira.

"Embora tivesse tentado entrevistas em diversas empresas, não consegui êxito. O emprego que consegui foi no mercado de alimentação. Atuei durante algum tempo como auxiliar de produção em uma grande panificadora, mas, apesar de precisar, percebi que aquele emprego seria um limitador dos meus interesses de progredir em outros campos", conta.

No decorrer da sua estada em Manaus, surgiram outras oportunidades para Rodríguez, que começou a vender produtos de marcas que não tinham representantes na cidade. Logo depois, migrou para a venda de refeições, em que trabalha atualmente. "Comecei vendendo arepa, um prato típico de meu país, mas percebi que não era muito do agrado dos amazonenses, então passei a oferecer marmitas com a comida básica daqui: feijão, arroz, macarrão e bife ou frango, e deu certo", ressaltou.

Comportamento

Hoje o venezuelano mora na cidade com a irmã caçula e no futuro pretende trazer a mãe para morar com ele. Rodríguez conta que a semelhança da cultura do venezuelano com o amazonense ajudou-o na adaptação.

"Temos gostos parecidos, como ouvir muita música e dançar. No que se refere à alimentação, somos bem diferentes. Lá comemos todos os dias arepa, que é feita à base de amido de milho, e aqui comem muita farinha de mandioca. Em relação ao tratamento, as pessoas daqui se parecem muito com os venezuelanos, pois são receptivos, assim como nós também somos", disse.

Visão

Com residência fixa em Manaus, Alexander pretende fazer uma outra graduação, dessa vez relacionada à área de logística ou administração.

Enquanto não inicia os estudos, ele busca um ponto fixo para instalar uma cozinha industrial média para oferecer alimentos no sistema de delivery. A ideia, segundo ele, é futuramente montar um grande restaurante de comidas regionais.

"Como disse anteriormente, minha intenção é crescer no sentido profissional. Penso em fazer uma outra graduação. Enquanto isso busco um ponto para montar uma cozinha industrial. Creio que dentro de algumas semanas, tudo já esteja pronto, pois já fiz financiamento para a compra dos equipamentos e máquinas. A ideia é iniciar pequeno mesmo e, posteriormente, evoluir para um restaurante", disse.

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