Manaus, 18 de Setembro de 2018
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Período meio amargo para desempregados

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
20 Mar 2018, 19h36

Crédito:Walter Mendes
A expectativa nacional de contratação de mão de obra temporária para o período da Páscoa no comércio varejista é de 10,6 mil, aponta a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). No Amazonas, representantes do setor afirmam que apesar do otimismo, os números não serão tão significativos como na época dos festejos de fim de ano.

A previsão nacional é que sejam movimentados no período cerca de R$ 2,2 bilhões e o número de vendas seja 3,5% maior do que ano passado. Apesar do otimismo, para o presidente da assembleia geral da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho, a expectativa local para o volume de vendas não é suficiente para a contratação de trabalhadores temporários.

"Estamos tendo um início de ano muito bom, que em fevereiro teve uma queda causada pelo Carnaval. No período da Páscoa as pessoas estão aptas para o consumo e o crescimento de vendas para esse ano pode ser de 3% em relação ao ano passado. Apesar disso, a Páscoa não terá um volume de vendas que justifique uma grande contratação e a efetivação de temporários", disse.

Com a nova lei trabalhista que permite contratar trabalhadores intermitentes, Bicharra acredita que possa haver alguma movimentação na contratação temporária, mas não na efetivação. "Por se tratar de uma novidade não tem como prever o que acontecerá, o que nos cabe é aguardar. Devido a isso deve haver um número de contratação temporário, porque é uma novidade para todo mundo", ressaltou

De acordo com a CNC, se a estimativa de vendas se confirmar, o ano de 2018 terá o melhor desempenho de vendas da data comemorativa desde 2013 quando foi registrado um crescimento de 4,8%. Em 2017, o segmento registrou um aumento de 1,1%, após uma perda de 5,2% em 2015, motivado pela crise econômica que o país enfrentou.

Para o economista Judá Torres, por se tratar de uma análise baseada no aspecto sazonal, é normal que as expectativas para mais contratações e uma alta no volume de vendas sejam especulados. "Na maioria das vezes os dados nacionais são iguais aos regionais. Em alguns casos eles diferem devido a fatores como a localização das empresas e o mercado em que elas estão inseridas. Por exemplo, grandes empresas têm um mercado mais amplo do que uma empresa da região, então para aquelas, a necessidade de contratação é maior", explicou.

Ano passado, dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), apontaram que aproximadamente 39% dos consumidores planejaram diminuir os gastos durante a páscoa. Devido a isso, muitas empresas não contratam temporários com o intuito de economizar e repassar menos custos para o preço final das vendas.

O número de vagas para temporários em 2017 foi 9% menor do que em 2016, segundo um levantamento realizado pelo Fenaserhtt (Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado). Ano passado, a empresa Lacta ofereceu 40 vagas de temporários para o setor de vendas em Manaus.

Fabricantes

A falta de perspectivas de contratação no comércio também se repete entre fabricantes de produtos referentes a data. A Bombons Finos da Amazônia sentiu o efeito da crise no ano passado e para manter o quadro funcional e reduzir custos, diminuiu o ritmo da produção. Segundo a gerente administrativa, Jordana Pacheco, essa estratégia permitiu à empresa manter o quadro e criou-se um banco de horas que será usado para atender a demanda do mercado no período.

"No ano passado o consumo dos chocolates diminuiu e houve queda de vendas. Ficamos meses diminuindo o ritmo da produção para não precisar demitir. Esse ano a empresa não irá contratar temporários, nossos funcionários efetivos irão produzir a demanda para o mercado usando esses bancos de horas", disse.

O melhor ano

De acordo com dados da CNC, a melhor Páscoa para o comércio aconteceu em 2010, onde as vendas registraram um crescimento de 9,5% em relação a 2009. Esse período foi o ano que houve um maior registro de crescimento da economia do país que foi de 7,5% e o volume de vendas no varejo avançou um total de 10,9%.

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