Manaus, 23 de Setembro de 2018
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A riqueza das madeiras amazônicas

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
20 Mar 2018, 18h47

Crédito:Walter Mendes
Desde ontem está acontecendo no hall do Millennium Shopping a exposição Arte & Design, com peças em madeiras amazônicas confeccionadas por Vanderlan Mota, professor da UEA, mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia e, nas horas vagas, escultor, designer e artesão.

Vanderlan aprendeu essa arte com o pai, Venícius Menezes Mota, marceneiro que fazia todos os tipos de móveis, principalmente cadeiras de cipó titica e vime. "Muitos dos móveis utilizados pelo arquiteto Severiano Mário Porto em suas obras, como no Chapéu de Palha, foram feitos pelo meu pai. Eu era garoto e lembro dele chegando à oficina do meu pai, aqui na Raiz, com uma prancheta na mão, e rabiscando os móveis que queria", recordou.

As peças feitas por Vanderlan surgem a partir de resíduos florestais que ele transforma em móveis com a característica de serem únicas, pois são trabalhadas a partir do estado natural da madeira, angelim, louro, maçaranduba, pau roxinho, e outras, e assim são mantidas.

"A principal fonte de fornecimento dessas madeiras é o lago da hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo, e a fazenda de um amigo meu, no Manaquiri, onde árvores foram derrubadas de forma legal para o plantio de laranjeiras. De posse desse material eu desenvolvo mesas, cadeiras, bancos, camas, cubas, banheiros, revisteiras, sofás", disse.

Não é preciso derrubar árvores

"De um material bruto, toras de madeira maciça, raízes desenterradas, troncos ocos, e galhos em sua forma natural, passo a usar a minha criatividade para que aquele pedaço morto de natureza ganhe vida e formas especiais, proporcionando para os ambientes a naturalidade dos veios e as marcas da ação do tempo. Costumo dizer que a natureza os esculpe e eu simplesmente faço o polimento, transformando-os em arte", explicou.

"Sempre me preocupei com o desperdício de madeiras e apostei nas infinitas possibilidades de aproveitamento desse material", ressaltou. "O homem não consegue perceber que não precisa derrubar árvores para, através de suas madeiras, fazer móveis. A própria natureza se encarrega de descartar o que não precisa mais, e esse material pode ser transformado em todos os móveis que necessitamos numa residência", ensinou.

"Desde garoto sempre ajudei meu pai na oficina de marcenaria dele, mas só quando estava fazendo meu mestrado foi que descobri as potencialidades daquelas madeiras que eram descartadas. Há uns cinco anos, ao mesmo tempo em que era professor, comecei a fazer as peças como hobby", contou.
"Minhas peças são cuidadosamente elaboradas a partir do aproveitamento de matéria-prima de árvores centenárias tombadas e/ou mortas por ações humanas ou retiradas no lago de Balbina", relatou. "É quando entra o olhar do artista Vardelan Mota, com uma visão particular, mas sempre respeitando as formas anatômicas encontradas em cada peça de madeira. Também busco trabalhar temáticas específicas, tais como a Série Desportos, na qual usei elementos como raquete de tênis, prancha de sup, bola de pilates, e aro de bicicleta, nas dez peças", completou.

Banco de 70 quilos

A exposição Arte & Design é a primeira onde Vanderlan está expondo suas peças. "Tinha poucas peças, porque quase não tinha tempo para fazê-las, mas agora reuni umas 90 e resolvi mostrá-las para o público, mas elas sempre vendem. Até a década de 1970, os manauaras tinham móveis feitos por marceneiros locais em suas casas, mas aí veio a Zona Franca, com seus móveis industrializados e os marceneiros praticamente sumiram. Agora a moda dos móveis naturais está voltando", afirmou. "O cliente de um móvel desses é um cliente seleto, pois seus preços estão num padrão acima do que a maioria das pessoas pode pagar. Dependendo da peça elas podem custar de dois a sete mil reais", acrescentou.

"Recentemente, depois que criei meu site, fiz a primeira venda para fora de Manaus, para uma cliente em Brasília. Esses móveis, pela natureza pesada das madeiras, tornam o frete bastante caro. Eu tenho um banco de 70 quilos. Esse é o problema de vendê-los para fora, mas estou pesquisando madeiras mais leves para que eles não fiquem com tanto peso", adiantou.

Há menos de dois anos Vanderlan abriu a loja Arquimóveis (avenida Costa e Silva, 200, Raiz, fone: (92) 9 9244-4552) para vender suas peças. "Móveis com madeiras amazônicas são móveis para toda a vida e dão uma grande contribuição para manter a floresta em pé", garantiu.

Na Arte & Design também estão expostos quadros do artista plástico Arnaldo Garcez com as temáticas mulheres, bicicletas, jogos, política, burocratas, dança, música, bares, e pinturas abstratas. "A pessoa que vê minha arte com olhar próprio, verá um monte de coisas. Mas a minha intenção é abstrair tudo, para começar tudo de novo", ensinou Garcez.

Serviço

O que? Exposição Arte & Design
Onde? Hall do Millennium Shopping
Quando? Até 19 de abril

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