Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Cadastro Positivo facilitará acesso a crédito

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
15 Mar 2018, 19h58

Crédito:Walter Mendes
O novo modelo de CP (Cadastro Positivo) poderá injetar R$ 15 bilhões na economia do Amazonas, segundo pesquisa da Serasa Experian a pedido da ANBC (Associação Nacional dos Bureaus de Crédito). O levantamento aponta que a medida possibilitará ainda o acesso ao crédito para um contingente adicional de 377 mil consumidores, além de promover uma redução de até 45% na inadimplência regional, taxa que atualmente está em 53,3%, superior da média nacional de 40,3%.

Com votação prevista para o próximo mês na Câmara dos Deputados, a proposta desburocratiza a atual legislação, explica o presidente da ANBC, Elias Steif. Para ele, a nova medida que incluirá automaticamente os consumidores no cadastro, trará uma forma mais abrangente e inclusiva de conceder ou não crédito a um cidadão. Atualmente, a inclusão é voluntária.

"A adição de mais pessoas e a ampliação do crédito para quem já está no mercado, proporcionadas pelo novo modelo de Cadastro Positivo, têm potencial de baixar os juros dos empréstimos e financiamentos", avalia Steif. Ele conta que a nova proposta prevê a criação de um histórico dos pagamentos que a pessoa realizou.

"Como esse novo cadastro também vai considerar pagamentos como os de conta de luz, telefone, água e gás, vai inserir no mercado de crédito pessoas sobre as quais não se tinha informação. Só no estado do Amazonas, estima-se que serão incorporados ao mercado de crédito 377 mil pessoas que hoje estão excluídas dele e uma injeção de R$ 15 bilhões na economia do Estado", afirma.

Segundo Elias, a longo prazo, ​o Cadastro Positivo vai promover a transparência nas relações entre credor e consumidor, além de beneficiar os bons pagadores​ com taxas de juros mais justas ​e contribuir para a redução dos índices de inadimplência bem como promover ​o ​ estímulo à atividade econômica e à geração de empregos.

"Com o novo cadastro positivo, o que ficará disponível é a pontuação de crédito (ou escore). E caberá ao consumidor decidir se vai abrir ou não seus dados e para quem, o que representa um empoderamento desse consumidor e promove a privacidade", acrescenta o representante.​

Ainda de acordo com ele, os principais benefícios do novo modelo serão sociais. "Não só porque haverá uma redução da inadimplência pela prática de taxas de juros mais justas, mas porque o estímulo ao mercado de crédito é fundamental para estimular as economias locais e para gerar empregos", disse o representante.

Essa avaliação de crédito mais simples e acessível, tendo como base o histórico de endividamento de um cidadão e a forma como ele paga suas dívidas, favorece principalmente as classes menos favorecidas acredita à ANBC. O vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Amazonas), Aderson Frota, defende que a proposta vem um momento importante para o cenário econômico e vê com bons olhos a valorização dos pagamentos realizados, os dados positivos e não eventuais dívidas não pagas ou em atraso do consumidor.

"A recessão aumentou o volume de desemprego e os trabalhadores que permaneceram empregados, evitaram gastar com receio. Muitas pessoas deixaram de pagar dívidas, mas não necessariamente são maus pagadores. Além disso, tem essa outra parcela da população que estão fora do mercado de crédito não por serem inadimplentes, mas por terem pontuação de crédito baixa à falta de informação", comenta.

De acordo com a pesquisa ampliada, o Amazonas, conta com 53,3% de inadimplentes e o CP tende a promover uma redução de até 45% na inadimplência no estado. "É importante observar que esse novo processo, além de facilitar o crédito e o reingresso no mercado do consumo, permitirá também que o Estado arrecade e reduz o custo de informações. Tudo funciona como um ciclo", frisa Frota.

Controle do consumidor sobre suas informações

O Projeto de Lei Complementar 441/2017 atende aos requisitos do Código de Defesa do Consumidor, pois o cancelamento de cadastro pode ser feito a qualquer momento. No sistema atual, os dados do histórico de crédito ficam abertos a todos os consulentes. Com a nova lei esses dados entram automaticamente na pontuação de crédito (escore) e a abertura de dados é feita pelo tomador de crédito junto ao consulente.

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