Manaus, 19 de Novembro de 2018
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Uma revolução francófona

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
13 Mar 2018, 19h03

Crédito:Walter Mendes
Sem dúvida a França é um país que tem como sinônimos o requinte e a beleza. É difícil não apreciar o vinho, a música, os palácios, as cidades, a cultura francesa, Paris e a Torre Eiffel. Para difundir um pouco mais sobre esse país europeu, está acontecendo no mundo inteiro, desde o dia 9 e seguindo até o dia 24, a Francofonia, no Brasil, organizada pela Aliança Francesa e embaixadas.

"A Francofonia é a organização de países, 84 no total, que falam a língua francesa, seja como língua oficial ou em algumas regiões", explicou Davi Michel, diretor da Aliança Francesa, em Manaus. "As pessoas que têm em comum a língua francesa são chamadas de francófonas e, na maioria das vezes, pertencem a culturas extremamente diferentes como, por exemplo, Quebec, no Canadá, e alguns países da África, continente onde existe o maior número de países que falam o francês, como Argélia, Marrocos, Congo, Senegal, Costa do Marfim, entre outros", listou.

"Em todos os continentes existem países que falam o francês. Na América temos o Canadá, a Guiana Francesa, o Haiti, a República Dominicana; na Ásia o Camboja, o Líbano, a Síria; na Oceania, a Polinésia Francesa; e mesmo na Europa, a Bélgica, a Suíça e Luxemburgo, entre outros. No total o mundo possui 274 milhões de francófonos, sendo o francês o quinto idioma mais falado do planeta", completou.

Uma semana de festa

Para realçar a francofonia, há 21 anos a Aliança Francesa realiza a Festa da Francofonia, "geralmente comemorada durante uma semana, este ano em duas, devido às muitas atividades que estão sendo desenvolvidas. O ápice da festa é o dia 20 de março. A Francofonia visa oferecer ao público um contato ainda mais próximo e real com o vasto universo não só da língua, mas também da cultura francesa com uma programação para todos os gostos e idades", destacou.

No sábado (17), acontece a exibição do filme 'Couleur de peau, miel' (Cor da pele, mel), às 19h, com entrada gratuita. O filme, baseado em fatos, conta a história do órfão Jung, nascido na Coreia do Sul, em 1965, e encontrado vagando pelas ruas de Seul até ser resgatado por um policial e adotado por uma família belga. Seu formulário de adoção continha pouquíssimas informações, pouca coisa além do nome e da menção 'cor da pele: mel'. Décadas mais tarde, ele retorna pela primeira vez ao seu país de origem e reflete sobre sua trajetória, sobre as dificuldades de adaptação e sobre sua difícil questão identitária. Adulto, Jung se tornou cartunista e decidiu compor sua biografia tanto com imagens de arquivo quanto com desenhos feitos por ele mesmo. "O filme será exibido em francês com legendas em português", acrescentou.

Segunda-feira (19), acontece a palestra 'Le français et l'anglais, je t'aime, moi non plus (O francês e o inglês, eu te amo, nem eu) feita pelo professor Mathieu Bocher, "que contará tudo sobre 'a história de amor' entre a língua inglesa e a língua francesa, que começou há mais de mil anos. Poucas pessoas sabem que a língua francesa teve uma grande influência sobre a inglesa. Segundo a linguista Henriette Walter, 70% das palavras inglesas têm uma origem francesa, mas, em 1530, a primeira gramática francesa, curiosamente, foi escrita pelo inglês John Palsgrave", lembrou.

Sábado (24), a partir das 19h, encerrando a Festa da Francofonia, acontece o jantar francófono. A noite será animada com apresentações de músicas francófonas. No cardápio:
Taboulé, do Líbano, como entrada; Poutine, do Canadá, como prato principal; e Paris-Best, da França, como sobremesa. As vagas são limitadas a 50 pessoas e o valor R$ 45. Reservas podem ser feitas através do (92) 9 9481-1643.

Francofonia e francofonia

A palavra 'francofonia' surgiu por volta de 1880, sob a pluma do geógrafo Onésime Reclus, para descrever a comunidade linguística e cultural do império colonial francês.

Esse patriota inveterado achava que o vetor linguístico determinaria a expansão colonial da França, prometendo ao desenvolvimento da língua francesa um porvir mundial. Hoje a francofonia se libertou dessa conotação colonial para designar duas realidades diferentes, mas complementares: no sentido amplo (com f minúsculo), engloba todas as ações de promoção do francês e dos valores democráticos que ele veicula; no sentido institucional (com F maiúsculo), qualifica a organização internacional que reúne a comunidade de 70 Estados e governos francófonos que optaram por aderir à sua Carta.
Organização de vocação universal, a Francofonia é por essência uma comunidade aberta para o mundo, bem como para os povos e as culturas que a compõem. O termo foi particularmente popularizado por Léopold Sédar Senghor, primeiro presidente do Senegal e um dos fundadores do movimento na década de 1960, que vaticinava: "São os povos que, por intermédio de seus eleitos, empurram os governos para a frente. Seria preciso reunir numa associação interparlamentar os parlamentos de todos os países onde se fala francês". Assim, a OIF (Organização Internacional da Francofonia), foi fundada em 1970.

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