Manaus, 22 de Setembro de 2018
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Polo Industrial aponta estabilidade

Por: Hellen Miranda - hmiranda@jcam.com.br
13 Mar 2018, 13h55

Crédito:Walter Mendes
Mesmo com o aumento de 32,7% na produção industrial do Amazonas, em janeiro desse ano frente ao mesmo mês de 2017, o resultado considerado o melhor desempenho do país ainda não representa uma retomada do setor. Análises mostram que já existem as ferramentas necessárias para que isso ocorra ainda em 2018, mas depende de decisões políticas para dar mais segurança jurídica e criar um ambiente favorável de negócios, além de atrair mais investimentos ao pátio industrial.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em relação a janeiro de 2017, a indústria do Amazonas registrou crescimento de produção na ordem de 32,7%, a maior alta do país. Depois aparecem Pará (14,1%) e Santa Catarina (10,9%) com as expansões mais intensas e o Espírito Santos (-7,8%) teve o pior recuo no período. Já a nacional assinalou alta de 5,7% com resultados positivos em 11 dos 15 locais pesquisados.

Para o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, o resultado é visto com bons olhos, mas defende que os indicadores demonstram apenas que o setor atingiu estabilidade, mas não se pode falar em uma retomada.

"Eles demonstram que o setor deixou de piorar, atingimos estabilidade, no entanto, não se pode falar em uma retomada porque não tivemos melhora nos níveis de emprego e nem nos investimentos. É importante analisar que a comparação está sendo feita com o pior período da recessão (2016) e a crise ainda está presente no país", afirma.

Outro indicador positivo foi registrado na passagem de dezembro do ano passado para janeiro de 2018, onde o Estado avançou 7,1%, considerado o segundo melhor destaque do país, atrás apenas do Pará com alta de 7,3%. Esse índice é acima da indústria nacional, que assinalou queda de 2,4% no período. Devido a alta regional, o índice de média trimestral assinalou variação de 4,8%.

O economista e presidente da Corecon-AM (Conselho Regional de Economia), Francisco Mourão Júnior, reafirma que o resultado é atribuído a estabilização econômica do país, iniciada no segundo semestre do ano passado. No entanto, também pede cautela ao analisar os dados.

"A produção do modelo ZFM (Zona Franca de Manaus) é destinada principalmente para abastecer o mercado nacional, por isso quando houve uma melhora no cenário do país através de medidas estratégicas do governo, como a diminuição da taxa Selic, a desaceleração da inflação, a volta do consumo e dos investidores refletirão nos números do PIM", analisa o presidente do Corecon-AM.

Ano de retomada

Segundo Nelson Azevedo com a evolução econômica durante o ano passado, gerou uma boa expectativa para 2018. "Apostamos em fatores como a reforma da previdência para dar mais segurança jurídica e criar um ambiente favorável de negócios. Além disso é ano de Copa do Mundo que também deve impactar na nossa produção", acrescenta o vice-presidente da Fieam.

Na análise de Mourão Júnior, o setor industrial já possui todas as ferramentas para que haja uma retomada econômica ainda este ano. "Para isso dependemos de decisões políticas como a reforma da previdência para dar mais segurança jurídica e criar um ambiente favorável de negócios, além de controlar o dólar, manter o incentivo ao consumo e atrair mais investimentos. Vale lembrar que este ano tem Copa do Mundo, o que também deve impactar na nossa produção local", afirma o especialista.

Por setores

Ainda de acordo com a pesquisa, sete das dez atividades investigadas registraram expansão na produção industrial local no primeiro mês do ano se comparado a janeiro de 2017. O setor de bebidas (101.3%) exerceu o avanço mais relevante sobre o total da indústria, pressionado, em grande parte, pela maior produção de xaropes.

No mesmo tipo de confronto, também cresceu o setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (52.7%), explicado, pela maior produção de televisores no período. Outro setor que expandiu foi o de máquinas e equipamentos (21.3%).

Em contrapartida, os principais impactos negativos vieram dos ramos de impressão e reprodução de gravações(-20.1%); de indústrias extrativas (-19.1%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1.1%), impulsionado pela menor produção de discos fonográficos e de vídeo (DVD); de óleos brutos de petróleo e gás natural; produção de óleo diesel, gasolina automotiva e GLP (gás liquefeito de petróleo).

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