Manaus, 21 de Setembro de 2018
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Os recursos naturais e o desenvolvimento regional - parte 3

Por: Da Redação por Nilson Pimentel
09 Mar 2018, 15h34

Questionável se faz o que se passa no Amazonas, com exceção das atividades dinâmicas do Polo Industrial de Manaus (PIM), se vive um estado de letargia e inépcia quanto às questões sobre o desenvolvimento econômico regional, em contraponto a abundância de recursos naturais, alguns passiveis de exploração econômica (como os minerais, o petróleo e o gás natural), outros de coleta extrativista (de flora, madeireira e não madeireira, como sementes, amêndoas, óleos e extratos, gomas), de fauna, como o pescado e os demais de incidência de processo de agricultura familiar e de pequeno porte (como a fruticultura, a piscicultura, os quelônios, as batatas e a mandioca/macaxeira). Em comentários com os economistas do Clube de Economia da Amazônia (CEA) para o Estado do Amazonas não existe outro caminho para seu próprio Desenvolvimento Econômico Regional (DER) que não seja de base endógena, o qual a partir de uma economia regional assentada em atividades primárias de baixa densidade de valor, as atividades econômicas ativas não chegam a se traduzir em transformações relativas do Setor Secundário e, nem possuem arrasto que mobilize os serviços que caracterizam o Setor Terciário, pois notadamente os municípios que compõem as nove sub-regiões do estado, exceto a capital Manaus, tem sustentação de renda proveniente do agente governo estadual e municipal. Sabe-se que os processos de DER provocam rupturas, mudanças e alterações na demanda doméstica de produtos regionais, tanto por adoção de novas tecnologias, processo inovativos de produção, aumento e novos fluxos econômicos, quanto por processos de transformações estruturais da economia interiorana espacial que resultam em constantes alterações da importância relativa dos setores da economia.

É por isso que o pessoal do CEA acredita que no Amazonas ainda não se pode tratar de matriz econômica, mas de especificas atividades econômicas que poderão ser transformadas em cadeias produtivas locais, pois as transformações processadas em DER em determinados espaços econômicos regionais podem variar em intensidade, ritmo e direção, em função de uma série de fatores, e que seja impossível proceder a essa atuação em todos os espaços territoriais municipais. Entende-se que os processos de desenvolvimento econômico regional para provocarem as alterações e mudanças estruturais necessárias à mudança de trajetórias econômica de determinado espaço territorial municipal podem ser explicadas a partir de três fatores principais: a) políticas públicas específicas; b) incentivos fiscais direcionados; c) investimentos produtivos diretos e em infraestrutura; assim também, a adoção de novas tecnologias de produção com aproveitamento dos recursos naturais com potenciais econômicos poderá ser utilizada na bioeconomia que poderão ter consequência na reestruturação dos processos produtivos de fitoterápicos, fitocosméticos, em laboratórios de pesquisas que aproveitem os recursos de flora e fauna, como o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que seja capaz de mudar a composição da demanda agregada dos produtos oriundos do Amazonas. Olhando o que se discute em nível mundial da análise do desenvolvimento econômico sustentável em contraponto à persistência das desigualdades entre as condições de vida dos contingentes humanos nas diferentes regiões e o cuidado com o meio ambiente, como nesses imensos espaços territoriais dos municípios do Amazonas, no entender dos economistas do CEA, embora haja um certo padrão de vida que muitos almejam, os amazonenses interioranos estão sem a mínima perspectiva de futuro e, também, o que chega a preocupar até com as novas gerações de manauenses, pois se não ocorrer nenhuma ruptura estrutural vivenciada nesses últimos 50 anos do projeto Zona Franca de Manaus, não haverá nenhuma colheita intensiva de resultados econômicos em longo prazo.

Talvez em se tratando desse imenso manancial de recursos naturais que o Amazonas possui, se questione o 'modelo' de desenvolvimento econômico regional que deva adotar na região, de forma que se busque crescer mais rápido dentro da lógica do ambiental macroeconômico. Por outro lado, se vê aqui próximo, no estado do Pará o que aconteceu nessas últimas décadas, transformações econômicas e avanços tecnológicos ditaram o crescimento e expansão das forças produtivas de base endógena, que alterou as características da economia paraense. Ao contrário, no Amazonas fixou-se nas questões de defesa do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) como único projeto de desenvolvimento econômico regional e o que mais contribui à economia amazonense, mas não conseguiu se autodesenvolver além da colonização de capitais externos que aqui aportaram suas plantas fabris limitadas à demanda interna do Brasil. Em face da crescente consciência ambiental mundial, de forma geral, se cobra de governantes e de governos, alternativas ambientais e a redução das externalidades negativas sobre o meio ambiente, ou seja, um desenvolvimento que não comprometa as gerações futuras, o que se configura no Polo Industrial de Manaus como exemplo disso, por exclusiva falta de alternativas econômicas provocadas pela inépcia dos governantes do estado.

Na análise do desenvolvimento sustentável regional a partir de um foco na endogenia amazonense, os economistas do CEA optam como factível de ocorrência econômica, pois propicia oportunidades aos fatores internos à região capazes de transformar um impulso externo de crescimento econômico em desenvolvimento para toda sociedade amazonense. Assim sendo, potencializam-se os recursos naturais de aproveitamentos econômicos disponíveis ao se oportunizar o envolvimento dos agentes e atores locais em um processo endógeno de desenvolvimento, partindo de pressupostos que pensam o desenvolvimento regional como uma participação da sociedade local na criação de um cenário de ocupação espacial que possibilite uma adequada distribuição dos resultados positivos do processo de crescimento à sociedade envolvida.

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