Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Futebol feminino é potência no esporte

Por: Jefter Guerra - jguerra@jcam.com.br
08 Mar 2018, 15h50

Crédito:Walter Mendes
O futebol feminino do Amazonas vem crescendo ano após ano no cenário esportivo nacional e internacional, tanto na conquista de títulos quanto na presença de público nos estádios onde os times dão seus shows. Prova disso, foi o recorde de público de mais de 25 mil torcedores que acompanhou a vitória de 2 x 1 do Esporte Clube Iranduba da Amazônia contra a equipe do Santos durante a semifinal do Campeonato Brasileiro no ano passado. Com todas as entradas pagas, a participação do Hulk, como é popularmente conhecido pela torcida do Iranduba, superou a presença das torcidas dos outro times, promovendo um feito histórico para o Estado.   

Vencendo o preconceito e o machismo, o time feminino do Iranduba iniciou sua luta para se sagrar no cenário do futebol nacional há sete anos, quando foi fundado no dia 18 de janeiro de 2011. Atualmente com 28 jogadoras, o clube está mexendo em seu time ao contratar oito novas atletas como a artilheira Geovania Domingas, que se destacou no campeonato Japonês com 27 gols; a zagueira Juliana Cardoso (Jujuba), na Copa do Brasil em 2015 e que também estava no Japão; Kélen Bender, que veio da Coreia, a artilheira Amanda Brenner,  da libertadores; e da meia Priscila Selau, que jogava no Paraguai. "Além delas, reforçamos a equipe com as atletas da seleção sub-20 como a atacante Brenda Woch, Luana Rodrigues e a goleira Maike Weber. E por conta dessas contratações, o nosso time ficou muito forte para jogar no Campeonato Brasileiro deste ano", disse o diretor do time, Lauro Tentardini.

Dentre as jogadoras que se destacam no time do Iranduba estão a capitã Djeni Becker, a goleira Maike, que acabou de voltar para a equipe e que vai ser homenageada no Mundial Universitário e a meia Mayara Vaz que brilhou no Campeonato Brasileiro do ano passado.  "Temos grandes destaques para fechar um time completo. Pois acredito que o futuro do Hulk será promissor", disse.

Porém o treinador chama a atenção sobre algumas dificuldades ainda enfrentadas pelo  time. "Não temos um campo próprio para os treinos, uma vez que, anteriormente, a Sejel (Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer) liberava o campo da Colina, o que não acontece mais. Além da falta de transporte para os treinos, o que conseguimos através de uma parceria com uma empresa particular", lamentou.

Para a capitã do time, Djeni Becker, o papel da mulher hoje no esporte em geral é de extrema importância, porém ainda está muito aquém do valor que dão aos times masculinos. "No entanto, já existem times no Brasil que estão contratando as mulheres para jogar pelo seu clube, como é o caso do Iranduba. E estou muito feliz por ter a minha carteira de trabalho assinada", disse ela.

Djeni disse que, mesmo com algumas adversidades que encontra no esporte, longe da família e dos amigos que estão em Santa Catarina, ela está feliz e deseja conquistar muitos títulos pelo Iranduba. "Quem sabe um dia seja contratada pela Seleção Brasileira de Futebol, que é meu sonho", finalizou.
Em 2017, o Iranduba foi o 4º colocado no Campeonato Brasileiro e vice campeão brasileiro em 2016. Para este ano, o objetivo do time é brigar pelo troféu da Libertadores. "E se a sede do jogo for em Manaus, aí que o time vai entrar com todas as credenciais para ser campeão", salientou.

Visibilidade

Para o ex-treinador do Iranduba, Olavo Ferreira Dantas, o futebol feminino na região Norte vem crescendo muito ao ponto de alcançar visibilidade nacional e até internacional, como no caso, do próprio time do Iranduba que leva o maior número de público aos estádios onde joga. "Porém o problema que os times enfrentam hoje reside na marcação dos campeonatos com longas datas, o que deixa muitas meninas de fora por conta de outras ocupações que elas precisam exercer com suas famílias e trabalho", salienta. Dantas espera que no futuro próximo essas meninas se profissionalizem e que os clubes locais consigam seus campos próprios para treinar.

Trajetória

E quem viveu de perto uma parte da trajetória de algumas conquistas do Esporte Clube Iranduba da Amazônia em duas temporadas (2013 e 2014), foi a ex-jogadora, na posição de goleira,  e a atual representante da comissão do time, Banora dos Santos Corrêa, mas conhecida com Biazinha.

Biazinha, que é do município de Maués, mas que veio estudar em Manaus, conta que sempre gostou muito de futebol. " Entre 2009 e 2012 jogava como goleira em equipes de bairros da cidade. Lembro que nessa época me viram jogando e me convidaram para  fazer parte do Iranduba. E desde lá sou apaixonada pelo clube e grata ao ex-presidente Amarildo pela oportunidade que me deu. Hoje, graças ao clube e com a chegada do Lauro, curso uma faculdade e assumi outras funções na agremiação. E isso me deixa muito feliz", disse.

A ex-jogadora disse que os estaduais de 2013 e 2014 foram os mais marcantes para ela, que já pensa em vitórias para 2018. "Para este ano o time foi  bem montado pela diretoria. Com isso, tenho certeza que lutaremos pelo título brasileiro", finalizou.

Torcida feminina em casa e nos estádios

Mas para que os times locais busquem suas conquistas, além dos treinos e feitos históricos, a participação dos torcedores, mas especificamente das torcedoras nos estádios, bares e até assistindo pela TV na sala de suas casas, é primordial.  A torcedora do Nacional Futebol Clube de Manaus, conhecido popularmente como Leão da Vila Municipal, Rebeca Suanam Souza Berredo é um exemplo de fanatismo pelo esporte .

Ela conta que aos 14 anos começou a acompanhar a trajetória do time através das redes sociais, pelo antigo Orkut, mas somente aos 21, com a chegada do Facebook o seu amor pelas conquistas do Nacional cresceu passando assim a frequentar os estádios onde o time jogava. "Lembro que a primeira vez acompanhei o jogo do meu Leão contra o time da Ponte Preta (SP) no estádio do Sesi. E me emocionei quando vi a torcida vibrando com a vitória do Nacional. Chego a me arrepiar, porque ainda é uma lembrança muito boa", recorda.

Além do Nacional, Rebeca disse que torce pelo São Paulo Futebol Clube e pelo Real Madrid Club de Fútbol, clube europeu. "Digo que é uma das minhas maiores paixões por conta da sua grandeza na Europa. Tanto, que faço coleção de camisas e meus amigos e namorado, sabendo disso, sempre me presenteiam com produtos que levam o emblema e o nome dos meus times do coração", disse.

Nos dias dos jogos, Rebeca vai para casa dos amigos dar apoio aos times que torce, "Já cheguei a frequentar a sede da torcida do São Paulo-Manaus, quando ficava no bairro da Vila da Prata. Mas ultimamente não acompanho devido a um problema de saúde que o meu namorado está enfrentando. Mas ir para o bar onde a torcida organizada se reúne  é muito bom, porque a gente troca uma resenha bacana antes e depois do jogo. E quando o Nacional joga, faço questão de ir ao estádio gritar pelo meu leãozinho. Só falta o Real Madrid vir para Manaus, isso seria um sonho", salientou.

Quando o assunto é futebol feminino nacional, a torcedora disse que a maioria das pessoas fala muito da  Marta. "Mas se tem uma pessoa que gostei muito de ver jogando foi Formiga. Para mim, ela é um exemplo de superação. Apesar da idade e do machismo, ela superou tudo isso e mostrou que a mulher pode jogar futebol, sim. E que a idade não importa, pois se tiver as condições físicas pode continuar seguindo em frente com a sua carreira", finalizou.  

Produtos

Falando em torcida, Manaus possui uma variedade de lojas de vendas de produtos esportivos como camisetas de times nacionais e internacionais para atender este público. Uma delas, é a loja Hiper Sport do Shopping São José, zona Leste da cidade.  Segundo a gerente da loja, Francisca Vera da Rocha, os homens são os que procuram mais pelas camisetas dos times, principalmente Vasco e Flamengo. "Atendemos poucas mulheres, mais homens que desejam presenteá-las em datas especiais", concluiu. Segundo a gerente, as camisetas oficiais chegam a custar R$ 248,99.

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