Manaus, 22 de Setembro de 2018
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Mulheres, ontem e hoje

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
07 Mar 2018, 19h30

Crédito:Walter Mendes
Uma imagem clássica de um casal da Idade da Pedra mostra, de forma bem humorada, como deveria ser o romance entre um homem e uma mulher naqueles tempos: o macho, com uma clava na mão, arrastando a fêmea, satisfeita, pelo chão. Nos dias de hoje, um absurdo: o macho se impondo pela força e violência; a fêmea se subjugando, e gostando. Será que era assim mesmo?

Curiosamente o Dia das Mulheres surgiu exatamente para fazer lembrar de uma greve de operárias, ocorrida em Nova Iorque, no dia 8 de março de 1857 na qual 129 delas teriam morrido queimadas após os patrões terem decidido tocar fogo na indústria com elas dentro. Pesquisas mostram que tal fato nunca ocorreu, mas a história se perpetuou e se tornou um marco da luta feminina por dias melhores, sempre encontrando a violência pela frente.

"Para mim a violência, não só contra a mulher, se generalizou e, pior, aumentou. Agora apanha a mulher, apanha o filho e o 'criminoso' fica impune com a frouxidão das leis. Na minha infância, ao meu redor, nunca vi violência dessa natureza. Sabia pelos jornais, ou os mais velhos contavam, sobre um fato acontecido. Agora a mulher, em todas as camadas sociais, é vítima de agressões. O homem, com seu machismo, não aprendeu nada", lamentou a jornalista e escritora Elza Souza.

"As mudanças de comportamento não foram acompanhadas por boa parte dos homens. Muitos continuam sendo os machões que sempre foram, com dificuldade para ser parceiros e entender o lado da mulher. A mídia está aí, escancarando os casos escabrosos", disse.

"Vejo, sim, uma solução, ou soluções, para o problema. Leis mais rígidas e mulheres que deixem um pouco o romantismo de lado e denunciem seus agressores, sem depois irem até à delegacia, perdoar o agressor e pedir para que ele seja solto. Também funciona uma boa educação fundamental na família e na escola, tanto para meninos quanto para meninas. Nem cito religião porque a confusão nessa área, mais atrapalha que ajuda. Em nome de Deus, às vezes, muitos fomentam a violência e a discriminação", reclamou. "Não. Pelo fato de ser mulher nunca me senti desrespeitada ou desvalorizada", afirmou.

Nas sociedades indígenas

A fisioterapeuta dermatofuncional, Cláudia Costa, observou a evolução da mulher por outro ângulo: da outrora subserviência ao marido à liberdade profissional das últimas décadas. "Com certeza nessas últimas cinco décadas, em Manaus, a mulher buscou mais sua independência no mercado de trabalho, primeiro como empregada, depois se tornando empreendedora e agora indo atrás sempre de uma melhor qualificação profissional. Apesar do preconceito, que ainda existe, a mulher ganhou mais espaço em todos os setores onde resolveu atuar", garantiu.

"Na minha infância sempre ajudei a minha mãe nos afazeres de casa. Afazeres que eram considerados 'coisas de mulher' como lavar, passar, arrumar, fazer comida. E tive meu tempo de brincar e ficar com os amigos. Mas aprender aqueles afazeres domésticos não me tornou uma 'mulher do lar'. Me profissionalizei, montei meu próprio negócio e hoje sou uma mulher realizada. Quanto ao respeito dos homens pelas mulheres, eu nunca tive esse problema, até porque aprendi que um homem que desrespeita uma mulher, tem mais é que viver sozinho, isolado. As mulheres precisam se amar e se respeitar mais, e não se entregar para qualquer um. O dia em que todas as mulheres aprenderem essa lição, os homens violentos, os homens que desrespeitam, não terão mais força. Eu mesma me cito como exemplo. Ao longo da minha vida nunca me senti desrespeitada ou desvalorizada pelo fato de ser mulher", falou.

Bom seria se algumas das sociedades indígenas da Amazônia fossem observadas e seguidas.
Na maioria, as tarefas relacionadas ao preparo dos alimentos, ao cuidado com as crianças e algumas atividades na roça são, geralmente, de responsabilidade das mulheres. Já os homens são responsáveis pela derrubada do mato para a criação da roça, pelas atividades de caça, de guerra, entre outras. O interessante disso é que as atividades feitas por cada um dos gêneros (feminino ou masculino) se completam, e juntas garantem a qualidade de vida de toda a comunidade.

As mulheres e a tecnologia

De acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), as mulheres representam apenas 20% dos profissionais de TI no Brasil. O fato de a área de tecnologia ainda ser composta majoritariamente pelo gênero masculino é observado de forma global. O estudo Diversity in Tech 2017 apontou a seguinte participação feminina no quadro de funcionários em algumas das gigantes da tecnologia, como na Microsoft, onde somente 26% do quadro de funcionários são mulheres. Os gigantes Facebook e Instagram possuem 35% da participação feminina em seus times. O Linkedin e o Google, 42% e 31%, respectivamente.

O estudo 2018 Women in Tech também aponta um cenário desanimador: na pesquisa respondida por 14.616 desenvolvedores de software (dos quais pouco mais de 10% eram mulheres), as mulheres na faixa dos 25-34 anos são quase duas vezes mais propensas a ocupar cargos juniores. A probabilidade salta para 3,5 vezes para mulheres acima dos 35 anos. Mas nem tudo pode estar perdido. O mesmo relatório aponta que as mulheres jovens hoje em dia estão 33% mais predispostas a estudar ciência da computação do que as mulheres nascidas antes de 1983. Sinal de que a tecnologia está despertando maior interesse nas meninas, mesmo diante do pouco estímulo de brincadeiras que não se refiram à habilidade de cuidadora.

Saiba mais

https://www.cuponation.com.br/mulheres-na-tecnologia

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