Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Do Sul ao Norte em busca de um sonho

Por: Evaldo Ferreira - eferreira@jcam.com.br
28 Fev 2018, 15h01

Crédito:Walter Mendes
À medida que as indústrias começaram a ser inauguradas no Distrito Industrial, hoje PIM (Polo Industrial de Manaus), no início da década de 1970, a capital amazonense se tornou um porto seguro onde, muita gente imaginou, se conseguiria emprego, dinheiro, uma casa e uma vida tranquila. Esse era um dos objetivos da Zona Franca. Mexer com a economia da cidade, estagnada fazia mais de meio século. Veio gente de todos os lados, de perto, dos interiores; e de outras regiões do país. João Batista Mezari veio de bem longe, de Campos Novos, em Santa Catarina.

"Nasci em Campos Novos, mas depois mudei para Florianópolis. Em seguida morei no norte do Paraná, na cidade de Apucarana, onde fiz faculdade de administração e servi o Exército, na década de 1980. Nesse tempo, a Prefeitura de Apucarana estava estimulando quem quisesse abrir uma empresa, e eu abri a minha, mas aí veio o Plano Cruzado 2, em 1986, no governo Sarney, e minha empresa faliu", recordou.
"Um dia, já no final da década de 1980, um amigo meu, que estava em Manaus, me escreveu dizendo que aqui era um lugar muito bom para se conseguir emprego e eu, recém-formado, já fora do Exército e sem perspectivas de me tornar empresário, resolvi vir para cá", lembrou.

"Como não tinha dinheiro para pegar um avião, vim de ônibus, de Maringá até Porto Velho. Dois dias e meio dentro de um ônibus. Parávamos só para comer e tomar banho e a viagem continuava. Era um mundo totalmente diferente do que eu conhecia no Sul. Em Porto Velho peguei um avião e vim para Manaus. Era novembro de 1988 e a primeira coisa que estranhei quando pisei o solo de Manaus foi o calor", riu.

Na capital amazonense, João Batista não perdeu tempo e começou a deixar currículos nas empresas do Distrito Industrial. "Deixei na Bosch, na Agrale e na Moto Honda. Nesta última eles me chamaram pra fazer entrevista. Fiquei duas horas na recepção aguardando para ser entrevistado e quando finalmente o entrevistador chegou, era um japonês brasileiro. Ele olhou o meu currículo e disse: se você nunca trabalhou, então nem adianta ver o currículo. Pensei, pronto, 'dancei', mas aí veio outro japonês, esse era do Japão. Pegou meu currículo, olhou, analisou e disse que havia uma vaga de supervisor. Eu falei que não tinha experiência prática nenhuma, só teórica, e mesmo assim ele me contratou. Em fevereiro de 1989 estreei na Honda como analista de materiais e desde então estou aqui, agora como diretor administrativo financeiro, já tendo galgado vários cargos dentro da hierarquia da empresa", contou.

Acolhem de uma forma diferente

Em quase 30 anos de Manaus, João Batista se sente mais amazonense do que paranaense, "já estou a mais tempo aqui do que em meu Estado, então, sou mais amazonense, mas vou ser sincero, o começo foi complicado. Logo de cara o calor amazônico é a primeira barreira. Levei três anos pra me acostumar com o calor, depois mais um tempo pra me acostumar com a comida, menos com o tambaqui e o pirarucu, pelos quais me apaixonei de imediato. Em seguida passei a gostar dos bois de Parintins e assim, pouco a pouco, Manaus e o Amazonas foram me conquistando", contou.

"Agora o que me fez ficar aqui e gostar de viver em Manaus foi a acolhida que a cidade me deu, e quando eu falo cidade, falo das pessoas que aqui moram. Os amazonenses te acolhem de uma forma diferente. Teve uma vez, logo no começo, eu estava com minha esposa, passeando junto às margens do Tarumã, na marina do Davi, e procurávamos um local para comer. Paramos numa casa e perguntamos para a dona se ela sabia de um local onde pudéssemos almoçar, e ela nos ofereceu uma banda de tambaqui assado, e nem cobrou, isso sem nos conhecer, e essa atitude é bem comum entre as pessoas daqui. É um carinho marcante", falou.

"Com o tempo fiz muitos 'irmãos' em Manaus, e não são poucos. Esses irmãos são muito mais que amigos para mim", garantiu. "Outra coisa que me fascinou aqui na região desde o começo foi a natureza. Gosto muito da floresta, de estar na floresta, ainda mais quando essa natureza amazônica é de fundamental importância para o mundo", destacou.

"Minha esposa, a artista plástica Eliane Mezari, também veio pra cá e se apaixonou por essa terra. Não está em nossos planos deixar o Amazonas", assegurou.

"Agora o que não posso jamais esquecer é da Honda, uma empresa que me deu essa oportunidade profissional, eu, então, um jovem saído da faculdade, sem nenhuma experiência prática, e investiu em mim. Fiz cursos no Brasil e no Japão, viajei pelo mundo em nome da empresa, evolui profissionalmente e meu trabalho sempre foi reconhecido. A Honda é uma empresa como poucas no mundo, por isso é a melhor no que faz", concluiu João, que ainda pretende ter um longo caminho pela frente na sua profissão.

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