Manaus, 26 de Setembro de 2018
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Empregos e empresas em queda livre

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
28 Fev 2018, 14h13

Crédito:Walter Mendes
Principal gerador de emprego e renda para o Estado do Amazonas, o PIM (Polo Industrial de Manaus), tem sofrido uma grande diminuição no número de mão de obra e empresas nos últimos quatro anos. Segundo os últimos índices da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), de 2012 a 2017, a queda de postos de trabalho nas indústrias vem alcançando números consideráveis.

Segundo dados da Suframa, em 2012, foram registrados cerca de 120,4 mil trabalhadores no PIM e até novembro do ano passado, o número ficou em 86,9 mil empregos gerados. Sendo que 2014, foi o ano em que o setor registrou maior alta, com 122,5 mil trabalhadores.

De acordo com o superintendente da Suframa, Appio Tolentino, a queda foi influenciada pela grande crise econômica e política que afetou o país e prejudicou cerca de 90% da produção das fábricas. Ele explica que muitos produtos do PIM não são itens considerados de primeira necessidade para a população, fato que motivou a demissão de cerca de 24 mil trabalhadores e consequentemente comprometeu as atividades de muitas indústrias.

Outro fator citado por Tolentino, foi a forte restrição de crédito voltado ao consumo da população, fenômeno que reduziu a demanda por mercadorias duráveis e afetou as vendas dos produtos do PIM. "A produção do Polo é destinada ao mercado brasileiro e, em sua maioria, não são itens considerados de primeira necessidade para a população. Toda essa conjuntura levou à queda da produção e consequente demissões levando muitas empresas a terem suas atividades comprometidas", disse ele.

Em contrapartida, com a leve retomada da economia, a Suframa registrou até novembro de 2017, cerca de 88.3 mil postos de trabalho entre efetivos, temporários e terceirizados. Sua melhor marca desde o período da instabilidade da economia do país. O número é 0,20% superior ao que foi registrado em outubro (88,1 mil trabalhadores) e 0,05% inferior na comparação com mesmo período de 2016 que registrou 88,3 mil empregos. Apesar da pequena estabilidade, os índices ficaram muito abaixo de 2014, onde foram ofertadas 122,5 mil empregos, melhor marca nos últimos seis anos.

Medidas emergenciais

Com a situação agravada, as indústrias começaram adotar medidas de emergência para manter os postos de trabalhos existentes e partiram do princípio da redução de custos, sem diminuir sua produtividade. Apesar da situação crítica que o setor vinha enfrentando, os indicadores de desempenho do Polo Industrial atualizados até novembro, registraram a melhor marca mensal de mão de obra do ano, explicou o superintendente.

Segundo Tolentino, as expectativas do setor para 2018 são de crescimento, fatores motivadas pela retomada positiva da economia do país, tais como a redução da inflação e das taxas de juros, melhoria no custo Brasil, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e ao aumento da confiança de empresários e consumidores na estabilidade econômica.

"Nossas projeções são positivas, indo ao encontro das expectativas do próprio governo federal e da comunidade empresarial em geral. Isso significa que o modelo Zona Franca de Manaus, por ter sua produção industrial bastante direcionada ao mercado nacional, poderá ser diretamente impactado em 2018 pela esperada melhora no desempenho da economia brasileira", afirma.

Ferramentas para escoamento de produção

Com o objetivo de facilitar o escoamento dos produtos das indústrias em meio a recuperação econômica do país, a Suframa tem elaborado diversas ferramentas para contribuir com o alavancamento do setor. Uma das medidas é estabelecer novos valores do TCIF (Taxa de Controle de Incentivos Fiscais) e reduzir a burocracia das normas criando novas resoluções de cadastro e acompanhamento industrial, que será avaliada pelo Conselho de Administração da autarquia. Outra medida seria a viabilização de novas rotas logísticas por meio da BR-319, eixo de integração para o Pacífico pelos portos peruanos e Manta-Manaus.
"No intuito de auxiliar as indústrias, a Suframa tem tomado essas medidas, porque apesar da redução de custos experimentada através dos incentivos fiscais, existem outros fatores que geram dificuldades para indústrias. A classe empresarial comumente pontua a dificuldade de escoamento logístico a partir do PIM para os grandes centros consumidores nacional, o Custo Brasil de maneira geral, entre outros fatores", disse o superintendente da Suframa.

Números

Segundo último levantamento do Portal Compra que administra dados do Tesouro Nacional, o Estado do Amazonas sofreu uma queda de 7% em investimentos, tanto do setor privado quanto do público, no ano de 2017.

Segundo Tolentino, a redução de investimento no PIM, foi um dos motivos na variação do número de empresas, isso foi motivado pelo o aumento do deficit público federal que impossibilitou a capacidade estatal de realizar investimentos no Polo Industrial prejudicando o setor.

"Isso ocasionou a queda do volume financeiro destinado ao investimento de maneira generalizada em todo o Brasil. Quanto ao investimento privado, sua queda é explicada pelos últimos anos de retração da demanda e consequente da geração de capacidade ociosa nas empresas, sobretudo naquelas industriais, que observaram a maior queda de vendas. Existindo capacidade instalada ociosa, existe pouco incentivo ao empresário para realizar novos investimentos durante o período", disse.

Eleições presidenciais

De acordo com o superintendente, os resultado das eleições presidenciais podem impactar a economia do país e na atual situação das indústrias da Zona Franca de Manaus. Tolentino afirmou que a incerteza em relação à política fiscal do futuro líder do executivo federal, gera dúvidas e incertezas aos investidores estrangeiros que ficam impossibilitados de prever a segurança econômica no país.

"Os agentes privados que realizam investimentos produtivos têm dificuldade de realizar previsões econômicas, o que pode influenciar as decisões de investimento no PIM, ou até mesmo adiá-las. No entanto, não é possível realizar qualquer análise aprofundada sem definição do teor e extensão que essa nova política causará", ressaltou.

Saiba mais

Em dezembro de 2017, a Suframa contava com um total de 17.173 empresas cadastradas e habilitadas junto a autarquia, envolvendo comércio e outros setores. Destas, 6.398 estavam localizadas no Estado do Amazonas, em sua grande maioria nos limites da Zona Franca de Manaus. Em 2014 foi atingido o pico de 19.753 empresas cadastradas e habilitadas ao longo do ano. A redução de aproximadamente 13% foram motivados pela crise econômica a partir de 2015.

Para receberem os incentivos fiscais do modelo ZFM elas devem cumprir os seguintes requisitos: cumprir o PPB (Processo Produtivo Básico), gerar empregos na região, realizar concessão de benefícios sociais aos trabalhadores, que incluem incentivos para educação, transporte, alimentação, assistência médica e odontológica, creche, lazer e previdência. E incorporar tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e revestir os lucros na região. Além de investir na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico e estar em dia com as obrigações tributárias e previdenciárias federais. Os setores de eletroeletrônicos (incluindo bens de informática) e duas rodas estão entre as áreas que mais ofertaram empregos no PIM nos últimos seis anos. Em 2017, foram cerca de 32,7 mil e 12,4 mil postos de trabalhos respectivamente.

Em números gerais, o número de postos de trabalho no PIM registrou estabilidade entre 2012 (120,4 mil empregados), 2013 (121,2 mil) e 2014 (122,5 mil). Em 2015, o número caiu para 106,5 mil trabalhadores e nos anos seguintes (2016 e 2017) a queda foi ainda mais acentuada, com 86 mil e 85 mil postos de trabalho, respectivamente.
Fonte: Suframa

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