Manaus, 16 de Novembro de 2018
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Leilão de imóveis é sintoma da crise

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
21 Fev 2018, 13h40

Crédito:Walter Mendes
Apontada como causa para a retomada de imóveis pelas financiadoras, a inadimplência tem como base a crise econômica, a falta de planejamento financeiro e o crescimento de desemprego nos últimos anos, explicam especialistas. A CEF (Caixa Econômica Federal), uma das grandes financiadoras de imóveis do país, pode ser usada como termômetro para a crise. Em seu segundo leilão público em Manaus, a Caixa abre o pregão com a oferta de mais de 300 imóveis recebidos em garantia, nos contratos inadimplentes de Alienação Fiduciária.

Segundo o corretor de imóveis, Márcio Cesar de Souza, são diversos os fatores que motivam a inadimplência de imóveis no Amazonas. As principais delas são o desemprego e renda do trabalhador que não acompanhou os reajustes das parcelas, além do custo de vida da cidade que subiu sem que os salários acompanhassem esse crescimento.

Souza explica, que a estabilidade de emprego alinhada ao poder de compra, motivaram a busca em adquirir a casa própria, com isso as construtoras começaram a investir em novos empreendimentos.

"A situação econômica do Brasil anteriormente aumentou o poder de compra das pessoas. Mas, posteriormente o cenário econômico do país mudou com a grande crise. As pessoas começaram a ficar desempregadas e os salários diminuíram. Muitas vezes quando esse imóvel foi comprado ele foi feito por meio de conjunção de renda, onde mais de uma uma pessoa juntou dinheiro para comprar, e hoje uma delas não tem mais essa renda e não tem mais como continuar pagando", explicou.

A situação financeira e a falta de planejamento do consumidor a longo prazo, são outros fatores citados pelo corretor, que levaram as pessoas a investirem em um imóvel sem estudar o limite de suas condições.

"Em nosso mercado altamente consumista as pessoas fazem loucuras e compram algo que não vão poder pagar a longo prazo. Elas não analisam sua situação econômica, e qualquer variação financeira mensal na sua renda influencia no seu orçamento e consequentemente deixa de pagar as prestações do imóvel", disse.

Para o especialista em direito imobiliário, Wallison Daniel Dias Oliveira, a falta de conhecimento do mercado por parte do consumidor é outro fator que contribuiu para o alto índice de descumprimento no pagamento da prestação imobiliária no Amazonas.

Com o desejo de adquirir o bem, ele não se prepara para situações adversas a longo prazo, como a crise econômica que o país enfrentou, e não dispõe de mecanismo para cumprir com o pagamento das parcelas da moradia.

"Quando o comprador vai no stand de vendas, ele não leva em consideração o índice de correção e não acompanha o ritmo da economia brasileira. Não conhece o mercado e isso faz que lá na frente o valor esteja mais alto, e a pessoa não está preparada para situações de instabilidade econômica como a que o país enfrenta agora. Em financiamentos a longo prazo a pessoa está sujeito a passar por isso, porque não se sabe como estará a economia lá na frente", explicou.

A Caixa colocará em leilão, mais de 300 imóveis no próximo dia 26, às 10h, em seu auditório, na rua Ramos Ferreira, Centro. Serão disponibilizados imóveis residenciais, comerciais e terrenos nas mais diversas localidades de Manaus como: Ponta Negra, Tarumã, Centro, Adrianópolis, Aleixo, Flores, Cidade Nova, Lago Azul e nas avenidas Djalma Batista e Constantino Nery, além de vários imóveis em diversos municípios do Amazonas.

Segundo o leiloeiro, Hugo Moreira Pimenta, o pagamento poderá ser à vista ou financiado, também com o uso do FGTS. "O arrematante passa a ser o proprietário do imóvel registrado em cartório, passando a ter direitos sobre o empreendimento", concluiu.

De acordo com a presidente do Sindimóveis-Am (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Amazonas), Márcia Chagas, os imóveis disponibilizados pela Caixa, trarão uma boa movimentação dentro do mercado atraindo investidores.

"Isso é bom para quem é investidor e dá uma boa sacudida no mercado. Mas, existe a questão da pessoa que comprar, arcar com todas as responsabilidades referentes àqueles imóveis, inclusive de tirar as pessoas que estejam nele. O custo do despejo é de quem está comprando", ressaltou.

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